Política

Tristeza na hora do adeus ao general Kundi Paihama

Arão Martins | Quipungo

O corpo do general Kundi Paihama, falecido, sexta-feira, em Luanda, vítima de doença, repousa, desde ontem, no Cemitério de Kututula, na sede municipal de Quipungo, 120 quilómetros a leste da cidade do Lubango, província da Huíla.

No funeral de Kundi Paihama, foram lidas mensagens de condolências do Presidente da República e do líder do Parlamento
Fotografia: Arão Martins | Edições Novembro | Quipungo

Dor, tristeza e muita consternação marcaram o último adeus ao nacionalista, patriota de convicções, militar, político, governante, religioso e combatente pela liberdade.

Baptizado em Dezembro de 2012, na Igreja Evangélica Sinodal de Angola (IESA), Kundi Paihama foi sepultado num ambiente de cânticos. Na homilia, o reverendo Diniz Marcolino, presidente da IESA, disse que o general “morreu cristão”.
No funeral, foram observadas as medidas de biossegurança, recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), devido à pandemia da Covid-19.

O elogio fúnebre foi feito pelo general Pedro Neto. Ao referir-se à trajectória política do ex-governante, o membro do Bureau Político do MPLA ressaltou que, desde muito cedo, Kundi Paihama abraçou a causa do povo angolano, no período de grande fervor revolucionário, integrando-se, de forma abnegada, na luta de libertação nacional e na defesa da integridade territorial.
Pedro Neto afirmou que Kundi Paihama notabilizando-se como um político de carreira notável e exímio mobilizador de massas, daí que, em alguns círculos, ficou conhecido por kota “Dikelengo”. Kundi Paihama, acrescentou, deixou obras visíveis nas províncias onde trabalhou: Cunene, Huíla, Namibe, Cunene, Luanda e Huambo.

“Kundi Paihama era um homem determinado, virtuoso e voltado às causas da Nação, militar destemido e governante exigente. Demostrou sempre coragem, fé, bravura e força moral em tempo de adversidades, incentivando a lutar até à vitória final”, sublinhou.

“Foste um verdadeiro exemplo de integridade, de solidariedade, simplicidade, humildade e dedicação à causa da Pátria. Uma das marcas da tua personalidade era a intolerância para com os cobardes e oportunistas”, sublinhou Pedro Neto, olhando para a urna. Pedro Neto lamentou o facto de Kundi Paihama ter perdido a vida justamente numa altura em que mostrava sinais de recuperação.

“Fomos surpreendidos pelo trágico acontecimento que nos abalou profundamente, mantém-nos irremediavelmente incrédulos e provocou um desequilíbrio momentâneo em todos nós, familiares, amigos, companheiros de armas, colegas de trabalho, camaradas de luta e adversários de ontem”, disse.


O general lembrou que, infelizmente, “a morte é inevitável e imprevisível” e alcança qualquer um quando menos se espera.
Kundi Paihama deixa viúva, Claudina Justino Canganjo, e 13 filhos. Pedro Neto disse acreditar que o general vai ser lembrado como homem de estatura invulgar que deixa um legado para as gerações vindouras.
No local, foram lidas as mensagens de condolências do Presidente da República, João Lourenço, do líder do Parlamento, Fernando Dias dos Santos, da FESA, da família e outras.

Antes do funeral restrito, devido à pandemia da Covid-19, foi realizado um acto, no pátio da Administração Municipal de Quipungo, no qual foi respeitado o distanciamento físico e obrigatório o uso de máscara.

Mais quatro generais na família

Kundi Paihama foi membro de uma família integrada por mais quatro generais: Tranquedo, Joaquim Tchiloia, Mirada e Hamuti. O tenente-general Joaquim Guilherme Tchiloia, irmão mais novo de Kundi Paihama disse que partiu um homem com dimensão incomparável.
“Não há forças capazes de conter a dor de perder e separar-se daquele que foi o pilar principal da família”, afirmou o tenente-general.
Joaquim Tchiloia falou de Kundi Paihama como soldado, cabo de guerra, estratega e político. “Ele foi a minha inspiração, tanto do ponto de vista da estratégia militar, como política e líder familiar”, afirmou.

Kundi Paihama, o mais velho do grupo de generais, é o primeiro a deixar o mundo dos vivos. Joaquim Tchiloia considera que ele deixa um legado que deve ser preservado.
“O general Kundi Paihama não morreu, desapareceu fisicamente, mas estará sempre vivo nas nossas memórias”, afirmou o irmão mais novo, que disse ter recebido o testemunho do mais velho.

Agradecimento ao apoio do PR

O tenente-general Joaquim Guilherme Tchiloia agradeceu, em nome da família, todo o apoio do Presidente da República, João Lourenço, e do seu Executivo, a Kundi Paihama durante as diversas fases da vida, até à morte.
O agradecimento, disse, é extensivo aos generais, oficiais superiores e capitãs, subalternos e trabalhadores civis das Forças Armadas Angolanas (FAA), à Assembleia Nacional e outros órgãos, pelo encorajamento e carinho à família.

“Apesar do momento difícil, estamos felizes pelo reconhecimento (manifestado), a vários níveis, pelos feitos do general Kundi Paihama”, reconheceu Joaquim Tchiloia.
A administradora de Quipungo, Amélia Casimiro, informou que, até Dezembro, decorrem naquele município da Huíla, jornadas para abordar a vida e obra do general Kundi Paihama, como militar, ministro e governador provincial. O objectivo, disse, é dar a conhecer os seus feitos à juventude do município.

“Uma figura incontornável”

O general Armando da Cruz Neto, antigo chefe do Estado Maior General das Forças Armadas Angolanas, considerou que o país perdeu “uma figura incontornável”.
“Foi uma pessoa que cumpriu com zelo, profissionalismo e dedicação todas as missões que lhe foram atribuídas. Perdemos um grande patriota”, disse.

Armando da Cruz Neto afirmou, ainda, que Kundi Paihama deixa ensinamentos às actuais e futuras gerações, sobretudo o cumprimento do dever.
O também antigo governador provincial de Benguela considerou que a História vai encarregar-se de reconhecer os feitos de Kundi Paihama.
“Temos que seguir apenas os ensinamentos que deixou como patriota, militar e pai, fundamentalmente”, disse.

Armando da Cruz Neto salientou que trabalhou com Kundi Paihama em várias locais, como no Ministério da Defesa Nacional e na província do Cunene. “Fizemos boa dupla com o malogrado, no Cunene. Os longos anos de convivência trazem-me muitas recordações”, lembrou.
Kundi Paihama nasceu a 12 de Dezembro de 1944, no município do Quipungo, província da Huíla. Fez os estudos primários na cidade do Lubango e os cursos gerais dos liceus nas províncias da Huíla e Luanda. Morreu nesta última cidade, vítima de doença.





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