Política

Portugal deve pedir desculpas às ex-colónias

Garrido Fragoso

O Governo português há muito devia apresentar desculpas  às antigas colónias, pelo longo período de escravatura, defendeu ontem, em Luanda, o nacionalista e ex-deputado à Assembleia Nacional Diogo Ventura.

Nacionalista Diogo Ventura, membro do Processo dos 50
Fotografia: M.Machangongo| Edições Novembro

Em declarações ao Jornal de Angola, por ocasião do 44º aniversário da Revolução de 25 de Abril, o nacionalista lembrou que nesse dia militares do Movimento das Forças Armadas, cansados da guerra e descontentes com o regime ditatorial, se revoltaram contra o regime colonial e promoveram uma enorme viragem na história e na vida de todos os portugueses. Assim, deu-se a Revolução dos Cravos, e Portugal passou a viver numa democracia, onde a palavra liberdade passou a ter verdadeiro sentido.
“Portugal nunca aboliu a escravatura, mas transformou-a em contrato obrigatório”, afirmou o nacionalista, defendendo uma relação cada vez mais amistosa com todos os portugueses que defendem a liberdade e autodeterminação dos povos.
Diogo Ventura concordou também que a luta armada desencadeada pelos movimentos de libertação teve influência no que veio a acontecer  a 25 de Abril de 1974, acrescentando que “se não houvesse guerras e mortes de jovens soldados portugueses nas colónias, e não começassem a morrer gente da alta sociedade em Portugal, não haveria 25 de Abril”.
Para o nacionalista Luís Neto “Kiambata”, o 25 de Abril teve causas e uma delas foi a luta pela libertação dos povos de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. “O 25 de Abril surge devido às pressões internas que Portugal sofria, sobretudo por causa da morte de muitos oficiais e até de generais do Exército português”, afirmou Kiambata, para quem a guerra desencadeada pelos movimentos de libertação forçou, em certa medida, a revolução em Portugal.Para o político, todos os patriotas portugueses devem ser felicitados pela data.

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