Política

Unicef alerta para perigos na utilização da Internet

Um relatório do UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) lançado ontem em Nova Iorque revela que, apesar de ter sido projectada para adultos, a internet é cada vez mais utilizada por crianças e jovens e que os predadores podem facilmente entrar em contacto com os pequenos inocentes através de perfis sociais e fóruns de jogos anónimos e desprotegidos.

Tecnologias de informação e comunicação estão a intensificar os tradicionais riscos infantis
Fotografia: Dombele Bernardo | Edições Novembro

O relatório destaca que as tecnologias de informação e comunicação estão a intensificar os tradicionais riscos infantis, como o bullying, e estão também a alimentar novas formas de abuso e exploração de crianças, tais como o abuso sexual material e a sua transmissão em directo.
O relatório destaca que o digital divide e explora os debates actuais sobre o impacto da internet e redes sociais na segurança e bem-estar das crianças e que a tecnologia digital afecta cada vez mais as suas vidas e futuros. “Para o melhor e o pior, a tecnologia digital é agora um facto irreversível nas nossas vidas”, disse o director executivo do UNICEF, Anthony Lake. “Num mundo digital, o nosso duplo desafio é agora mitigar os riscos e ao mesmo tempo maximizar os benefícios da internet para todas as crianças.”

Exclusão digital
Com o tema “UNICEF: Tornar o mundo virtual mais seguro para as crianças, aumentando o acesso online para beneficiar os mais desfavorecidos”, o relatório indica que o acesso digital está a tornar-se na nova linha divisória, pois milhões de crianças que poderiam estar a beneficiar da tecnologia digital estão a perder a oportunidade. Cerca de 29 por cento dos jovens em todo o mundo (perto de 346 milhões de indivíduos) não estão online. Os jovens africanos são os menos ligados à rede. Cerca de 60 por cento não estão online comparando com apenas 4 por cento na Europa. A exclusão digital vai para além da questão do acesso. As crianças que dependem de telefones móveis em vez de computadores, conseguem ter apenas uma segunda melhor experiência online, e aqueles que carecem de capacidades digitais ou falam línguas minoritárias geralmente não encontram conteúdos relevantes online.
A exclusão digital reflecte também as disparidades económicas, amplificando as vantagens de crianças provenientes de meios mais ricos sendo incapaz de oferecer oportunidades às crianças mais pobres e desfavorecidas. “As políticas, práticas e produtos digitais deveriam reflectir melhor as necessidades, perspectivas e vozes das crianças”, diz Lake. 
O relatório explora os benefícios que a tecnologia digital pode oferecer às crianças mais desfavorecidas, inclusive aquelas que crescem em situação de pobreza ou que são afectadas por emergências humanitárias. Entre outros benefícios, encontram-se, o aumento do acesso à informação, o desenvolvimento de capacidades para o local de trabalho digital, e a oferta de uma plataforma também para se conectarem e comunicarem os seus pontos de vista. O mesmo relatório argumenta que os governos e o sector privado não acompanharam o ritmo desta mudança, expondo as crianças a novos riscos e perigos e deixando para trás milhões de crianças desfavorecidas.          
A situação Mundial da Infância 2017 conclui com seis acções prioritárias para potenciar o poder da digitalização e ao mesmo tempo beneficiar as crianças mais desfavorecidas e limitar danos aos mais vulneráveis. Entre as acções constam medidas para fornecer a todas as crianças um acesso mais económico a recursos online de alta qualidade, proteger as crianças dos perigos online, incluindo abusos, exploração, tráfico, assédio virtual (cyberbulismo) a exposição a materiais inapropriados e salvaguardar a privacidade das crianças e suas identidades online.
Outro aspecto tem a ver com a necessidade de ensinar literacia digital para manter as crianças informadas, envolvidas e seguras enquanto online e utilizar o poder do sector privado para promover padrões e práticas para proteger e beneficiar as crianças online.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (em inglês United Nations Children\'s Fund - UNICEF) é um órgão das Nações Unidas que tem como objectivo promover a defesa dos direitos das crianças, ajudar a dar resposta às suas necessidades e contribuir para o seu desenvolvimento.

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