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Trabalho sustenta paz

Gabriel Bunga|

O secretário-geral da Central Geral de Sindicatos Independentes e Livres de Angola (CGSILA), Francisco Jacinto Gaspar, considerou ontem em Luanda que a relação entre patrões e trabalhadores em Angola melhorou nos últimos anos, quando em declarações ao Jornal de Angola falava do Dia Internacional do Trabalhador, que se assinala hoje em todo o mundo.

Dia Internacional do Trabalhador é comemorado hoje em todo o mundo com manifestações a favor da melhoria da relação entre empregadores e trabalhadores
Fotografia: Kindala Manuel

O MPLA instou ontem o Executivo a tomar “as medidas necessárias” para melhorar as condições salariais dos trabalhadores e as condições básicas para a melhoria de vida das suas famílias.
O comunicado do Bureau Político por ocasião do Dia Mundial do Trabalhador, que se assinala hoje, afirma que o MPLA considera os trabalhadores angolanos “obreiros da nova Angola, que devem ser constantemente valorizados”.
O Bureau Político do MPLA considera que, fruto do processo de globalização, “assiste-se hoje em Angola uma grande mobilidade internacional da força de trabalho, provocando um aumento da concorrência no mercado de emprego”.
O partido defende que sejam “aperfeiçoadas as medidas de política para que, a curto e médio prazo, os trabalhadores angolanos possam ocupar a maior parte dos postos de trabalho que exijam altas qualificações”.
O MPLA está convicto de que, “através da aplicação da Estratégia e do Plano Nacional de Formação de Quadros, o país terá cada vez mais homens e mulheres, tecnológica e cientificamente capazes para decisivamente contribuírem para o seu desenvolvimento, fazendo Angola crescer mais e distribuir melhor”, lê-se no documento.
O Bureau Político do MPLA envia uma “saudação solidária a todos os trabalhadores angolanos e faz votos de que mantenham acesa a chama do seu engajamento crescente nas tarefas de reconstrução e de desenvolvimento de Angola”. O MPLA estende igualmente a sua saudação a “todos os trabalhadores estrangeiros que, legalmente, trabalham em Angola, manifestando o seu profundo reconhecimento pela sua contribuição honesta à causa da reconstrução e do desenvolvimento do nosso país”.

Posição da UNITA

O grupo parlamentar da UNITA salienta num comunicado divulgado ontem a propósito do Dia Internacional dos Trabalhadores a importância da igualdade de oportunidades entre os angolanos, de salários justos e de segurança social garantida.
Aqueles deputados pedem ao Estado, ao patronato e à sociedade civil que façam da data um dia de reflexão para a procura de melhores soluções para os problemas dos trabalhadores angolanos.
No comunicado é reafirmado o desejo de aumento do salário mínimo nacional para 50 mil kwanzas e de eliminação da diferença do regime remuneratório entre trabalhadores angolanos e os estrangeiros.

Reacção dos sindicalistas


O secretário-geral da Central Geral de Sindicatos Independentes e Livres de Angola, Francisco Jacinto Gaspar, considerou ontem, em Luanda, que a relação entre patrões e trabalhadores em Angola melhorou nos últimos anos, quando falava em declarações ao Jornal de Angola em virtude do Dia Internacional do Trabalhador, que se assinala hoje em todo o mundo.
Francisco Gaspar disse que o estado actual dos trabalhadores angolanos é “melindroso”, apesar de algumas melhorias que se registam. O líder sindical disse que ainda há muitos aspectos nos sectores público e privado que precisam de ser melhorados para que o trabalhador angolano se sinta realizado. O secretário-geral da Central Geral de Sindicatos Independentes e Livres de Angola (CGSILA) sublinhou que é no âmbito das relações humanas que se notam melhorias entre empregadores e trabalhadores. A relativa melhoria que se regista, sublinhou, é fruto de várias campanhas que os sindicatos e o Executivo realizam nas empresas públicas e privadas, fruto da estabilidade que o país vive depois do alcance da paz em 2002.
Francisco Gaspar disse que o assédio sexual está a preocupar as trabalhadoras angolanas: “há muitos casos de assédio sexual nos sectores público e privado”. E acrescentou que o combate a este mal depende de toda a sociedade e dos empregadores. O sindicalista afirmou que os salários ainda são baixos e o custo de vida continua a aumentar. Algumas empresas de construção civil, disse, continuam a violar as regras de segurança no local de trabalho e muitas destas empresas ainda não seguram os seus trabalhadores contra acidentes e doenças profissionais.
Os trabalhadores da União Nacional dos Trabalhadores Angolanos (UNTA), CGSILA e a Força Sindical Angolana vão assinalar a data com uma marcha. A manifestação vai partir da Alameda Manuel Van-Dúnem até ao Largo da Família. A data é assinalada sob o lema “Trabalhadores Unidos, Direitos Conquistados”. Os trabalhadores vão concentrar-se de acordo com os ramos de actividade e vão lançar palavras de ordem com animação. O Dia Internacional do Trabalhador surgiu em 1886, na sequência do assassinato em massa de milhares de trabalhadores que revidicaram melhores condições.

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