Política

Rússia confirma lançamento do satélite no próximo mês

Cândido Bessa e Manuela Gomes

Técnicos russos e angolanos estão a ultimar os preparativos para o lançamento, no próximo mês em órbita, do satélite angolano (AngoSat-1), construído na Rússia para o Governo angolano. A confirmação foi feita ontem pelo vice-primeiro-ministro da Federação Russa, Yuri Trutnev, à saída da audiência com o Presidente da República, João Lourenço, no Palácio Presidencial da Cidade Alta.

Vice-primeiro-ministro russo afirmou ao Chefe de Estado a disponibilidade das empresas e autoridades do seu país continuarem a apostar em Angola
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

Yuri Trutnev, que está em Angola para reforçar a cooperação bilateral, afirmou que o lançamento do primeiro satélite angolano representa um ganho para os dois estados. O contrato do AngoSat 1, o primeiro satélite de comunicações de Angola, foi assinado pelas partes russa e angolana em 2009, mas a construção iniciou no final de 2012.
Com um tempo de vida útil de 15 anos, o AngoSat-1 torna Angola no quarto país africano a entrar para a indústria espacial, depois da África do Sul, Nigéria e Egipto. Além de transferir a tecnologia espacial, o satélite vai garantir o desenvolvimento científico e tecnológico, além de gerar receitas, criação de infra-estruturas, emprego directo e indirecto.
Em Julho, começaram a ser vendidos os serviços do AngoSat 1, depois dos testes iniciais feitos a partir do cosmódromo Baikonur, no Cazaquistão. Pelo menos 80 por cento dos serviços do satélite vão ser vendidos a empresas em Angola e noutros países.
Os restantes 20 por cento são reservados para questões estratégicas do Estado. As prioridades são as áreas sociais, como educação e saúde, além do fomento ao emprego, com o empreendedorismo de base tecnológica.
O sinal do Angosat 1 vai propiciar outros negócios para o país, por ter uma capacidade de cobertura desde a África do Sul à Itália. Com os pagamentos em território nacional efectuados em kwanzas, o Executivo garante estarem criadas  as condições para que os serviços disponibilizados possam ser vendidos até para os países onde chegar o sinal do Angosat 1.
Com a entrada em órbita do primeiro satélite, os serviços das operadoras vão poder chegar às zonas onde não há sinal. A expansão do sinal das tecnologias de informação e comunicação propicia mais negócios para o país por ter uma capacidade de iluminação da África do Sul à Itália.
Com um custo avaliado de 320 milhões de dólares, o satélite angolano vai possuir um centro primário de controlo e missão em Angola e outro secundário na Rússia. Em Angola, o centro de controlo e missão está localizado na comuna da Funda, município de Cacuaco, norte de Luanda.
Além do AngoSat, o país tem um outro projecto no sector das telecomunicações. Trata-se do cabo submarino de fibra óptica, que vai ligar Luanda ao Estado do Ceará, no Brasil, com objectivo de contribuir para a melhoria e a redução de custos no acesso aos serviços das telecomunicações no país. O projecto entra em funcionamento em Julho do próximo ano e Angola passa a ser o primeiro país a ligar a África e a América do Sul através do Oceano Atlântico.

Elogios a Angola
Além das questões ligadas ao satélite, a audiência foi também dominada por assuntos políticos e as trocas comerciais entre os dois países. Os sectores técnico e militar, agricultura, minas e telecomunicações estiveram entre os destaques da conversa.
Yuri Trutnev, que deixou ontem a capital angolana com destino à África do Sul, elogiou o papel de Angola nas organizações internacionais e destacou o trabalho para a estabilidade política na região central e austral de África.
“ A Federação Russa valoriza muito a cooperação entre os nossos dois países e estamos também grato ao Governo de Angola pela posição que ocupa juntamente com a Rússia nas organizações internacionais”, disse o vice-primeiro ministro russo.
Angola e Rússia desenvolvem relações de cooperação nos sectores da Defesa e Segurança, Transportes, Educação, Geologia e Minas, Pescas, Petróleos e Gás, Telecomunicações, Energia e Águas.
Quanto às trocas comerciais entre os dois países, o vice-primeiro ministro, Yuri Trutnev, afirmou que subiram duas vezes e meia no período 2016/2017, sem contudo avançar números.

                                                              Cooperação alargada no sector de minerais e petróleos

Logo após a audiência com o Presidente da República, o vice-primeiro-ministro russo foi recebido pelo ministro dos Recursos Minerais e Petróleos, Diamantino Pedro Azevedo, com quem discutiu a necessidade de reforçar a cooperação no sector.
Actualmente, a presença russa nos recursos minerais é visível através da Alrosa, parceira da Endiama no projecto Catoca.
No ano passado, os resultados obtidos foram positivos e superaram os do ano anterior. O projecto Catoca, por exemplo, conseguiu 600 milhões de dólares em receitas, com um lucro líquido de 137 milhões de dólares. Em Maio, o presidente da companhia russa, Sergei Ivanov, esteve em Angola, para reafirmar que Alrosa iria manter os projectos para o país, apesar do actual contexto económico adverso e garantiu que os investimentos de mais de mil milhões de dólares anunciados em 2015 vão ser concretizados em breve.  A vinda de Yuri Trutnev  ocorre numa altura em que Angola está a fazer o mapeamento dos potenciais recursos mineiros, através de levantamentos aéreos e recolha e análise de amostras. Denominado Plano Nacional de Geologia (Planageo), o levantamento, um dos maiores do género a nível mundial, vai permitir conhecer os recursos naturais do país, caracterizando as potencialidades minerais, para depois captar investidores estrangeiros, a médio e longo prazo. Para realizar os trabalhos, os especialistas dividiram o país em três partes, sendo a parte Sul, que integra o consórcio composto pela firma Impulso, Instituto Geológico e Mineiro de Espanha e o Laboratório Nacional de Energia e Geologia de Portugal, com os trabalhos mais avançados.
Yuri Trutnev elogiou os trabalhos do Planageo e afirmou que o foco é dar seguimento aos projectos no sector dos recursos minerais e aproveitar as acções de  prospecção e levantamento aeromagnético já realizado. O vice-primeiro-ministro russo reuniu com as direcções da Endiama e a empresa de comercialização de diamantes, Sodiam.

 

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