Política

Samakuva confiante na vitória do partido

Estácio Camassete e Adolfo Mundombe | Huambo

O candidato presidencial da UNITA mostrou-se ontem  optimista na vitória  do partido nas eleições de 23 deste mês, durante o acto político de massas que orientou no largo Saidy Mingas, na cidade do Huambo.

Isaías Samakuva falou em mudança e prometeu “tudo fazer para haver viragem política”
Fotografia: Francisco Lopes | Edições Novembro

Isaías Samakuva prometeu tudo fazer para haver uma viragem política no país nestas eleições, para melhorar o nível de vida social de todos os angolanos.
“Sinto que desta vez a mudança vai chegar”, reforçou Samakuva, que prometeu ainda, caso vença as eleições, melhorar o sistema de abastecimento da água potável, energia eléctrica e prestar maior atenção ao sistema de saúde no país.
O líder do maior partido da oposição no país aconselhou os militantes a cultivarem bons hábitos de vida, para se prevenirem de várias doenças. Alertou também os jovens sobre o risco do consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Samakuva disse que se vencer as eleições também vai criar a figura de mobilizador ou educador social, para incutir  bons hábitos nas pessoas no seio das comunidades.
No sector da educação, o candidato presidencial da UNITA defende a formação com qualidade dos quadros, assim como a promoção profissional e actualização das categorias.
O cabeça de lista da UNITA apelou aos militantes para não aderirem a actos de intolerância política. Para ele as cores partidárias não devem separar ou desfazer o bom convívio entre irmãos da mesma Pátria. “A UNITA não quer a guerra, porque ela faz parte do passado”, afirmou Samakuva, que apelou ao resgate dos valores morais, solidariedade entre as pessoas, e amor ao próximo.
O presidente da UNITA prometeu também, caso ganhe as eleições, reactivar a indústria de ferro, ouro, e demais minerais existentes no país, para  proporcionar mais emprego no seio da juventude.
Isaías Samakuva e sua caravana foram recebidos na cidade do Huambo pelos membros do secretariado provincial do seu partido, mas antes inaugurou a  nova sede do partido na província.
Apesar da crença na vitória, a UNITA vai colocando dúvidas quanto à transparência do processo eleitoral. Nesta semana, o partido acusou a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) de estar a promover a abstenção, com a transferência, sem explicação, de um número considerável de eleitores dos locais em que devem votar para outros muito distantes das suas áreas de residência. A acusação foi feita na quarta-feira por Adalberto da Costa Júnior, ex-deputado e membro da comissão executiva do Comité Permanente da UNITA, durante uma conferência de imprensa que serviu para abordar aquilo que o maior partido na oposição considera serem os “riscos que ainda ameaçam a integridade e lisura dos resultados eleitorais”.
Adalberto da Costa Júnior, para quem a abstenção é prejudicial para o desejo de mudança que o seu partido pretende, exortou todos os eleitores a confirmarem antecipadamente o seu local de voto, devendo consultar as listas afixadas nos seus municípios ou enviarem uma mensagem para o número 40666, indicando o número do  cartão de eleitor, espaço e o número do grupo. “Ao receberem a indicação do local devem procurá-lo e confirmar o seu nome nas listas”, sublinhou.
Aos eleitores que não encontrem resposta, o político aconselhou a dirigirem-se à comissão municipal eleitoral a que pertencem ou então solicitar a ajuda junto de uma sede da UNITA mais próxima, para posterior encaminhamento do problema aos órgãos da CNE.
“Teremos o maior prazer de ajudar neste sentido”, assegurou o ex-deputado. Entre os riscos que, segundo a UNITA, ainda ameaçam a integridade e lisura dos resultados eleitorais, o partido aponta a designação e registo dos delegados de lista.  
Adalberto da Costa Júnior, que é novamente candidato a deputado, lembrou que este processo é regulado pela lei n.º 36/11 (Lei Orgânica sobre as Eleições), que estabelece que a designação cabe às formações políticas concorrentes e o credenciamento à CNE.

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