Política

Refugiados da RDC regressam em breve

Armando Sapalo | Dundo

A República Democrática do Congo está a criar condições de segurança para o regresso dos mais de 11 mil refugiados daquele país que se encontram em Angola, concretamente na Lunda Norte, desde o mês de Março devido aos conflitos políticos e étnicos que se registam naquele país vizinho, anunciou terça-feira, no Dundo, o chefe do Estado-Maior-Adjunto das Forças Armadas da República Democrática do Congo, Ameli Diedonné.

Milhares de cidadãos da República Democrática do Congo que vivem na condição de refugiados podem regressar ao seu país
Fotografia: Benjamim Cândido | Edições Novembro-Lunda Norte

Em declarações à imprensa, no final de uma reunião entre as chefias militares de Angola e da RDC, na capital da Lunda Norte, Ameli Diedonné lamentou o facto de milhares de famílias abandonarem os seus lares como consequência do conflito armado e informou que estão as ser reforçadas as medidas de segurança para se estabilizar a situação e evitar que inúmeras famílias deixem a RDC por falta de segurança.
“Por decisão do Presidente da República, há um reforço que está a ser feito em termos de segurança para se estabilizar a situação que se vive no nosso país e em pouco tempo todos os refugiados que se encontram na Lunda Norte vão regressar a casa”, assegurou Ameli Diedonné.
A província da Lunda Norte, salientou Ameli Diedonné, por partilhar uma extensa fronteira com algumas regiões da RDC, tem sido  a preferência dos refugiados em busca de segurança para as suas famílias.
Na reunião, os peritos militares estudaram as melhores formas para o repatriamento dos cidadãos congoleses. Ameli Diedonné agradeceu o apoio prestado pelo Governo angolano para garantir acolhimento e ajuda humanitária aos refugiados da RDC e garantiu que tudo está a ser feito para que não ocorram mais situações que obriguem um grande número de cidadãos a deixar o país. O clima de instabilidade que se vive na República Democrática do Congo, disse Ameli Diedonné, preocupa toda a comunidade internacional. O general Ameli Diedonné reconheceu que Angola, pela experiência ao longo de vários anos em termos de gestão e  solução de conflitos, desempenha um papel importante para  ultrapassar a actual crise que assola a República Democrática do Congo.
Além de assegurar ajuda humanitária aos refugiados, o Governo angolano está empenhado em contribuir para a superação dos problemas políticos que afligem a República Democrática do Congo, frisou.
O general congolês informou que a situação caótica que o seu país atravessa não era previsível, pelo menos até ao surgimento de uma força miliciana que surpreendeu o país e colocou em risco a segurança das pessoas. “Fomos surpreendidos por uma milícia com cariz étnico-tribal que tem praticado actos de terrorismo com a mutilação de pessoas e massacre de civis”, explicou, destacando as medidas político-militares que o seu governo está a tomar para devolver a segurança ao povo.

Fronteira segura

O comandante do Exército Nacional, general Gouveia Sá Miranda, disse que a questão da segurança ao longo dos 770 quilómetros de extensão da fronteira com a República Democrática do Congo com a província da Lunda Norte, está devidamente salvaguardada e descartou qualquer possibilidade da sua violação por forças rebeldes do país vizinho.
O comandante do Exército Nacional, que chefiou a delegação das Forças Armadas Angolanas, ressaltou o acolhimento e protecção que está a ser dada aos cidadãos congoleses que se encontram na Lunda Norte na condição de refugiados e revelou que mais de 500 refugiados entram semanalmente no território angolano através da Lunda Norte, em busca de segurança.
O general Gouveia Sá Miranda apelou à moderação das acções por parte das forças envolvidas no conflito, para se evitar a perda de vidas inocentes e disse ter recebido garantias do chefe do estado-maior das Forças Armadas da RDC, garantias sobre a criação de condições de segurança para o regresso dos refugiados ao seu país.
“Recebemos garantias que a situação está tranquilizada e internamente já existem condições de segurança para o regresso dos refugiados”, disse Gouveia Sá Miranda, que aconselhou a promoção do diálogo entre as partes, para a  solução dos problemas políticos e militares.

SAPO Angola

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