Política

Repatriamento de capitais tem apoio americano

João Dias e Edna Dala

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, garantiu, na tarde de ontem, em Luanda, que a Administração do Presidente Donald Trump vai apoiar o Executivo angolano no processo de re-patriamento de capitais desviados para o exterior de forma ilegal, por via de esquemas de corrupção.

Mike Pompeo reconheceu que o Presidente João Lourenço está a fazer um “trabalho excelente” no combate à corrupção
Fotografia: Kindala Manuel| Edições Novembro

Ao falar numa conferência de imprensa realizada no edifício-sede do Ministé-rio das Relações Exteriores, depois do encontro de trabalho com o homólogo angolano e de uma audiência com o Presidente da República, João Lourenço, o chefe da di-
plomacia norte-americana sublinhou que o seu país vai apoiar Angola neste processo. “Ajudamos os países de todo o mundo. Queremos que todas as transacções no mundo sejam transparentes”, disse.
Mike Pompeo realçou que os Estados Unidos da América, quando verificam a au-sência de transparência, usam os seus recursos para corri-gir essas acções. “E é isso que faremos para auxiliar Angola”, assegurou Mike Pompeo, prometendo que os EUA vão, também, auxiliar o Governo angolano a melhorar o nível de prosperidade, segurança e paz.
“Vim a Angola por um motivo muito especial: existe uma oportunidade imensa e a América quer fazer parte desse processo, auxiliando-a na melhoria do nível de prosperidade, segurança e paz, o que também beneficiará os Estados Unidos da América”, disse.
Pompeo reconheceu que o continente africano tem registado um aumento no investimento privado e estrangeiro e assegurou que o investimento americano é trans-
parente, limpo e não impõe ónus de dívidas que os países não tenham capacidade de resolver, ao contrário do mo-delo chinês. “Queremos fazer algo que seja positivo para as nossas empresas e para o povo angolano”, assinalou Mike Pompeo, na conferência de imprensa.

Elogios a João Lourenço
O secretário de Estado norte-americano reconheceu que o Presidente João Lourenço, em dois anos e meio de mandato, está a fazer um “trabalho excelente” para tornar a corrupção uma abordagem do passado, que “limitou o potencial do país”.
Com isso, acrescentou, o Chefe de Estado angolano está a contribuir na promoção da transparência e ajudar as empresas a organizar a sua compatibilidade e a “perseguir os vilões”. “Estou optimista que o Presidente da República vai livrar Angola deste passado”, disse.
Mike Pompeo elogiou o Programa de Privatizações em curso no país que visa 195 empresas estatais e lembrou que isso “atrairá imensamente o investimento estrangeiro”. Neste sentido, lembrou que a Chevron tem em vista um investimento de dois mil milhões de dólares na produção offshore e gás.
“Se a legislação for empregue com seriedade, muitas empresas americanas poderão vir a Angola para promover crescimento, riqueza e emprego”, assegurou Pompeo, horas antes de reunir com empresários americanos no Museu da Moeda. “Isso vai ajudar Angola a desenvolver os seus próprios recursos, promovendo os sectores da Agricultura, Turismo e Tecnologia”, sublinhou.
Sobre a parceria no domínio da Saúde, Mike Pompeo lembrou que o programa americano sobre VIH tem salvo a vida a muitas mulheres e crianças, além de que, sublinhou, o Programa de Combate à Malária permitiu a redução do número de mortes pela metade em Angola, nos últimos anos.
Pompeo revelou que os Estados Unidos estão disponíveis para fazer parcerias na área da segurança, lembrando que o programa de manutenção de paz conta com Angola desde 2017. “O que realizamos nos últimos quatro anos dá muitas razões aos Estados Unidos para expandir os nossos elos e dar ao povo angolano razões para continuar a ser optimista”, realçou.

Presidente no Twitter: “Uma nova página na cooperação”
O Presidente João Lourenço escreveu, na sua página do Twitter, que as relações An-gola/EUA conheceram, on-tem, uma nova página com a visita do secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, a Luanda.
Segundo o Chefe de Esta-do, investimento privado americano, segurança da re-gião, luta contra a corrupção e apoio na recuperação de activos, foram temas da agenda da visita. “A parceria está no bom caminho”, concluiu João Lourenço.

Relações estratégicas
O ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, considerou as relações entre Angola e os Estados Unidos uma parceria estratégica, tendo, nos últimos tempos, os dois países dado corpo a este estatuto. “O diálogo intensificou-se ao mais alto nível, ao mesmo tempo que, no ramo dos negócios, os empresários enquadrados nas respectivas câmaras tentam traduzir a relação em projectos com potencial económico e científico”, disse.
Manuel Augusto sublinhou que a visita de Mike Pompeo a Angola sinaliza o apoio dado pela Administração Trump ao programa de governo do Presidente João Lourenço e às reformas levadas a cabo para dar a Angola a possibilidade de reassumir o seu papel no concerto das nações.
“Por essa via, o país po-derá atrair o necessário in-vestimento para que a eco-
nomia ganhe novo fôlego”, disse Manuel Augusto, sublinhando que a visita encerra um grande significado, fundamentalmente na abordagem das relações bilaterais e multilaterais.
O ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, negou, ontem, a existência de quaisquer litígios entre o Governo angolano e uma em-presa americana. “Não existe conflitos entre a americana África Growth Corporation e a BLOX Construções SA, nem há envolvimento do Governo angolano”, declarou Manuel Augusto.
Esclareceu que “o Executivo preocupa-se apenas com tudo o que é capaz de contribuir para a melhoria do am-biente de negócios, particu-
larmente quando se trata de Angola e Estados Unidos da América”.
O que houve, esclareceu Manuel Augusto, foi a tentativa que o Governo empreendeu para ajudar os dois parceiros para que resolvessem os seus conflitos. “Mas fomos mal interpretados pela empresa americana, que levou a preocupação para as barras do tribunal”, disse.
O responsável disse existirem grandes empresas americanas a operar há décadas no país “com as quais nos sentimos confortáveis”.
A propósito da questão, o secretário de Estado norte-americano também afirmou que não existe qualquer conflito entre os EUA e Angola. “Angola protege as suas portas, como todos os países o fazem. De forma alguma isso se configura conflito”, disse Pompeo, afirmando que os Estados Unidos têm um “desejo profundo” de aumentar a parceria que tem com Angola.

Presidente Donald Trump convidado a visitar Angola

Questionado sobre a possibilidade de uma visita oficial do Presidente norte-americano a Angola, Pompeo disse que Donald Trump gostaria de vir ao país, o que, entretanto, é inviável em ano eleitoral.
Trump deverá concorrer a um segundo mandato de quatro anos durante as eleições presidenciais, previstas para Novembro deste ano.
“Neste momento, o Presidente está muito atarefado. Portanto, não posso dar a resposta hoje”, disse o secretário de Estado, que, ainda assim, promete entregar a Donald Trump a carta do Presidente da República, João Lourenço, a convidar o homólogo norte-americano.
Mike Pompeo,que on-tem deixou Luanda, onde desembarcou às 23h15 de domingo, reconheceu que o encontro com o Presidente João Lourenço e o ministro das Relações Exteriores fortalecem os laços entre os dois países, numa clara promoção da soberania e da paz.
Ontem, pela manhã, Mike Pompeo foi recebido em au-diência, no Palácio da Cidade Alta, pelo Presidente João Lourenço, com quem abordou aspectos de interesse bilateral.

Tempo

Multimédia