Política

PR pede empenho das FAA na moralização da sociedade

Cândido Bessa

O Presidente da República pediu ontem à nova chefia das Forças Armadas Angolanas (FAA) empenho no resgate dos valores, principalmente na moralização da sociedade angolana e orientou-a no sentido de trabalhar, sobretudo com a classe de oficiais e de generais, para garantir este desejo.

Momento em que o Chefe de Estado colocava as patentes de general de Exército ao novo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

Para destacar a responsabilidade da liderança, o Presidente João Lourenço sublinhou que “só com uma cabeça sã conseguimos cumprir os objectivos que nos propusemos alcançar, cumprir o papel que a Constituição da República e a Lei confere às Forças Armadas Angolanas”.
Ao discursar na tomada de posse do novo chefe do Estado-Maior General das FAA, António Egídio de Sousa Santos, do seu adjunto para a Área Operacional e de Desenvolvimento, Geraldo Abreu Muhengo Ukuachitembo, e outros 20 oficiais generais, o Presidente da República reafirmou o desejo deixado na mensagem de novo ano, quando falou da necessidade de “passos decisivos para moralizar” a sociedade angolana, com o exemplo das autoridades, “valorizando os bons comportamentos, atitudes e práticas”.
“Estamos empenhados numa luta para o resgate dos valores, com destaque para a moralização da nossa sociedade e gostaríamos que, também nesta nova conjuntura, as Forças Armadas ocupassem a primeira trincheira neste combate pela moralização da nossa sociedade”, disse ontem o Presidente da República.  
Depois de destacar a dedicação de António Egídio de Sousa Santos e de Geraldo Abreu Muhengo Ukuachitembo, o Presidente da República afirmou: “A missão que deixo aqui aos mais altos responsáveis das Forças Armadas Angolanas é de trabalharem sobretudo com a classe de oficiais, com a classe de generais, para que possamos garantir este nosso desejo”. Na presença do Vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, e do ministro da Defesa, o Presidente João Lourenço lembrou que as “Forças Armadas Angolanas granjearam o respeito e carinho de todos os angolanos e não só” e que o reconhecimento “não aconteceu por mero acaso”, mas advém do facto de terem conseguido, ao longo de décadas, garantir a Independência, a soberania nacional e a integridade do território”.
O Presidente da República sublinhou que algumas ameaças já pertencem ao passa-do e, hoje, as Forças Armadas actuam numa conjuntura bem diferente. “Estamos crentes de que fizemos uma boa escolha e que conseguirão cumprir esta missão que acabamos de vos dar”, afirmou João Lourenço.  
Desde que tomou posse, há seis meses, o Presidente João Lourenço tem centrado as suas declarações na moralização da sociedade, defendendo o combate à “violação das leis existentes”, que “tantos males causam à comunidade e ao bem comum”.
“Não podemos esperar que haja mudanças se continuarmos a trilhar os mesmos caminhos e não formos nós os primeiros a mudar o nosso comportamento e as nossas próprias vidas”, disse, na sua primeira mensagem à Nação, em Dezembro, manifestando a total disponibilidade para manter uma atitude de abertura e de diálogo com toda a sociedade, em relação aos problemas da Nação, bem como para prevenir e combater quaisquer condutas que impeçam os cidadãos de usufruírem dos direitos que a Constituição lhes confere. Para João Lourenço, a resposta que tem recebido do povo demonstra que “a grande expectativa criada à volta deste Executivo, continua a alimentar a esperança há muito esperada, do surgimento de uma verdadeira renovação de mentalidades e de comportamentos no seio da sociedade”. O nosso combate pela legalidade e pelo fim da impunidade de quem a desrespeitar, afirmou João Lourenço, vai ser “um combate de todas as horas”.
O novo chefe do Estado-Maior General das FAA promete mudanças, mas em função das orientações superiores. “Há um programa para a reedificação das Forças Armadas e vamos dar cumprimento ao programa, para a modernização das Forças Armadas Angolanas”, disse.
Egídio de Sousa Santos, que antes foi graduado a general de Exército, substitui Geraldo Sachipengo Nunda, que desempenhou o cargo desde 5 de Outubro de 2010. Na manhã de ontem, depois de ouvido o Conselho de Segurança Nacional, o Presidente João Lourenço exonerou 22 oficiais generais, em funções no Estado-Maior das Forças Armadas Angolanas e na Casa de Segurança.

Inteligência externa
Ainda ontem, tomaram posse  o general José Luís Caetano Higino de Sousa no cargo de director-geral do Serviço de Inteligência Externa,  em substituição de André de Oliveira João Sango,  Marques Correia, como inspector-geral da De-fesa Nacional, e Matias Lima Coelho, como chefe do Estado-Maior do Exército.
Na cerimónia de ontem, tomaram posse, entre outros, Sequeira João Lourenço, co-mo chefe adjunto da Casa de Segurança do Presidente da República, Alfredo Tyaunda, como comandante da Unidade da Guarda Presidencial, António Mateus Júnior de Carvalho, como secretário para os Assuntos de Defesa e Forças Armadas.
Daniel Mingas Casimiro é o director do Gabinete de Estudos Estratégicos, António Guilherme Herman Gonçalves Mangueira tomou posse como director do Gabinete de Voo Presidencial e Leonel Pinto da Cruz, para o cargo de director do Gabinete de Obras Especiais.

  Novo inspector-adjunto da Administração do Estado

Ainda ontem tomou posse, em cerimónia separada, Octávio Tombe Quimbuíla Capita no cargo de inspector-adjunto da Administração do Estado, em substituição de Beatriz Quitamba Fernandes. Octávio Capita jurou combater a corrupção e o nepotismo, além de se abster de práticas e actos que lesem os interesses do Estado, sob pena de ser responsabilizado civil e criminalmente.
Recentemente, o ministro de Estado e chefe da Casa Civil do Presidente da República, Frederico Cardoso, recordou que a Inspecção Geral da Administração do Estado tem um papel fundamental na introdução de normas que disciplinem e modifiquem, de forma positiva, a atitude dos funcionários públicos e agentes administrativos do Estado, através da sua acção preventiva e pedagógica, estabelecendo assim princípios e transmitindo conhecimentos, orientações e boas práticas de gestão da coisa pública.
Frederico Cardoso recordou que é preciso ter sempre presente que a Administração Pública tem como fim a prossecução do interesse público e a aproximação dos serviços à população, o que exige um permanente ajustamento da actividade desta às demandas cada vez maiores que a própria evolução da sociedade impõe em termos de qualidade do serviço público prestado, respeito pelo cidadão, cumprimento dos prazos na resolução dos problemas, entre outras questões.
Para o ministro, a Inspecção Geral da Administração do Estado deve igualmente coordenar o sistema de controlo interno da Administração Pública, contribuindo metodologicamente para o aperfeiçoamento constante da organização, do desempenho e da disciplina dos serviços públicos. O Presidente da República exonerou, igualmente ontem, José Marcos Barrica do cargo de embaixador de Angola em Portugal, onde esteve desde Abril de 2009.

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