Política

RDC quer a experiência angolana no sector da exploração petrolífera

João Dias

A República Democrática do Congo (RDC) quer aproveitar a experiência angolana para lançar-se no sector da exploração de petróleo ainda em fase embrionária de descoberta.

Musha Galaçlusa Marius disse ser interesse dos dois Chefes de Estado a troca de experiências
Fotografia: kindala manuel| Edições Novembro

A manifestação de interesse pela experiência foi feita pelo enviado especial do Presidente da RDC, Félix Tshisekedi, que ontem foi recebido pelo Chefe de Estado angolano, João Lourenço, no Palácio da Cidade Alta.

 

O país fez algumas descobertas, com destaque para a mais recente com uma reserva potencial de três mil milhões de barris de petróleo/dia, no Leste da RDC, feita por uma filial do grupo israelita Fleurette, após duas fases de testes sísmicos ao nível dos blocos I e II do lago Alberto, num investimento de mais de 20 milhões de dólares, de acordo com um comunicado do grupo. 

Em face das descobertas, a RDC quer absorver, para desenvolver o sector no seu país, a vasta experiência de Angola, cuja história de exploração e produção petrolífera já vai a caminho dos 44 anos.
“Angola tem um grande potencial naquilo que tem que ver com os petróleos. Tem uma vasta experiência e a RDC descobriu recentemente petróleo. Por isso, precisa bastante da ajuda de Angola para desenvolver o sector nos próximos anos”, disse Musha Galalusa Marius, enviado especial de Félix Tshisekedi.

Mensagem a João Lourenço

O Presidente da República, João Lourenço, recebeu ontem uma mensagem escrita do seu homólogo da RDC, Félix Tshisekedi. O portador da mensagem, entregue ontem, foi Musha Marius, que foi recebido pelo Presidente da República, João Lourenço, no Palácio da Cidade Alta.
“O objecto do encontro foi fundamentalmente para, na qualidade de enviado especial, entregar uma mensagem do Presidente Félix Tshisekedi ao homologo João Lourenço. Não conheço o conteúdo da carta, porque veio completamente fechada, como é óbvio”, disse Musha Galalusa Marius.

Apesar de não ter tido acesso ao conteúdo da mensagem, o enviado especial afirmou que veio a Angola sempre na perspectiva do reforço da cooperação entre os dois países e no quadro dos investimentos que os dois países pretendem estabelecer nos próximos anos e nos mais diversos domínios da economia. Musha Galalusa Marius apontou como áreas concretas a serem alvo da cooperação e, por consequência, de investimento, a Agricultura, Minas, Energia e Petróleos, lembrando que, para lá destes sectores, aquele país quer também reforçar a cooperação no domínio das infra-estruturas, por considerar que o sector tem um grande crescimento em Angola nos últimos anos.

“Angola é também uma potência a nível das infra-estruturas. Cresceu muito neste domínio nos últimos anos. Queremos aproveitar também toda esta experiência. É desejo dos dois Chefes de Estado que haja troca de experiência com vista a reforçar a cooperação. Há esta enorme vontade entre os dois países em reforçar cada vez mais a cooperação, sobretudo, a nível dos investimentos concretos”, sublinhou.

Comissão de peritos

Em relação à necessidade de desenvolvimento do sector Petrolífero, Angola e a RDC criaram, recentemente, uma comissão de peritos para analisar e propor soluções adequadas à exploração marítima e prospecção de petróleo.

A decisão foi tomada em Kinshasa entre o ministro dos Recursos Minerais e Petróleos de Angola, Diamantino de Azevedo, e dos Hidrocarbonetos da RDC, Aimé Lusa-Diese. Segundo um comunicado do Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos de Angola, o encontro serviu para análise da problemática do uso recíproco das águas territoriais dos dois países em questões de pesquisas sísmicas, exploração e produção de hidrocarbonetos na zona marítima de interesse comum de ambos os Estados.

As delegações, que saudaram a excelência das relações entre os dois países em matéria de gestão dos recursos comuns, em hidrocarbonetos, decidiram ainda criar um grupo de trabalho para examinar a questão da exploração e produção de hidrocarbonetos ao longo da zona marítima de interesse comum. O objectivo é evitar incompreensões que caracterizaram a questão.

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