Política

Presidente de Portugal realça vivência democrática em Angola

Adelina Inácio

Portugal vê Angola como uma potência a emergir, um caminho na vivência democrática e no combate pela justiça e transparência, bem como um peso geoestratégico regional, continental e universal.

Marcelo Rebelo de Sousa discursou ontem numa sessão solene da Assembleia Nacional
Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro

A afirmação foi feita ontem, em Luanda, pelo Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, durante uma sessão solene do Parlamento angolano, por ocasião da sua visita de Estado a Angola. O Chefe de Estado português afirmou ainda que Angola e Portugal estão condenados a serem irmãos e, por isso, devem retirar todos os proveitos desta irmandade.

“Estamos condenados a ser irmãos e mais vale assumirmos que o somos e dessa inspiradora inevitabilidade retirarmos todos os proveitos para os nossos povos, do que teimarmos a negar uma realidade irremovível. Sim, porque essa fraternidade nunca desaparecerá”, disse o Chefe de Estado português.
O Presidente português, que chegou à Assembleia Nacional ao princípio da tarde de ontem, acompanhado pelo homólogo angolano, João Lourenço, disse que a sua presença no Parlamento é o sinal de amizade que unem os dois povos, “que não são entidades abstractas, (mas) têm nomes e rostos, percurso de vida que se cruzam aos milhares em Angola, Portugal e em todo o mundo onde haja uma angolana e uma portuguesa e um português e um angolano”.
Marcelo Rebelo de Sousa disse que Angola e Portugal defendem um mundo mais justo, pacífico, dialogante, respeitador do Direito Internacional e dos Direitos Hu-manos, e mais atento às alterações climáticas e à justiça entre as gerações.

Cooperação parlamentar

O Presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, propôs a Portugal uma nova era de amizade, solidariedade e cooperação entre os parlamentos dos dois países.
No seu discurso de boas-vindas ao Presidente português, Fernando da Piedade Dias dos Santos afirmou que o Parlamento angolano deseja fortalecer um quadro de cooperação parlamentar com Portugal e, para tal, conta com o apoio do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa.
O líder do Parlamento angolano considerou excelentes as relações com a Assembleia da República Portuguesa, consubstanciadas em acções concretas no quadro dos sucessivos programas de cooperação e da concertação diplomáticas nos fora internacionais.
Fernando da Piedade Dias dos Santos afirmou que a visita do Presidente Português ao Parlamento angolano tem uma particular importância para Angola, na medida em que simboliza o aprofundamento das relações entre os dois países.
O presidente da Assembleia Nacional lembrou as relações históricas entre Angola e Portugal marcadas por momentos altos e baixos, num processo dialéctico compreensível que, felizmente, resultou numa relação franca, de fraternidade, amizade, respeito e vantagens mútuas.
“A convivência de séculos deixou marcas indeléveis e de influências entre os dois povos, marcas muito presentes em Portugal e Angola, patentes nas nossas culturas e que marcam as nossas idiossincrasias”, disse.
Fernando da Piedade Dias dos Santos lembrou que Portugal, embora marcado pela cultura ocidental e Angola pela cultura africana, partilham a mesma língua, um elemento fundamental e congregador e depositário dos ditames que apelam à amizade e à cooperação dos dois países.
O presidente da Assembleia Nacional espera que, após a visita de Marcelo Re-belo de Sousa à Assembleia Nacional, Angola e Portugal estejam, cada vez mais, próximos, mais emanados e mais cooperantes.
Fernando da Piedade Dias dos Santos afirmou que a Assembleia Nacional é uma instituição dos tempos novos e de uma nova Angola, ressurgida com a Terceira República, num processo de reconciliação entre irmãos desavindos que acreditaram que o país só caminha com a união de todos para um mesmo objectivo. A paz alcançada em 2002, disse, reacendeu a esperança de uma Angola de liberdades e unidade. “O país reergueu-se com os olhos virados para o futuro, preservando as lições do passado para não repetir os seus erros”, frisou.
O presidente da Assembleia Nacional afirmou que o país passou para uma era das relações políticas, harmoniosas e de sã convivências entre os filhos da mesma pátria. “Escolhemos esta via por entendermos que é a única para a afirmação do nosso Estado, a realização do bem comum, prosperidade e felicidade do nosso povo”, disse.
Na prática, segundo Fernando da Piedade Dias dos Santos, a sã convivência entre os filhos da mesma pátria inaugurou o princípio da reconciliação nacional e tornou-o num dos princípios fundantes da nova Angola.
O presidente da Assembleia Nacional acredita que é possível viver na diversidade, respeitando a liberdade de expressão e de pensamento. Fernando da Piedade Dias dos Santos reiterou que a Assembleia Nacional está a preparar, para discussão e aprovação, o Pacote Legislativo relativo à institucionalização, organização e funcionamento das autarquias em Angola.

Tempo

Multimédia