Política

Seca no sul de Angola pode beneficiar de ajuda do PAM

Matadi Makola|Roma

A embaixadora de Angola na Itália, Fátima Jardim, anunciou que o Programa Alimentar Mundial (PAM), com sede em Roma, manifestou a disponibilidade de apoiar o país no combate à seca que afecta a região sul, sugerindo experiências de outras zonas áridas de África, que podem ser objecto de adaptação à agricultura.

Fotografia: DR

Entrevistada pelo Jornal de Angola, em Roma, a embaixadora disse que esta ajuda se enquadra no âmbito da cooperação multilateral com as três agências especializadas da ONU (FAO, FIDA, PAM) e visam dar continuidade a acções que fomentem a capacidade do país no que diz respeito à redução da fome e desnutrição e promoção da segurança alimentar.
Tendo em conta as preocupações ligadas à educação comunitária e as alterações climáticas, a diplomata disse estar a trabalhar com a FAO para que o país possa beneficiar de assistência no quadro dos programas de educação ambiental das comunidades nas áreas rurais e do projecto de apoio aos camponeses na parte sul do país.
Recebida a 24 de Setembro último pelo Presidente da Itália, Sergio Mattarella, no acto formal da entrega das cartas que a acreditam como embaixadora, Fátima Jardim apontou que pretende trabalhar para a elevação dos níveis de cooperação económica e comercial a patamares das excelentes relações político-diplomáticas existentes.
“As bases estão lançadas para a diversificação da cooperação com a Itália, que, até aqui ainda tem maior incidência sobre o sector dos Petróleos e serviços institucionais. Angola está a empreender acções para a captação e atracção de investimentos, que podem criar empregos, aumentar a produção e facilitar a troca de experiências, principalmente, para a juventude, em sectores considerados prioritários pelo Executivo, como a agro-indústria, transportes, indústria, infra-estruturas, pescas e serviços”, precisou.

Dívida com a Itália
Fátima Jardim apontou a diplomacia económica como o principal foco de actuação, justificando que “o fenómeno da globalização, num mundo cada vez mais competitivo, a nova diplomacia económica não só pode promover crescimento e parcerias, envolver vários actores, desenvolver relações, mas também promover a integração regional e a convergência de interesses na consolidação e abertura de mercados, com a realização de feiras, fóruns e simpósios.”
Quanto à dívida e à consequente queda de negócios entre os dois países, apontou como causa a crise financeira e económica, resultante da baixa do preço do petróleo no mercado internacional, cujo impacto se tem reflectido na redução de moeda externa, que possibilite ao Governo fazer face aos seus compromissos.
“De todo o modo, o Executivo tem vindo a trabalhar no sentido de regularizar os atrasados da dívida. Estamos certos que, em relação à Itália, um país estratégico para nós, não será diferente. E, a breve trecho, as relações, principalmente no ramo empresarial, conhecerão uma nova dinâmica”, garantiu.
Fátima Jardim qualificou históricas e excelentes as relações entre os dois países, consolidadas com a visita do Presidente Sergio Mattarella, a primeira de um Chefe de Estado italiano a Angola, em Fevereiro.

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