Política

UNITA acredita em eleições autárquicas ainda neste ano

A UNITA acredita na realização das primeiras eleições autárquicas do país ainda no ano em curso, não obstante o momento difícil que o mundo enfrenta devido ao novo coronavírus (Covid-19) que já provocou duas vítimas mortais em Angola.

Adalberto Costa Júnior, líder do maior partido da oposição
Fotografia: DR

Numa declaração alusiva ao Dia da Paz e da Reconciliação Nacional, assinalado ontem, o Comité Permanente da Comissão Política da UNITA reafirma a sua determinação de contribuir positivamente para o aprofundamento da democracia.
Na óptica do órgão de cúpula do maior partido da oposição, o aprofundamento da democracia tem por epílogo a institucionalização e funcionamento das autarquias, em todo o território nacional e em simultâneo este ano de 2020, de acordo com os compromissos assumidos, apesar do leque dos desafios políticos, económicos e sociais, nacionais e internacionais do momento, agravados pela crise da Covid-19.
A UNITA, de acordo ainda com o documento, também quer contribuir para aquilo que considera serem as “reformas necessárias” à Constituição da República, como respaldo das reformas económicas e institucionais; para a plena conclusão da reconciliação nacional; o “combate universal e imparcial” à corrupção e aos males à ela conexos; bem como participar no combate à Covid-19, tal como ficou expresso no comunicado da reunião extraordinária do Comité Permanente da Comissão Política, realizada na quinta-feira. “A UNITA acredita na virtude do diálogo como forma suprema de solução dos problemas dos homens. Assim, exprime, mais uma vez, que, tal como em Bicesse em Maio de 1991, em Lusaka em Novembro de 1994, no Luena em Março de 2002, em Luanda em Abril e Dezembro de 2002, está disposta e pronta para dialogar com todos os parceiros nacionais, para decantar as melhores soluções para os grandes problemas que Angola e os angolanos devem enfrentar. Tal é o caso da verdadeira reconciliação nacional e o lugar de Angola no mundo que se vislumbra”, lê-se na declaração do partido.

Partido fala em “balanço mitigado” dos últimos 18 anos

O Comité Permanente da Comissão Política da UNITA considera que, volvidos 18 anos de Paz em Angola, “o balanço é mitigado”, pois o país vive uma grave crise económico-financeira e social de que não se tem memória.
Numa declaração por ocasião do 18º aniversário do Dia da Paz e reconciliação Nacional, assinalado ontem, o órgão de cúpula do maior partido da oposição considera que a grave crise a que faz alusão é caracterizada pelo aumento da pobreza, do índice de desemprego com ênfase na juventude em idade activa e na subida vertiginosa dos preços da cesta básica.
A segunda maior força política no país aponta ainda a desvalorização da moeda e a consequente perda do poder de compra dos trabalhadores, a corrupção endémica e sistemática, a degradação dos valores morais e cívicos e o abuso e violação dos direitos humanos, como outros sinais da crise que o país vive.
Um dos signatários dos acordos para a Paz efectiva em Angola, a UNITA considera que cumpriu cabalmente o que lhe competia no quadro dos acordos, tendo destacado a sua completa e definitiva desmilitarização, o total desarmamento das suas ex-forças armadas e a incorporação dos efectivos, a vários níveis, nas Forças Armadas Angolanas (FAA) e Polícia Nacional, bem como a transformação em partido político democrático, à luz do manifesto de fundação.
A UNITA sublinha que jamais abdicará da sua responsabilidade de dialogar, de forma aturada e permanente, para que sejam cumpridos, pelo Governo, os pendentes dos Acordos de Paz, nomeadamente a conclusão do processo de desmobilização e inserção social dos ex-combatentes e a devolução, à UNITA, do seu património material.
Relativamente ao 4 de Abril, o Comité Permanente da Comissão Política da UNITA verga-se, em homenagem patriótica, à memória de todos os filhos de Angola que ao longo da sua História pagaram com as suas vidas o preço da conquista da Paz. “A todos eles vai o nosso compromisso de honra de que a Pátria jamais os esquecerá e que os seus nomes figuram no Panteão da Glória”, declara o partido liderado por Adalberto Costa Júnior.
Para o maior partido da oposição, a assinatura do Memorando de Entendimento Complementar do Luena constituiu-se num momento e num quadro das melhores expectativas para os angolanos, individual e colectivamente em todos os segmentos sociais, culturais, económicos, políticos e espirituais.

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