Política

Solução dos problemas precisa de mais tempo

João Dias | Mbanza Kongo

O Presidente da República, João Lourenço, reconheceu, em Mbanza Kongo, que o problema do baixo desenvolvimento, que afecta a província do Zaire, é uma realidade que se deve ter presente e não fingir que não existe, para que nos próximos 20 ou 30 anos não esteja mais na condição em que está hoje.

Presidente da República auscultou vários estratos sociais
Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro

Durante a auscultação aos jovens de várias plataformas, antigos combatentes e autoridades tradicionais, na noite de quinta-feira, na capital do antigo Reino do Kongo, o Presidente da República, ao responder às variadas e velhas questões sobre o baixo nível social e económico da província, limitou-se a concordar, mas deixou expresso que este é um problema que não afecta unicamente aquela província. 
“Quando se fala das assimetrias regionais, infelizmente, o Zaire está caído neste grupo de províncias, que por razões históricas e que radicam de um passado muito longínquo, acabaram por ficar pouco desenvolvidas”.
Para João Lourenço, é preciso corrigir, mas enfatiza que não se deve esperar que os resultados disso surjam de um dia para outro. “Isso vai levar tempo. Temos é de ter presente que o problema existe e não fechar os olhos e fingir, que se faça alguma coisa e daqui a 20 ou 30 anos o problema não seja o mesmo de hoje”, sublinhou o Titular do Poder Executivo, perante jovens que queriam respostas sobre as razões da persistência do que consideram “inércia social e económica”. 
Depois da auscultação, o Presidente da República recebeu em audiência o chefe da Corte Real, Afonso Mendes. Durante o encontro, aquela autoridade tradicional falou da necessidade da instalação de indústria transformadora na província e fábricas diversas, para não só atender o desenvolvimento do sector produtivo, mas também proporcionar a criação de empregos e, assim, gerar desenvolvimento social.

Água e energia

Relativamente aos problemas de água e electricidade, o Titular do Poder Executivo reconheceu que existem projectos parados, outros a andar lentamente e ainda outros em curso. “Vamos retomar os que estão parados, os que estão a andar lentamente devem ser retomados”, disse o Presidente da República, afirmando ser a energia e águas o sector que mais investimento recebeu na província do Zaire.
João Lourenço admitiu haver ainda muito por se fazer. Relativamente à energia, considerou que, em termos de produção e transportação, a província do Zaire não está mal. Porém, admitiu estar mal na conclusão da cadeia desde a produção, distribuição e entrega da energia ao consumidor, seja industrial ou domiciliar. No quadro da implantação do PIIM, lembrou que o objectivo é levar o desenvolvimento aos municípios.

Agricultura e indústria

Sobre a indústria na província do Zaire, com realce para fábrica de cimento, fosfato e refinaria, bem como a temática das universidades, novo aeroporto, máquinas e tractores para agricultura, vias de acesso, o Presidente sublinhou que o Estado priorizou a agricultura familiar, na qual o tractor, regra geral, não entra como uma das ferramentas, pois as famílias não têm tanta capacidade financeira para os adquirir.
Regra geral, disse, os tractores são mais usados pelos empresários que abraçaram este ramo, os fazendeiros. “Eles têm recursos”.
Sobre os tractores estacionados num parque em Mbanza Kongo, João Lourenço afirmou que por ser o Estado que os comprou, quem ficar com eles não terá de pagar a pronto pagamento, mas num prazo que possa facilitar-lhes a vida.
“Só para dizer que o Estado já não pode oferecer tractores, salvo raras excepções. Estes tractores fazem parte de uma reserva do Titular do Poder Executivo. Desta pequena reserva, vou mandar entregar alguns tractores. Mas, só alguns. Obviamente que não vou entregar a pessoas, mas a instituições”, esclareceu.
O Presidente sublinhou ainda que os antigos combatentes vão receber tais tractores a título gratuito. “Não vai chegar para todos, mas consultamos o ministro e disse-nos quantas cooperativas existem”, referiu.

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