Política

Representante do Tesouro vem trabalhar em Angola

Adelina Inácio

Os Estados Unidos da América vão enviar representantes do Departamento do Tesouro para trabalhar com o Governo angolano na questão do restabelecimento da correspondência bancária, anunciou ontem, em Luanda, o secretário de Estado-adjunto americano John Sullivan.

Secretário de Estado-adjunto americano John Sullivan
Fotografia: Edições Novembro

“Este trabalho está em curso. Fizemos muitos progressos. O nosso Departamento do Tesouro vai enviar um representante para trabalhar na nossa Embaixada com o Governo angolano para tratar de questões que envolvem corrupção, lavagem de dinheiro e combate ao financiamento ao terrorismo”, sublinhou.

O representante americano garantiu que os Estados Unidos vão também fornecer assessores técnicos do De-partamento do Tesouro para ajudar a combater o branqueamento de capitais e o financiamento do terrorismo. “Es-tamos ansiosos para finalizar um Memorando de Entendimento sobre segurança e aplicação da Lei no futuro”, afirmou
John Sullivan salientou que as autoridades angolanas e americanas estão em discussões para melhorar o clima de investimento para que Angola alcance confiança no espaço americano e possa restabelecer a relação de correspondência bancária. “De-pois de debatidas estas ques-
tões, vamos restaurar a confiança em bancos americanos que vão retornar a sua relação de correspondentes bancários”, sublinhou.
O secretário de Estado-adjunto assegurou que os Estados Unidos podem dar apoio ao Governo angolano, bem como aos bancos para garantir que haja confiança no mercado local.
John Sullivan, que visita pela primeira vez Angola na qualidade de secretário de Estado adjunto, agradeceu ao Presidente João Lourenço pelo facto de o país albergar o “Diálogo Estratégico” Estados Unidos-Angola e pelas discussões sobre segurança económica, Direitos Humanos, boa governação e democracia.
Durante o encontro de duas horas, Angola e os Estados Unidos avaliaram várias questões, incluindo a me-lhoria do ambiente de negócios, aumento do comércio, corrupção, promoção da boa governação e dos Direitos Humanos, bem como a procura de novas formas de crescimento da cooperação bilateral em sectores como a segurança e programas de Saúde.

Dois milhões de dólares para desminagem

Os Estados Unidos da América vão apoiar Angola com dois milhões de dólares para assistência continuada à remoção de minas no país.
John Sullivan afirmou que Angola possui uma economia forte para o comércio e uma força diplomática forte para o aumento da segurança regional e o combate ao terrorismo. O secretário de Es-tado-adjunto americano disse que o governo do Presidente João Lourenço tem causado boa impressão nos seus esforços iniciais para a promoção da boa governação, tanto em Angola como a nível regional.
“Os Estados Unidos da América manifestam o seu pleno apoio ao Presidente João Lourenço nos seus esforços tendentes às reformas na economia e ao reforço do papel de liderança de Angola no contexto mundial”, disse.

Confiança dos EUA

O ministro das Relações Ex-teriores , Manuel Augusto, afirmou que a visita de John Sullivan acontece num mo-mento particular das relações político-diplomáticas, uma vez que existe um interesse recíproco ao mais alto nível para o reforço da cooperação bilateral.
O chefe da diplomacia angolana lembrou que o país encontra-se num processo de reformas profundas, a vários níveis, com o objectivo de se conferir uma nova imagem e credibilidade a nível interno e internacional.
Em declarações à imprensa, no final da terceira sessão de consultas políticas entre Angola e os Estados Unidos da América, Manuel Augusto referiu que Angola privilegia um modelo de cooperação que assenta na promoção, alargamento e incremento do diálogo político ao mais alto nível, incluindo sobre questões de política internacional.
Angola, acrescentou o ministro, considera os Estados Unidos da América o seu parceiro estratégico, com o qual coopera em diferentes domínios, com destaque para áreas de petróleos, energia, direitos humanos, comércio e investimentos, saúde, segurança e finanças, entre outros.
Manuel Augusto adiantou que durante as conversações, os Estados Unidos da América transmitiram a sua confiança no Governo e no Presidente João Lourenço e manifestaram o seu apoio à política de reformas.
No âmbito das discussões entre os dois países, frisou, estava prevista a assinatura de um Memorando, mas as partes entenderam que o documento deve ser enriquecido para abranger outras áreas de cooperação. “Vamos trabalhá-lo para ser assinado o mais breve possível”, adiantou.

Repatriamento de capitais

O ministro das Relações Exteriores destacou o apoio dos Estados Unidos ao programa de repatriamento de capitais.
Manuel Augusto disse que o Presidente João Lourenço, durante o encontro com John Sullivan, manifestou a satisfação do Governo angolano em contar com o apoio dos Estados Unidos nas acções de combate e, principalmen-te, para a normalização da vida financeira.
Relativamente à cooperação entre os órgãos de Justiça, Segurança e Inteligência e os ministérios públicos, Manuel Augusto indicou que a nível sectorial vão ser discutidos para se encontrar a melhor solução.

 

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