Política

Ré Isabel Bragança transferiu valores para a conta de Manuel António Paulo

João Dias

O ex-director-geral do Conselho Nacional de Carregadores (CNC), Manuel António Paulo, revelou ontem, em Luanda, durante a décima sessão de audiência e julgamento, na Câmara Criminal do Tribunal Supremo, ter sido alvo de gratificações não consentidas da parte da ex-colega, a ré Isabel Bragança, à data dos factos directora-geral adjunta para a área da Administração e Finanças.

Isabel Bragança é proprietária das empresas Polida da Silva e Gervi Sol que prestavam serviços ao CNC
Fotografia: DR

Isabel Bragança, que era proprietária das empresas Polida da Silva e Gervi Sol, que prestavam serviços ao CNC, terá feito transferências de somas avultadas para as contas de Manuel António Paulo. O réu disse que consultava com frequência as contas no BAI e BNI, nas quais terão sido feitos os depósitos, e nunca acusou a recepção de 30 mil dólares, supostamente transferidos por Manuel Paulo Van-Dúnem, um funcionário da área de Administração e Finanças do CNC . 

Depois de terem sido ouvidos os réus Augusto Tomás e Isabel Bragança, o Tribunal Supremo ouviu ontem Manuel António Paulo, director-geral do CNC entre 2015 e 2017, num interrogatório que durou seis horas. O Ministério Público perguntou qual era o tipo de relação mantida entre o réu e a ré Isabel Bragança. Manuel António Paulo limitou-se a responder que não passava de uma ligação profissional. Garantiu que nunca tinha recebido nada das mãos da ré a título de pagamento de favores ou vantagens. O réu foi ainda questionado se conhecia algumas empresas que contrataram com o CNC e se delas recebeu alguma gratificação. Quer os juízes, quer o Ministério Público, procuraram saber sobre quantas contas bancárias tem o réu e se sabia das transferências que algumas empresas tinham feito para as suas contas bancárias. Pretendiam igualmente saber se Manuel António Paulo conhecia empresas como a Polida da Silva, Real Imobiliária e outras que prestavam serviços ao CNC e se delas recebia comissões de 10 por cento.
O réu afirmou que nunca foi sua prática receber comissões e que os contratos sempre foram celebrados por cada pelouro, negando ter discutido termos e condições.
O juízes insistiram na questão da recepção de comissões de 10 ou 15 por cento. Neste sentido, o réu informou que tomou contacto com a situação apenas no interrogatório, na Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP) da PGR, tendo de seguida submetido as contas à verificação. Foram então encontradas transferências de 59 mil dólares, 11 mil euros e 7 milhões de kwanzas, que, por sua ordem, disse, foram devolvidos às empresas que tinham transferido os montantes.
Foram ainda encontradas transferências feitas por Beneth Avelino Bumba, que também enviou dinheiro para as contas dos réus Rui Moita e Isabel Bragança. O réu negou conhecer o ordenante das referidas transferências.



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