Política

Presidente convidado à Cimeira dos BRICS

O Presidente da República, João Lourenço, foi convidado pelo Presidente Cyril Ramaphosa a participar na 10ª Cimeira do BRICS (bloco que integra o Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul), a ter lugar no dia 27, em Joanesburgo, na África do Sul.

Chefe de Estado, João Lourenço, recebeu o convite do homólogo sul-africano Ciryl Ramaphosa, anfitrião do encontro
Fotografia: Edições Novembro

A informação foi prestada sábado, em Luanda, pelo ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, momentos após regressar de Brazzaville, República do Congo, onde participou na 5ª Reunião Ministerial do Acordo-quadro para a Paz, Segurança e Cooperação na República Democrática do Congo (RDC).
Segundo Manuel Augusto, o Presidente Cyril Ramaphosa convidou, para o encontro, alguns Chefes de Estado africanos que têm outras responsabilidades a nível do continente, no caso de Angola, João Lourenço é o presidente do Órgão de Cooperação Política, Defesa e Segurança da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Além do encontro com os Chefes de Estado e de Governo dos cinco países membros do BRICS, o Presidente João Lourenço poderá reunir-se, a nível bilateral, com outros estadistas convidados.
A Cimeira, que tem como lema “BRICS em África: Colaboração para o crescimento inclusivo e a prosperidade partilhada na quarta revolução industrial”, reúne as cinco economias emergentes mais relevantes a nível do mundo.
BRICS é um termo utilizado para designar o grupo de países de economias emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Resulta da junção das iniciais dos nomes dos cinco países que integram o grupo.
O grupo foi constituído em 2009, e incluía, inicialmente os primeiros quatro países, juntando-se, em 2011, a África do Sul.
O grupo foi criado para permitir aos países envolvidos maior articulação e buscar formas de aumentar a sua participação na economia mundial. Sobre a 5ª Reunião Ministerial do Acordo-Quadro para a Paz,  Segurança e Cooperação na RDC e do Comité Inter-ministerial da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRGL), Manuel Augusto fez um “balanço positivo de optimismo moderado”.
Segundo Manuel Augusto, o optimismo deve ser moderado pelo facto de persistirem, na região dos Grandes Lagos, algumas situações preocupantes, nomeadamente na República Centro Africana, Burundi e República Democrática do Congo (RDC).
Quanto a situação na RDC, segundo Manuel Augusto, o ministro congolês dos Negócios Estrangeiros fez uma apresentação que teve em conta o discurso do Presidente Joseph Kabila, segundo o qual a Constituição do país será respeitada.
O governante congolês reafirmou que as eleições vão ter lugar a 23 de Dezembro, que a Constituição vai ser respeitada e “mais não disse sobre a participação ou não do Presidente Joseph Kabila nas referidas eleições”.
“Naturalmente, todos sabemos das expectativas em torno da candidatura ou não do Presidente Kabila, mas temos que nos dar por satisfeitos com a reafirmação do Governo da RDC de que a Constituição vai ser respeitada. Obviamente que esta frase dá lugar a várias interpretações”, afirmou.
Os países da região, disse Manuel Augusto, vão continuar a trabalhar para acompanhar a RDC nesta fase importante do seu processo político, para que as eleições tenham lugar de forma pacífica e que os resultados sejam aceites por todos. Quanto à RCA, o ministro considerou ser matéria de grande preocupação, pois a actividade dos movimentos rebeldes se têm intensificado e o Governo tem cada vez menos controlo do território nacional, em termos de actividade central, e as forças da ONU enfrentam algumas dificuldades, que poderão provocar ajustes nos mandatos de segurança.
Relativamente ao Burundi, o ministro das Relações Exteriores disse ter tido a boa notícia de que o Presidente Pierre Nkurunziza não será candidato às eleições de 2020, e este pode ser um elemento apaziguador.
Nesta senda, disse Manuel Augusto, os ministros apelaram para que sejam levantadas as sanções que existem contra o Burundi, impostas pela União Europeia e Estados Unidos da América.
Em Brazzaville, os ministros participaram no encontro dos representantes e garantes do Acordo-Quadro para a RDC, bem como do Comité Inter-ministerial da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRGL), que avaliaram as acções realizadas desde Outubro do ano passado.
O Acordo, patrocinado pelas Nações Unidas, tem como subscritores onze países da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos (CIRGL) e organizações regionais do continente.

Tempo

Multimédia