Política

Presidentes confirmam presença no aniversário do Cuito Cuanavale

Os Presidentes da Namíbia, Zâmbia, Botswana e da África do Sul assistem no próximo dia 23, no Cuando Cubango, às celebrações do primeiro aniversário conjunto, comemorado pelos Estados-membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), da Data da Libertação da África Austral.

Manuel Augusto ,ministro das Relações Exteriores
Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro

Hage Geingob, da Namíbia, Edgar Lungo, da Zâmbia, Mokgweetsi Masisi, do Botswana, e Cyril Ramaphosa, da África do Sul, confirmaram ao Governo angolano que vão estar presentes no Cuito Cuanavale no dia 23 de Março, de acordo com o ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, à imprensa.
“Entendeu o Presidente da República que, para assinalar o primeiro 23 de Março, depois da decisão de Windhoek, o dia devia constituir-se numa data de celebração regional. Neste sentido, o Presidente decidiu convidar todos os Chefes de Estado da região da SADC, a deslocarem-se a Angola para conjuntamente celebrarmos esta data”, disse Manuel Augusto, que esteve em Windhoek, para participar no Conselho de Ministros da SADC.
Por decisão da Cimeira de Windhoek, o 23 de Março - Data da Libertação da África Austral -, é feriado regional, por ter contribuído para a independência da Namíbia, a libertação de Nelson Mandela e o fim do regime segregacionista na África do Sul.
Em Angola, único Estado-membro da SADC que sempre celebrou a data, em função da alteração à Lei dos Feriados e Datas de Celebração Nacional, a data é também feriado nacional.
No dia 23, comemora-se o trigésimo aniversário desde que as Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) impuseram uma pesada derrota ao Exército do regime do apartheid da África do Sul, na sua vã tentativa de tomar pela força das armas a sede do município do Cuito Cuanavale.
No ano passado, pela primeira vez, figuraram entre os convidados ao aniversário do Cuito Cuanavale, uma delegação de aproximadamente 180 ex-militares do Exército sul-africano que, durante a invasão, integravam distintas unidades das SADF (designação do exército sul africano), bem como académicos, investigadores, cientistas, membros da sociedade civil, autoridades eclesiásticas, entre outras entidades.
Participaram ainda delegações de Cuba, Botswana, Namíbia, Zâmbia, Zimbabwe, da Rússia e dos Estados Unidos que, no terreno, partilharam e trocaram experiências dos combates ocorridos entre 15 de Novembro de 1987 a 23 de Março de 1988.
Neste período, várias unidades do Batalhão Búfalo e do regimento presidencial sul-africano, auxiliados por milhares de guerrilheiros da UNITA mantinham um apertado cerco sobre a vila do Cuito Cuanavale, que pretendiam tomar pela força das armas e, a partir dali, criar um corredor até Luanda.
Transformada num autêntico inferno, a vila do Cuíto Cuanavale, as áreas residenciais e as posições das FAPLA eram fustigadas intensamente com artilharia de longo alcance do tipo G-5 e G-6, bem como aviões teleguiados carregados com toneladas de explosivos.
As forças sul-africanas tinham também a seu favor o Centro de Correcção de Fogo (CCF), equipado com tecnologia de ponta, a partir do qual podiam monitorar facilmente, com ajuda do satélite, toda a movimentação da população e das unidades das tropas governamentais, mas as FAPLA determinadas que estavam respondiam como podiam.
A supremacia das FAPLA residia na artilharia anti-aérea onde se destacavam os lança foguetes inteligentes Osaka e CD-10, o lança foguetes múltiplos BM-21, os canhões de artilharia terrestre C-130 milímetros, o D-30 mm, bem como os caças-bombardeiros do tipo Sukoy-22, Mig-23 e 25 com os quais aplicava golpes demolidores aos invasores.
Os sul-africanos colocavam na frente os guerrilheiros da UNITA, que também recolhiam os cadáveres.

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