Política

Presidente português destaca aproximação

Cândido Bessa |

O Presidente José Eduardo dos Santos recebeu, ontem, no Palácio Presidencial, o Chefe de Estado de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, que está em Luanda para assistir à investidura de João Manuel Gonçalves Lourenço.

Marcelo Rebelo de Sousa ontem no Palácio da Cidade Alta
Fotografia: Rogério Tuti | Edições Novembro

Marcelo Rebelo de Sousa foi o primeiro líder convidado a chegar a Luanda, ainda no princípio da manhã, e o único recebido ontem pelo Presidente José Eduardo dos Santos, que cessa hoje funções de Chefe de Estado. Logo depois, visitou a Escola Portuguesa de Luanda e a Universidade Agostinho Neto, onde foi Professor.
O Presidente português destacou a aproximação com Angola fomentada pelo Presidente José Eduardo dos Santos ao longo de 38 anos como Chefe de Estado.
“Foi um encontro de uma amizade, que é a amizade do povo português pelo povo angolano e do povo angolano pelo povo português, e em que não podemos esquecer o facto de que todos os Presidentes eleitos democraticamente em Portugal conviveram com o Presidente José Eduardo dos Santos”, sublinhou Marcelo Rebelo de Sousa. Sobre as relações entre os dois países, Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que, ao longo dos últimos anos, os dois países construíram “um conhecimento recíproco”, com a “preocupação fundamental” de “levar mais longe a fraternidade entre os dois povos”.
Marcelo Rebelo de Sousa recordou os vários Presidentes portugueses que se relacionaram, em funções, com José Eduardo dos Santos, e afirmou que ouviu “testemunhos” em que “é possível encontrar vários momentos da história comum passos de convergência e de aproximação que no essencial respeitaram esta ideia: Dois povos que são irmãos”.
“Depois, como acontece em todas as famílias, há momentos em que há, digamos assim, pontos que não são tão importantes, de divergência, de dissonância. Mas isso acontece nas famílias e no entanto as famílias não deixam de ser famílias no essencial”, acrescentou o Presidente português, que depois visitou o Monumento ao Soldado Desconhecido.
Antes, logo pela manhã, Marcelo Rebelo de Sousa deu um mergulho no Atlântico, junto à ilha de Luanda e tirou dezenas de fotografias e ‘selfies’ com eufóricos. Na escola Portuguesa de Luanda voltou a tirar fotografias e  jogou uma improvisada partida de basquetebol, alinhando numa das equipas da escola.
Dois dias antes de desembarcar em Luanda, Marcelo Rebelo de Sousa garantiu nunca se sentir desconfortável quando defende os interesses de Portugal, depois de ser confrontado com acusações do vice-presidente da UNITA, Raul Danda, que em entrevista à Lusa considerou que Portugal se tem “vergado” nas relações com Angola, colocando-se numa “situação de verdadeira dependência”. O estadista português recordou, a propósito, que as diversas forças políticas concorrentes às eleições em Angola reconheceram a vitória do MPLA, justificando por isso as felicitações que dirigiu a João Lourenço, o Presidente da República eleito.
“Felicitei o Presidente, tendo presente que as mais diversas forças políticas reconheceram que houve a vitória de uma força e, de acordo com a lei angolana, bastava uma força política ter mais um voto do que as demais para o cabeça de lista dessa força ser Presidente da República”, disse.
Em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita que fez à Festa do Outono, que decorre este fim-de-semana, em Serralves, no Porto, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que “ninguém discutiu, nem a nível internacional, nem a nível interno, que tenha havido uma força vencedora” em Angola. Tendo sido “respeitada a lei eleitoral e a Constituição” angolana, “há um Presidente eleito, e o Presidente da República de Portugal, uma vez convidado, vai à posse do novo Presidente da República de Angola pensando nas relações fundamentais que existem entre milhares e milhares de portugueses que estão em Angola e também alguns milhares de angolanos que estão em Portugal”, acrescentou.
Marcelo Rebelo de Sousa referiu ainda que existe “uma relação muito especial no quadro da Comunidade de Países de Língua portuguesa” e que por isso “Portugal deve estar presente, sempre que possível, na posse dos chefes de Estado de países de língua portuguesa”.
O Governo português felicitou igualmente o povo e o Governo de Angola pela forma cívica e tranquila como decorreram as eleições gerais  e manifestou “total empenho” em trabalhar com a nova liderança política do país.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros português congratulou-se  com a “muito expressiva” participação da população no pleito eleitoral e sublinha os laços fraternais que unem os dois países e povos.

Reconhecimento

O Presidente
Marcelo Rebelo de Sousa foi o primeiro Chefe de Estado a felicitar o Presidente eleito da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço, quando estavam apenas contabilizados 98 por centos dos votos. A felicitação foi expressa na página oficial da Presidência da República Portuguesa, através da qual Marcelo Rebelo de Sousa sublinha os laços fraternais que unem os dois países e povos.
Logo depois, foi o Governo português a felicitar o povo e o Governo de Angola pela forma cívica e tranquila como decorreram as eleições gerais, tendo manifestado “total empenho” em trabalhar com a nova liderança política do país. O Ministério dos Negócios Estrangeiros congratulou-se  com a “muito expressiva” participação da população no pleito eleitoral

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