Política

PR: " País deve explorar todos os recursos de que dispõe"

João Dias

O Presidente da República, João Lourenço, defendeu, ontem, Luanda, que é chegada a hora de o país partir para a exploração sustentável de todos os recursos de que dispõe, em contraponto ao actual sistema de exploração baseado apenas no petróleo, gás e diamantes.

João Lourenço recebeu explicações sobre o funcionamento do IGEO, cujas obras custaram mais de 41 milhões de dólares
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

Em breves declarações à imprensa, depois de ter inaugurado o Instituto Geológico de Angola (IGEO), criado para produzir informação geológica credível para as autoridades, comunidades de investidores e academia, o Presidente considerou que a existência do IGEO, com tecnologia de ponta e quadros qualificados, é de “extrema importância” para um país com os recursos geológicos mineiros como Angola.

“Pelas amostras que nos foram apresentadas, o país tem muito mais do que petróleo, gás e diamantes”, notou. O Titular do Poder Executivo manifestou satisfação depois de uma visita guiada aos diversos compartimentos dos quatros edifícios que compõem o IGEO e de explicações detalhadas sobre o propósito e funcionalidade das instalações.

“Gostei do facto de a maioria dos quadros serem não só jovens, mas, sobretudo, nacionais. Este é um elemento a destacar”, referiu João Lourenço, para quem a importância da infra-estrutura acentua-se na medida em que serve não apenas um sector da economia nacional, mas também as ciências geológicas e mineiras, bem como os sectores dos petróleos, agricultura, e construção civil entre outros.

João Lourenço afirmou que o país está de parabéns com a inauguração deste instituto, lembrando que, na qualidade de Titular do Poder Executivo, tem puxado pelo ministro dos Recursos Minerais e Petróleos, Diamantino Azevedo, no sentido de procurar explorar todos os recursos de que Angola dispõe, numa altura em que os mais explorados são petróleo, gás e diamantes.

O total do investimento do IGEO, de 41 milhões e 688 mil dólares, contemplou a construção, apetrechamento, equipamento dos laboratórios, formação de técnicos e assistência técnica.

Além do IGEO de Luanda, situado no Kilamba, o país conta com o laboratório geo-científico do Saurimo, Lunda-Sul, que vai dedicar-se à prospecção e tratamento de diamante, e o da Huíla, construído para atender análises diversas e caracterização de rochas ornamentais e água. Um e outro são de menor dimensão em relação ao IGEO de Luanda.

Planegeo vai continuar

Relativamente ao Plano Nacional de Geologia (PLANAGEO), o Presidente da República garantiu que é para continuar e que faz todo o sentido ligá-lo à existência do IGEO, que, “sem sombra de dúvida, vai servir todos aqueles investidores que precisem de informação geológica para investir na área mineira”.
“Esta informação será colhida neste instituto, que tem capacidade para o fazer, já que tem capacidade para servir todo o tipo de cliente, quer seja o próprio Estado, quer o investidor privado”, disse.

O geólogo Ivan Cuervo, do consórcio responsável pela investigação da área do Sul de Angola, considerou que o Planageo é o maior projecto geológico do mundo, antevendo a sua importância para atracção de empresas de mineração a Angola, país com “muitos recursos geológicos”.

“Angola tem todos os tipos de metais e uma vasta variedade de rochas ornamentais e até já conta com o primeiro projecto de nióbio na Huíla”, sublinhou.
Ivan Cuervo garantiu que o processo de investigação da área sul está quase a ser finalizado, estando num nível de execução de 90 por cento, embora existam constrangimentos de ordem logística.

A prová-lo está a conclusão do novo mapa geológico de Benguela, exposto no local. “Esta é uma amostra de que o Plano Nacional de Geologia está a dar resultados e quase a ser finalizado. Os mapas aqui expostos são resultado disso. Na zona Norte está a trabalhar a Citic, empresa chinesa, a mesma que construiu as instalações do IGEO”, explicou.

Disseminação de conhecimentos

O ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, afirmou, ontem, em Luanda, que o Instituto Geológico de Angola tem capacidade para gerar e disseminar conhecimento geológico-científico de excelência, lembrando que a inauguração da sede e dos laboratórios centrais do IGEO é motivo de orgulho para todos os trabalhadores do sector mineiro e toda a comunidade da geociência em geral.

Segundo o ministro, o IGEO, uma instituição pública, vai contribuir para o desenvolvimento sustentável do país, sendo responsável pela execução e coordenação da investigação, cartografia geológica e elaboração dos estudos sobre os recursos minerais.

Diamantino Azevedo mencionou as diversas finalidades daquela instituição, de carácter técnico-científico, que passam pela colaboração nos estudos sobre ordenamento do território, uso sustentável dos recursos minerais, contributo na prevenção e mitigação das consequências dos desastres naturais, bem como gestão pública e realização dos estudos dos solos.

Além disso, afirmou, o IGEO surge para realizar estudos hidro-geológicos das águas subterrâneas, minero-medicinais, e dos aquíferos de todo o território nacional. Para que os serviços geológicos possam desempenhar, com êxito, as funções, Diamantino Azevedo defendeu que estejam bem estruturados e equipados com infra-estruturas modernas, bem como capital humano bem qualificado.

"É neste sentido que foi equipada esta infra-estrutura no âmbito do Plano Nacional de Geologia, que incluem os centros regionais e respectivos laboratórios de Saurimo e Lubango", disse o ministro, para quem a inauguração deste empreendimento prova a importância que o Governo dá à investigação cientifica, a fim de estimular o aproveitamento sustentável da riqueza mineral do país.

A primeira pedra para a construção do IGEO foi lançada em Dezembro de 2013. A área de construção do instituto cobre uma superfície de 1.956 metros quadrados, no qual estão construídos quatro edifícios, entre os quais a sede, com três andares. No rés-do-chão está a biblioteca e centro de processamento de dados, considerado o coração do edifício.

Segundo o presidente do Conselho de Administração do IGEO, Canga Xiaquivuila, é "no coração do edifício" onde está alojada toda a informação geológica do país. Canga Xiaquivuila disse que o IGEO conta ainda com uma área reservada para a construção, no futuro, de um edifício para alojar todo o acervo geológico, principalmente o que se encontra no edifício antigo.

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