Política

Situação no Lesoto analisada em cimeira

Os Chefes de Estado e de Governo da SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral) reúnem-se amanhã, sexta-feira, em Pretória, África do Sul, numa cimeira com carácter de urgência sobre o Lesoto.

Ministro das Relações Exteriores representa o Chefe de Estado na cimeira da comunidade
Fotografia: João Gomes | Edições Novembro


O encontro é antecedido de reuniões das chefias do Estado Maior das Forças Armadas, da Inteligência Militar e do Comité Ministerial do órgão de cooperação para as áreas de política, defesa e segurança.
Para representar Angola no encontro, está em Pretória o ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, na qualidade de enviado especial do Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, que assume a presidência do Órgão de Cooperação, Política, Defesa  e Segurança da SADC.
Foi na condição de representante do país que preside o Órgão de Cooperação, Política, Defesa  e Segurança da SADC que Georges Chikoti esteve reunido na terça-feira com o Chefe de Estado da África do Sul, Jacob Zuma, igualmente presidente em exercício da organização.
No encontro com Jacob Zuma, o enviado do Presidente angolano entregou um relatório sobre a crise política e militar no Reino do Lesoto, desencadeada pelo assassinato do comandante das Forças de Defesa, Khoantle Motsomotso.
Um comunicado do Ministério das Relações Exteriores informa que a Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da SADC prevê analisar, entre outros temas, as recomendações da missão de avaliação da troika do órgão que na semana passada trabalhou no Lesoto. O ministro Georges Chikoti considerou crítica a situação política no Lesoto, um país encravado na África do Sul, depois de avaliar com as autoridades locais, a situação política e militar.

Situação difícil
A situação política e militar no Lesoto deteriorou-se depois do assassinato, no dia 5 deste mês, do comandante da Força de Defesa. O general Khoantle Motsomotso e dois outros oficiais foram mortos, em Maseru, durante um tiroteio  numa caserna.
Os dois oficiais superiores tentaram entrar à força no gabinete do chefe do Estado-Maior, onde houve um tiroteio entre um dos seus cúmplices, que fugiu com os guarda-costas do comandante, explicou um responsável militar. O Lesoto tem uma longa história de instabilidade, ilustrada por golpes de Estado militares em 1986 e 1991, assim como várias tentativas de golpe, como a de 2014. Assolado pelo desemprego, uma epidemia do Sida que afecta 23 por cento da população de dois milhões de habitantes e uma falta gritante dos serviços públicos, é um dos países mais pobres do mundo.
O incidente aconteceu três meses após as eleições que levaram ao poder  Thomas Thabane, 78 anos, que regressou em Junho ao Governo, três anos após ter sido forçado a exilar-se na África do Sul, na sequência de um abortado golpe de Estado do Exército. Thomas Thabane regressou ao  país em 2015, para as eleições legislativas, tendo sido derrotado pelo seu antecessor, Pakathila Mosisili.

Presidência da Troika
Angola assumiu, em Agosto último, a presidência do Órgão de Política, Defesa e Segurança da SADC, em substituição da República Unida da Tanzânia. E foi nesta qualidade que Georges Chikoti se deslocou a Maseru, para chefiar a missão daquele órgão regional.
“O Lesoto vive uma situação de crise e nós fomos (para lá) porque o país é membro da SADC. A missão do órgão de defesa e segurança teve como objectivo avaliar os últimos acontecimentos e foi produzido um relatório que será entregue ao presidente da comunidade, que deverá convocar uma Cimeira da Troika para a tomada de decisões”, salientou Georges Chikoti.
O ministro das Relações Exteriores visitou o Comando das Forças de Defesa do Lesoto e reuniu-se com líderes políticos, religiosos e membros da representação do Órgão de Cooperação Política, Defesa e Segurança da SADC. Acompanha o ministro Georges Chikoti o embaixador Sandro de Oliveira e director do Ministério das Relações Exteriores da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral.

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