Política

Popularidade do PR é inquestionável

Cândido Bessa e João Dias |

O Vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, manifestou ontem a convicção de que, se as eleições gerais fossem hoje, o resultado a favor do Presidente João Lourenço seria muito mais expressivo e a sua legitimidade sairia ainda mais reforçada.

Cerimónia de cumprimentos de fim de ano ao Presidente da República no Jardim da Cidade Alta
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

Ao discursar na cerimónia de cumprimentos de fim de ano ao Presidente da República, no Jardim da Cidade Alta, Bornito de Sousa, que falou em nome dos convidados presentes, disse que a rápida afirmação e eleição de João Lourenço criou bastante expectativa no país e no estrangeiro, quanto à autonomia, liderança e sentido de Estado que o novo Presidente imprimiria à mais alta liderança política em Angola.
“Passados três meses, a opinião geral é positiva”, disse Bornito de Sousa, destacando as medidas tomadas por João Lourenço, desde que tomou posse como Presidente da República, no dia 26 de Setembro, depois de ter vencido as eleições gerais de 23 de Agosto, com 61,70 por cento dos votos.
O Vice-Presidente destacou a preocupação manifestada pelo Presidente da República com a transparência, moralização do Estado e da sociedade, afastamento da dependência económica do petróleo, relacionamento das instituições democráticas, governação local, autarquias e a redução das assimetrias regionais.
O empenho nestes assuntos, disse Bornito de Sousa, aliado à promoção da igualdade de oportunidades económicas e empresariais, a criação de um empresariado angolano, enquadramento da economia informal, modernização do Estado e da Administração Pública, aposta nos jovens, dignificação da mulher angolana e a melhoria da qualidade de vida dos angolanos, em geral, marcam já a diferença que foi pedida ao novo Presidente da República, durante a campanha eleitoral, apesar de governar em condições macroeconómicas nada fáceis, devido aos efeitos da crise económica.
Na presença de representes do poder legislativo, judicial, igrejas, sociedade civil e líderes de partidos políticos, Bornito de Sousa destacou as acções do Presidente da República, consideradas aceleradas demais, por alguns, “distantes demais das directivas”, por outros. Há ainda aqueles, de acordo com o Vice-Presidente, que as “colocam na fronteira da quebra da unidade, motivo de mal-entendidos e naturais desconfortos”. 
Bornito de Sousa lembrou que a acção do Presidente da República assenta nas premissas eleitorais constantes da estratégia do líder e no programa de governo do MPLA, para o período 2017-2022, que impõe o envolvimento dos cidadãos, das comunidades e das empresas para a sua “boa execução”, no sentido de se “corrigir o que está mal e melhorar o que está bem”.

Transição bem sucedida

O Vice-Presidente da República destacou, igualmente, a transição exemplar, pacífica e democrática, protagonizada pelo Presidente José Eduardo dos Santos, que, “por razões objectivas e históricas, o mantiveram no exercício de funções executivas durante mais de três sacrificadas e exigentes décadas”.
Bornito de Sousa lembrou que a coexistência entre a liderança do partido e a titularidade do Executivo é permitida pela Constituição da República e pelos estatutos do partido no poder. Trata-se, portanto, segundo o Vice-Presidente, de uma questão de gestão e oportunidade políticas.
“O processo em curso em Angola bem pode ser comparado a uma corrida de estafetas, em que quem recebe o testemunho não pode ficar parado”, disse o Vice-Presidente da República, numa alusão à dinâmica empreendida pelo Presidente João Lourenço, durante os primeiros três meses de governação.
“Durante o VII Congresso do MPLA, o presidente José Eduardo dos Santos disse que um dos nossos grandes problemas é o de que temos boas ideias, bons projectos, bons programas, mas, na implementação dos mesmos, os resultados ficam muitas vezes longe do que se esperava, devido à falta de rigor e disciplina nas atitudes e comportamentos”, disse Bornito de Sousa.
O Vice-Presidente da República acrescentou que, naquela ocasião, o líder do partido no poder sublinhou que “se aumentarmos o rigor, a disciplina e a nossa eficácia, poderemos fazer muito mais e em menos tempo”.

"Ainda não houve tempo para mostrar obra", afirma João Lourenço

O Presidente da República reafirmou, ontem, durante a cerimónia de cumprimentos de fim de ano, os desejos de que o próximo ano vai ser melhor para os cidadãos, para as famílias e para o país.
Falando em resposta à mensagem do Vice-Presidente da República, que elogiou as acções empreendidas pelo Chefe de Estado, desde que tomou posse, João Lourenço, de forma humilde, afirmou: “Não houve ainda tempo para mostrar obra, três meses não é nada”.
A popularidade do Presidente João Lourenço tem estado em alta. O semanário português Expresso considerou a sua eleição a Presidente da República de Angola um dos acontecimentos de 2017. O semanário refere que João Lourenço afirmou-se, “não como um mero herdeiro de José Eduardo dos Santos”, mas como um reformador. “Não é claro até onde pode ir, mas já agitou as águas de uma forma talvez irreversível”, escreve a publicação, sublinhando que João Lourenço abre um novo ciclo político em Angola.
Recentemente, a Agência Bloomberg e a revista The Economist publicaram artigos que elogiam a presidência de João Lourenço em Angola, destacando o ímpeto reformista, mas sem esconder as dificuldades. “A oposição chamou-o de ‘chauffeur’, já que seria José Eduardo dos Santos a dizer-lhe para onde ir, mas dois meses depois, o ‘chauffeur’ parece que não aceita ordens”, escreveu a revista britânica The Economist.
Num país “onde os ricos e os poderosos têm estado acima da lei durante anos, pequenos gestos como estes têm um grande significado“, escreve a Economist. Se o tom do artigo mostra que os angolanos estão agradados pela nova maneira de governar, também os mercados parecem ter aprovado a recente presidência de João Lourenço. “Ele só liderou Angola por um par de meses, mas os investidores em títulos já gostam do que estão a ver de João Lourenço”, escreve a Bloomberg, num artigo em que mostra que a dívida soberana angolana é a mais rentável de entre 70 países emergentes analisados.
O The Washington Post, um dos maiores e mais influentes jornais norte-americanos, publicou um extenso artigo sobre o momento de transição em Angola, elogiando a confirmação da mudança de rumo em Angola protagonizada pelo Presidente João Lourenço, apesar de admitir que inicialmente eram muitas as desconfianças de que isso pudesse acontecer.

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