Política

Samakuva pede atenção para o Cuando Cubango

Carlos Paulino | Menongue

O presidente da UNITA solicitou ontem ao Executivo angolano a criação de um programa de intervenção especial para a província do Cuando Cubango, face às grandes dificuldades que a população enfrenta em termos de oferta dos principais serviços sociais básicos.

Presidente da UNITA visitou durante oito dias seis municípios do Cuando Cubango
Fotografia: Nicolau Vasco | Edições Novembro

Isaías Samakuva fez este apelo em Menongue, no final da sua visita de oito dias aos municípios de Mavinga, Rivungo, Dirico, Calai e Cuangar, para se inteirar da situação social e económica das populações destas localidades.
O líder do maior partido da oposição disse ter constatado que o Cuando Cubango continua a ser as “terras do fim do mundo e não do progresso”, porque a população carece de tudo, com realce para água potável, energia eléctrica, habitação, escolas, unidades sanitárias e medicamentos, para não falar das vias de acesso que se encontram em estado avançado de degradação e que constituem o principal empecilho para o desenvolvimento da província.
Para Samakuva, o Cuando Cubango continua a ser até agora a região do território nacional menos desenvolvida, visto que ainda existem muitas pessoas a viver sem o mínimo de condições. “Ur-ge a necessidade de o Executivo prestar uma atenção especial no seu verdadeiro sentido, para que a população deixe de viver em si-tuações bastante deploráveis”, defendeu.
A situação, segundo o político, é mais agravante para as populações que vivem nos municípios da orla fronteiriça, nomeadamente Rivungo, Dirico, Calai e Cuangar, que são  obrigadas a recorrer à Namíbia e à Zâmbia, sobretudo para assistência médica e medicamentosa, aquisição de bens de primeira necessidade e ensino.
Isaías Samakuva prometeu elaborar um relatório que vai espelhar tudo o que constatou e reproduzir cópias que vão ser entregues à Assembleia Nacional, ministérios da Acção Social, Família e Promoção da Família; Administração do Território e Reforma do Estado; Saúde; Educação, Energia e Águas; Ambiente e Interior, entre outros sectores.
“Pretendemos elaborar este relatório no sentido de ajudar estas instituições a tomarem medidas urgentes ou, pelo menos, a mandarem pessoas para constatarem aquilo que estamos a dizer, tendo em vista que as populações se queixaram das dificuldades e nós, na qualidade de partido da oposição, não temos capacidade para intervir, mas sim o Executivo”, esclareceu.
De acordo ainda com Samakuva, o modo como as populações do Cuando Cubango vivem e alimentam-se dá a entender que andam esquecidas. Durante a visita, o político chegou a questionar  se os responsáveis do governo local conhecem mesmo toda a extensão do território e se sabem do que se passa com os habitantes.
 “O país precisa de definir um novo rumo, para que os angolanos possam viver em condições”, defendeu o presidente da UNITA, para quem o que se tem feito até aqui são apenas remendos, ou seja, procurar realizar algumas acções casuísticas que não cobrem todo o país e nem todos os cidadãos.
Isaías Samakuva falou também da reconciliação nacional. Para ele, enquanto Angola não se reconciliar na totalidade e os angolanos não tiverem em consideração a necessidade da unidade nacional, o país não vai alcançar o desenvolvimento socioeconómico que tanto almeja.
“Não é em um dia que se muda as coisas, mas é necessário que, em um ano de go-vernação, o Presidente da República, João Lourenço, comece a demonstrar na prática que as condições de vida dos angolanos estão a melhorar, porque o que temos esta-do a ver ou a assistir é que a situação social e económica dos angolanos vai de mal a pior”, disse.
Isaías Samakuva lamentou o facto de registar-se ainda na província do Cuando Cubango um abate indiscriminado de animais selvagens. Disse ser “bastante notória” a extinção de várias espécies, razão pela qual  considerou que o Ministério do Ambiente e instituições afins devem tomar medidas, no sentido de se inverter o actual quadro preocupante.

Tempo

Multimédia