Política

Samakuva vai deixar a liderança da UNITA

Vitorino Joaquim

O presidente da UNITA, Isaías Samakuva, anunciou ontem em Luanda, que pretende deixar o cargo a partir da data a ser indicada pelo órgão competente do partido, colocando o seu lugar à disposição no arranque da nova legislatura no país.

Presidente da UNITA anuncia abandono da liderança do partido depois da derrota nas eleições gerais de 23 de Agosto
Fotografia: Miqueias Machangongo | Edições Novembro

Isaías Samakuva, que discursou na abertura da reunião ordinária do comité permanente da comissão política do partido, que decorre em Viana, disse que mantém a decisão de abandonar o cargo de presidente. “Afirmei aos angolanos antes e durante a campanha eleitoral que depois das eleições deixaria o cargo de presidente da UNITA, para servir o partido numa posição diferente. Mantenho e reafirmo esta decisão”, sublinhou.
No encontro, os participantes vão decidir a data da próxima reunião da comissão política do partido, além de analisar o relatório da direcção da campanha eleitoral e a marcação da data para a realização de um congresso extraordinário para a eleição do novo presidente da UNITA.
A escassas horas da tomada de posse dos deputados à Assembleia Nacional, Isaías Samakuva garantiu que o grupo parlamentar da UNITA vai assumir os seus lugares na casa das leis, por ser o palco mais indicado para combater os males que o país vive. “Deverão demonstrar que estão aí para combater as violações dos direitos humanos, a má governação, o desemprego, os assaltos aos cofres do Estado e o nepotismo”, acrescentou.
Segundo o líder da UNITA, os parlamentares do seu partido estarão ainda aí para continuar a defender a institucionalização de autarquias municipais em todo o país, sem discriminação territorial, com a transferência gradual de funções da Administração central para a administração autárquica, atendendo o grau de crescimento económico e o progresso social.

Combate à corrupção

Outra prioridade da bancada parlamentar é o combate efectivo e eficaz ao fenómeno da corrupção por desvio de fundos, por ser este um acto que tem impedido a concretização de investimentos na saúde, na educação ou na segurança alimentar e nutricional das crianças, entre outros males.
O presidente da UNITA disse que o grupo parlamentar da UNITA deverá empreender diligências para incluir, no direito interno, o crime de corrupção praticado por titulares de cargos públicos, por ser um factor de instabilidade que periga a segurança dos povos.
O líder da UNITA defendeu um novo regime penal da corrupção no sector público, a promoção e a criação de um conselho nacional de prevenção e combate à corrupção, entre outros. Isaías Samakuva falou da trajectória eleitoral do país, tendo referido que nesta últimas eleições, “a vontade do povo foi traída, por quem detém temporariamente o poder do Estado.”
Para Isaías Samukuva, as eleições terminaram, mas o regime não mudou. “Os problemas continuam e vão continuar, as violações dos direitos humanos continuam e vão continuar, a corrupção continua e vai continuar, a intolerância continua e vai continuar, a exclusão continua e vai continuar”, frisou.
O político defendeu a necessidade de diálogo entre gerações, povos e etnias que habitam o mesmo território e partilham a titularidade dos recursos nele existentes, para se resgatar a cidadania e construir um futuro melhor para o país.
Isaías Samakuva falou das aspirações do povo angolano a um melhor nível de vida, nomeadamente acabar com a corrupção, a pobreza, a péssima qualidade de educação, a falta de saneamento básico e com as promessas que se repetem e não se cumprem.
Isaías Samakuva disse que o primeiro sinal que os angolanos esperam dos seus representantes é a afirmação da vontade para encerrar a era da partidarização do Estado. O segundo sinal, frisou, é a afirmação de que terminou a era da utilização dos cargos públicos para enriquecimento ilícito e o terceiro é uma nova abordagem sobre a reconciliação, onde haja inclusão social e igualdade entre todos os angolanos.
A UNITA foi a segunda força política mais votada nas eleições gerais de 23 de Agosto, ao obter 26,68 por cento dos votos. Com este resultado, o maior partido na oposição conseguiu eleger 51 deputados.
Alguns círculos da UNITA defendiam a não tomada dos lugares na Assembleia Nacional, para contestar os resultados nas eleições.
Mas o líder do partido defendeu neste mês a presença na “Casa das leis”. Isaías Samakuva considera que mais vale estar no Parlamento do que fazer oposição distante daquele poder.
“Gostamos de uma juventude assim (activa ou resoluta), mas também gostamos da juventude que sabe e gosta de ouvir os mais-velhos”, afirmou na ocsaião o líder da UNITA, insistindo que uma oposição responsável deve ser feita no Parlamento.
Comparantivamente à legislatura anterior, a UNITA teve um aumento de 19 deputados.

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