Política

Último adeus a Maria Mambo Café

Kumuênho da Rosa |

Os restos mortais de Maria Mambo Café, heroína da luta de libertação nacional e primeira mulher a assumir funções no Governo da Angola independente, foram a enterrar ontem à tarde no cemitério do Alto das Cruzes em Luanda.

Titulares dos órgãos de soberania do Estado e familiares renderam a derradeira e merecida homenagem a Maria Mambo Café
Fotografia: Rogério Tuti

O acto teve a presença dos titulares dos órgãos de soberania do Estado, familiares e antigos combatentes.
A antiga ministra, deputada e dirigente política foi homenageada na sede da Assembleia Nacional, por antigos companheiros de luta de libertação e altas figuras do Estado. Na Igreja Metodista Central foi feito um culto em sua memória.

Perda irreparável


Para Julião Mateus Paulo Dino Matrosse, a morte de Maria Mambo Café representa uma “perda irreparável” para Angola. “A camarada Maria Mambo Café entregou-se de corpo e alma desde a sua juventude à luta de libertação nacional, nas fileiras do MPLA. Deu o seu melhor contributo para que o povo angolano se libertasse”, disse o secretário-geral do MPLA.
Virgílio de Fontes Pereira, presidente da bancada parlamentar do MPLA, considerou Maria Mambo Café “uma grande nacionalista, militante activa e uma patriota, que conseguia cultivar um grande espírito de harmonia”. Virgílio de Fontes Pereira sublinhou que o saber ouvir e dar conselhos era uma das grandes virtudes de Maria Mambo Café. “Ela tinha uma capacidade extraordinária de juntar as pessoas e fazer-se ouvir. Eu aprendi muito com a tia Mambo, como a tratávamos no Bureau Político. Perdemos uma das maiores figuras da vida política angolana”, frisou o deputado. Afonso Van-Dúnem Mbinda, secretário para as Relações Internacionais do MPLA, disse ao Jornal de Angola que Maria Mambo Café “ainda tinha muito para dar” pela causa do povo angolano.
 “Ela deixa-nos um grande legado, que nos mostra que devemos continuar a luta pelo bem-estar do povo angolano, pelo reforço das estruturas do MPLA e pelos objectivos que sempre nortearam o pensamento dessa grande camarada”, disse. O dirigente do MPLA recordou os tempos em que partilharam caminhos na juventude: “fazíamos parte do primeiro grupo que foi para a União Soviética, ela visitava-nos bastantes vezes na escola em Moscovo”, contou.
Afonso Van-Dúnem Mbinda recordou também a participação de Maria Mambo Café num grupo juntamente com o Presidente José Eduardo dos Santos, Brito Sozinho, Mário Santiago e outros camaradas: “eles formaram um conjunto para entoar as primeiras canções revolucionárias no exterior que hoje conhecemos e que foram um grande contributo para a mobilização da juventude angolana”. Maria Mambo Café atingiu uma grande dimensão apartidária, referiu Lucas Ngonda. O líder da FNLA sublinhou que embora pertencessem a sensibilidades políticas diferentes, “é impossível ignorar a sua grandeza e a coragem política. Conheci-a desde a minha juventude, na Missão Protestante e foi uma das raras jovens angolanas daquele tempo com uma coragem política extraordinária”, disse o deputado.
O deputado André Gaspar Mendes de Carvalho, da CASA-CE, disse à reportagem do Jornal de Angola que a morte de Maria Mambo Café foi uma grande perda: “rendi a minha homenagem a uma nacionalista, uma patriota que deu uma participação valiosa à etapa da nossa História mais sofrida e mais gloriosa, como foi a luta de libertação nacional. Por isso ficamos mais pobres com o seu desaparecimento”, referiu.
Para o governador de Luanda, Bento Bento, Maria Mambo Café foi um dos “expoentes mais brilhantes” da participação da mulher na luta de libertação nacional. “Ela foi uma das primeiras mulheres a integrar o Governo de Angola, após a independência, depois de participar em todas as fases da luta de libertação nacional”, recordou Bento Bento.

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