Política

Testemunhas abonam em favor do ex-ministro Augusto Tomás

Gabriel Bunga

As testemunhas arroladas pelos advogados de defesa do ex-ministro dos Transportes, Augusto Tomás, no “Caso CNC”, em julgamento na Câmara Criminal do Tribunal Supremo, descreveram o réu, na generalidade, como um homem íntegro e profissionalmente competente.

A equipa, liderada por Ana Paula Godinho, indicou várias personalidades, entre elas alguns actuais e antigos ministros
Fotografia: Alberto Pedro | Edições Novembro

Os elogios ao comportamento do réu principal no julgamento, que apura desvios de fundos públicos no Conselho Nacional de Carregadores (CNC), foram feitos na sessão de ontem, na continuação da audição a testemunhas indicadas pelos advogados Ana Paula Godinho, Sérgio Raimundo e Zinho Baptista.

A equipa, liderada por Ana Paula Godinho, indicou várias personalidades, entre elas alguns actuais e antigos ministros, governadores e gestores de empresas públicas e privadas com relações com o CNC e o Ministério dos Transportes, à data dos factos dirigido por Augusto da Silva Tomás.
João Ernesto dos Santos foi o primeiro a ser chamado a dar o seu testemunho, na condição de ex-governador do Moxico, no período de 1991 a 2017. O ex-governador foi chamado a apresentar o seu testemunho sobre uma das graves acusações que pesam sobre Augusto Tomás, segundo as quais usava aviões privados para o cumprimento de missões públicas quando devia usar aviões de carreira.
João Ernesto dos Santos disse que, no tempo que foi governador, viu Augusto Tomás várias vezes viajar para a província em jactos privados em missão de serviço. O ex-governador do Moxico disse que “não se lembra do número exacto de viagens realizadas”, mas admitiu que foram várias. “É costume os membros do Governo deslocarem-se em voos privados fretados, desde que os custos operacionais estejam cabimentados no Orçamento Geral do Estado e pagos pelo Estado”, indicou. Questionado para descrever o comportamento do réu Augusto Tomás, a testemunha disse que, enquanto “camarada e colega”, conheceu-o faz muitos anos e que nunca ouviu nada de repreensivo contra Augusto Tomás no período que exerceu funções públicas.
O presidente da comissão executiva da TAAG, Rui Carreira, foi questionado se Augusto Tomás usava os serviços da companhia aérea nacional ao invés de aviões privados. Rui Carreira respondeu que nunca viu o ex-ministro usar os serviços da TAAG mesmo no período em que foi comandante, de 1984 a 2006, e, agora em funções executivas, não tem ideia de quantas entidades do Governo usam a TAAG em missões de serviço público.
Rui Carreira clarificou que o não uso dos voos da TAAG, por parte dos membros do Executivo, tem que ver com a programação da companhia de bandeira, que não é flexível com as agendas de altos funcionários do Estado e que, por isso, talvez o recurso seja a aviões privados. Rui Carreira disse que conhece Augusto Tomás como um “bom profissional” e que vai continuar a recordá-lo pelo seu lado positivo.
O director-geral da em-presa Best Fly, Nuno Pereira, disse que o actual estágio em que se encontra a avia-ção angolana deve-se ao ex-ministro dos Transportes. “Tenho prazer de conhecer Augusto Tomás, porque a aviação neste país deve muito a ele”, disse.
A Best Fly é uma empresa privada que presta serviços de aviação por frete a homens de negócios e membros do Governo. Nuno Pereira disse que Augusto Tomás sempre usou os serviços da Best Fly, através de aluguer de jactos para se deslocar dentro e fora do país.
O também piloto disse que já cumpriu missões com Augusto Tomás e lembrou dois momentos marcantes: “um dos momentos foi quando a Selecção do Togo foi atacada em Cabinda, na altura da realização do CAN/2010 em Angola, e que teve de se deslocar, à madrugada, de jacto, para Cabinda.”
O outro episódio, disse, ocorreu quando teve de se deslocar ao município do Luau (Moxico) com Augusto Tomás, à madrugada, para preparar a chegada dos Presidentes de Angola, República Democrática do Congo e da Zâmbia, na cerimónia de inauguração da estação de comboio dos Caminhos-de-Ferro de Benguela.
Nuno Pereira disse que a sua empresa presta serviço todos os dias a entidades do Governo, tais como ministros e governadores.
Segundo fonte do Tribunal, o julgamento do “Caso CNC” retoma no dia 30 deste mês com a apresentação das alegações do Ministério Público e dos advogados de defesa.

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