Política

Rui Moita confessa ter recebido gratificações no Conselho Nacional de Carregadores

O ex-director-geral adjunto para área Técnica do Conselho Nacional de Carregadores (CNC), Rui Manuel Moita, admitiu ontem, em tribunal, ter recebido cerca de 43 mil dólares (usd) da empresa BB Comercial, como "gratificação".

Embora tenha admitido receber várias "gratificações", Rui Moita disse em tribunal "não fixava" a quantia
Fotografia: DR

Durante o primeiro interrogatório à instância do juiz relator do julgamento do conhecido “Caso CNC”, que decorre no Tribunal Supremo, informou que teve conhecimento dos valores apenas quando solicitou o relatório de movimentação das suas contas bancárias no BAI (Banco Angolano de Investimento) e BNI (Banco de Negócios Internacionais).

Em tribunal, Rui Moita assumiu ter recebido, igualmente, gratificações das empresas Xiang Cun Bu, Polida da Silva, Afroeng e Gilviso.

Alegou, no entanto, que os depósitos bancários das referidas empresas foram feitos sem o seu conhecimento. Questionado pelo juiz como teve conhecimento do dinheiro transferido para a sua conta, o réu afirmou ter sido por via de extractos bancários, ressaltando que na altura não fixou a quantia monetária.

Além das anteriores “bonificações”, o ex-gestor confirmou ser, igualmente, “agraciado”, com valor em dinheiro, pela empresa Real Imobiliária.

O arguido alegou que o dinheiro, cujo montante não especificou, foi transferido para a sua conta bancária pelo ex-director adjunto do CNC para área Administrativa e Financeira, Eurico Pereira da Silva, a mando do ex-director geral, Francisco Itembo, actualmente foragido.

Relativamente à “oferta”, disse ter achado estranho, daí ter contactado o então director Francisco Itembo, a fim de saber da proveniência e a razão da transferência dos referidos valores monetários.

Segundo o réu, Francisco Itembo (foragido) afirmou, na altura, que se tratava de uma oferta que decidiu partilhar com os então colegas (Eurico da Silva e Rui Moita).

Sustentou que o processo de “gratificações” continuou mesmo após a exoneração do ex-director-geral do CNC, Francisco Itembo, que foi substituído no cargo pela ré Isabel Bragança, segundo informações dadas por Eurico da Silva.

Perante o jurado, Rui Moita referiu que mantinha uma relação fria com Francisco Itembo e de “fricções” com Isabel Bragança.

O julgamento do caso CNC envolve o antigo ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás, e quatro ex-dirigentes do Conselho Nacional de Carregadores (Manuel Paulo, Isabel Bragança, Rui Moita e Eurico Pereira da Silva).

Bolsa de estudos para sobrinha

O réu admitiu também ter beneficiado uma sobrinha sua com uma bolsa de estudos, no quadro do programa criado pelo CNC.

Rui Moita volta a ser ouvido amanhã (quinta-feira, 27, à instância do Ministério Público e depois pelos advogados.

O julgamento do caso CNC envolve o antigo ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás, e quatro ex-dirigentes do Conselho Nacional de Carregadores (Manuel Paulo, Isabel Bragança, Rui Moita e Eurico Pereira da Silva).
Rui Manuel Moita é penúltimo réu do processo sob o número 002/19 (designado caso CNC), no qual são acusados de crimes de peculato, violação de normas de execução de orçamento, branqueamento de capitais e abuso de poder na forma continuada.



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