Política

Sindicato reitera necessidade de apoio aos órgãos privados

Augusto Cuteta

O Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) reiterou a necessidade urgente de o Estado assumir efectivamente o apoio aos órgãos de comunicação social privados, no sentido de impedir que muitas dessas empresas do sector fechem as portas ou dispensem profissionais.

SG do Sindicato dos Jornalistas, Teixeira Cândido
Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro

O secretário-geral do SJA, Teixeira Cândido, que falava no termo do 14º conselho consultivo do Ministério da Comunicação Social, avançou que a organização tem estado a fazer uma advocacia pública da necessidade de o Estado acudir os órgãos de imprensa privados, mas lamenta a falta de sensibilidade do Executivo para este problema.

O sindicalista referiu que, nesta altura, em função da crise financeira que o país enfrenta, grande parte das empresas que publicitava na media cortou os investimentos na publicidade, que era o principal meio de financiamento dos órgãos privados.
Por causa disso, salientou, as empresas de comunicação social privadas entraram numa situação financeira bastante crítica, estando grande parte desses órgãos em vias de despedir funcionários, como é o caso do principal grupo privado de comunicação social do país, a Media Nova.
O secretário-geral do SJA lembrou que a Lei de Imprensa prevê que o Estado apoie a comunicação social. E, tendo em conta que o Executivo tem feito esforços para que outros sectores da economia possam ter a participação de investidores estrangeiros ou recebam apoio das autoridades, nem que seja na isenção fiscal ou em outros benefícios fiscais, disse “não fazer sentido que se esqueçam da media, que é um sector estruturante”. />Para o SJA, os participantes ao recém-terminado conselho consultivo do sector da Comunicação Social deviam reflectir numa estratégia urgente para acudir a actual situação que enferma a imprensa privada.
Noutra vertente, Teixeira Cândido salientou que o sindicato está igualmente preocupado com a questão dos instrumentos da carreira dentro dos órgãos públicos de comunicação social, que se discute desde o ano passado.
“Não é justo que alguém fique mais de 30 anos sem progredir na carreira, ainda que assumidamente as pessoas o reconheçam como competente”, lamentou o sindicalista.
O secretário-geral defende que a luta dos profissionais nos órgãos de comunicação social não pode estar focada para a chefia, daí a necessidade de todos serem melhor remunerados através da competência.
O jornalista destacou que a valorização, por meio da qualificação dos profissionais, é outra luta que o sindicato leva a cabo junto das autoridades governamentais, mas disse que quase que não tem havido grandes apoios da parte das empresas de comunicação social.
“Se quisermos um quadro empenhado, qualificado e que fique na empresa, o profissional tem de ser bem remunerado, valorizado e respeitado. Não temos dúvidas quanto a isso”, realçou o sindicalista.

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