Política

Presidente recebe Samakuva

O combate à intolerância política e a despartidarização das instituições, para a consolidação do Estado, centralizou a conversa entre o Presidente da República, João Lourenço, e o líder da UNITA, Isaías Samakuva, durante uma audiência, ontem, no Palácio Presidencial.

Primeiro encontro do Chefe de Estado, João Lourenço, com o líder da UNITA, Isaías Samakuva
Fotografia: Rogério Tuti | Edições Novembro

À saída do encontro, de cerca de uma hora, o presidente da UNITA disse à imprensa que foi importante o diálogo com o Chefe de Estado, como forma de se ultrapassar alguns problemas para o desenvolvimento do país e bem-estar da sociedade.
O líder da UNITA disse ter abordado com o Presidente da República assuntos ligados à consolidação do Estado, “facto que passa pelo combate à intolerância política, à exclusão e a despartidarização das instituições”.  
O encontro com o Chefe de Estado angolano, de acordo com o presidente da UNITA, serviu  para falar do processo de desmobilização dos ex-militares das extintas Forças Militares da UNITA e das Forças Populares de Libertação de Angola (FAPLA).                    

Embaixador chinês

A atracção de mais investimentos privados chineses para o mercado angolano nos sectores da agricultura, indústria, recursos humanos e da saúde esteve ontem, em Luanda, no foco do encontro entre o Presidente da República, João Lourenço, e o embaixador daquele país em Angola, Cui Aimin.
A confirmação foi dada à imprensa pelo diplomata chinês, no final do encontro que decorreu no Palácio Presidencial, em Luanda.
De acordo com Cui Aimin, a audiência concedida pelo Presidente da República também serviu para avaliar o estado da cooperação bilateral no domínio financeiro.
Cui Aimin manifestou o interesse do seu país em impulsionar a parceria existente entre os dois Estados. No quadro da cooperação bilateral, o Governo chinês concedeu várias linhas de crédito a Angola através de bancos estatais de investimento. A primeira linha de crédito oficial chinesa para Angola data de 2002.

Início da parceria
A troca comercial entre Angola e a China começou em 2002, com o fim da guerra civil angolana e o início da vontade de reconstruir o país.
Após quase 40 anos de conflito armado que matou inúmeras pessoas e trouxe incontáveis prejuízos, os líderes angolanos buscaram recursos através de doações internacionais, mas sem sucesso. Na ocasião, a China foi quem abriu as portas para a ajuda financeira. O país asiático foi o único que se dispôs a financiar a renovação de Angola.
O grande salto para a relação entre os dois países, porém, ocorreu em 2010 quando teve início a estratégia “Oil for money”, ou seja, as linhas de crédito chinesas corresponderiam à exportação do petróleo angolano. A cooperação foi evoluindo e a China ganhou um dos mercados em maior desenvolvimento em África. Os chineses tornaram-se parceiros no investimento, sobretudo, no sector da construção civil, com obras de estradas, escolas e hospitais, entre outros.
Angola tornou-se um dos países lusófonos mais importantes comercialmente para a China e o resultado foi um aumento de mais de dois mil por cento entre 2002 e 2012. A queda de 4,51 por cento em 2013 aparece como uma taxa negativa numa história de recordes.
Entre Janeiro e Maio deste ano, as trocas comerciais  entre Angola e a China registaram um crescimento de 72,98 por cento em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo mais de 10 mil milhões de dólares, revelou recentemente o embaixador de Angola naquele país.
De acordo com Garcia Bires, a China vendeu à Angola bens no montante de 843 milhões de dólares (+37,82%) e comprou mercadorias no valor de 9.203 milhões de dólares (+77,12%).
Em 2003, a China estabeleceu a Região Administrativa Especial de Macau como plataforma para a cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa. Naquele ano, o “gigante asiático” criou o Fórum Macau, que reúne a nível ministerial de três em três anos.

  Chefe de Estado na Cimeira dos Grandes Lagos

O Presidente da República, João Lourenço, está desde ontem em Brazzaville (República do Congo), para participar hoje na sétima Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da Região dos Grandes Lagos (CIRGL).
João Lourenço deixou ontem Luanda ao meio da tarde. A apresentar cumprimentos de despedida ao Estadista angolano estiveram, no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, o Vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, os presidentes da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, e do Tribunal Constitucional, Rui Ferreira, e membros do Governo.
Na Cimeira de Brazzaville,  Angola vai passar o testemunho da presidência de dois anos da CIRGL para a República do Congo, país com o qual mantém relações de amizade e cooperação em vários domínios.
Esta é a primeira deslocação oficial do Chefe de Estado angolano ao exterior, desde a sua investidura ao cargo, no passado dia 26 de Setembro, na sequência das eleições gerais de 23 de Agosto.
O ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, afirmou ontem, em Brazzaville, que há uma grande expectativa em torno do discurso a ser proferido por João Lourenço, na qualidade de presidente cessante da CIRGL.
O chefe da diplomacia angolana, que falava à imprensa, considerou positivo os dois mandatos que Angola teve a frente daquela organização regional, mas também apontou algumas “situações menos abonatórias” que vivem alguns Estados membros, designadamente a República Centro-Africana, o Burundi e o Sudão do Sul.
Manuel Agusto apontou a os Grandes Lagos como “a região mais em foco”.

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