Política

UNITA acusa autoridades pelas mortes no Cuango

Fonseca Bengui |

O grupo parlamentar da UNITA considerou, na terça-feira, que a situação actual vivida no município do Cuango, província da Lunda-Norte, que enfrenta um surto de malária, "é o resultado de uma governação irresponsável, uma governação sem norte e sem projectos sociais coerentes".

 

Adalberto da Costa Júnior disse que o propósito foi lançar um alerta para uma reacção urgente das autoridades
Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro

"Há efectivamente uma doença com sintomas de malária a matar de cinco a 12 crianças por dia", refere um relatório elaborado após a visita efectuada por uma delegação parlamentar da UNITA  à Lunda-Norte, na sequência de denúncias de uma alegada epidemia que estava a vitimar maioritariamente crianças, na vila de Cafunfo, município do Cuango.
A doença, acrescenta o documento, apresentado   pelo presidente do grupo parlamentar, Adalberto Costa Júnior, torna-se estranha na medida em que "actua de maneira muito rápida levando à morte as suas vítimas".
A título de exemplo, segundo os parlamentares da UNITA, que visitaram a Lunda-Norte entre os dias 26 e 29 de Novembro, de 1 de Setembro a 29 de Novembro deste ano terão perecido 1.080 crianças, dos zero aos 17 anos.
"A ausência de políticas públicas contextualizadas e a omissão das autoridades locais (desde o Governo provincial ao municipal) contribuíram para a degradação do sistema de saúde que hoje tem, como consequência, o elevado número de mortes, fruto da negligência e da incompetência dos governantes que permitiu o acumular de lixo e a progressão de ravinas para níveis assustadores", refere o documento.
A UNITA disse que a população, na localidade de Cafunfo, consome  água imprópria, além de haver  ausência de saneamento básico. "Para todos os problemas que a população enfrenta, não existe uma acção governativa pontual, com a finalidade de trazer soluções", refere  o documento.
A delegação parlamentar da UNITA, integrada pelos deputados Joaquim Nafoia e Clarisse Mukinda, visitou o hospital de Cafunfo e o cemitério local e manteve encontros com responsáveis da saúde, autoridades tradicionais e representantes de organizações religiosas e da sociedade civil.
Os parlamentares informaram que "diante da angústia da população, as autoridades governamentais resolveram esconder, de forma criminosa, a epidemia e as mortes de crianças com o único objectivo de se manter no poder". No  entender dos parlamentares, os governantes da Lunda-Norte escondem o número real de óbitos hospitalares e ignoram as mortes extra-hospitalares. "São insensíveis ao sofrimento da população e são hostis a quem denuncia a situação deplorável a que a população de Cafunfo se vê exposta", referem.
Da visita às estações de captação de água dos rios Bundo, Nossa, Candanji e Cambamba, a comitiva revelou ter ficado "chocada" com o estado dos rios e a qualidade da água que a população consome. "A água que a população de Cafunfo consome é acastanhada e pode estar contaminada, já que no cimo das respectivas nascentes se situam lixeiras gigantes", refere o relatório.
O documento descreve também a visitas a três ravinas na localidade, que no entender dos parlamentares, "constituem uma verdadeira ameaça para as populações do Cafunfo" e refere que muitas famílias foram forçadas a abandonar as suas casas devido à ameaça da erosão dos solos.
A delegação manteve um encontro com representantes do Núcleo do Instituto de Desenvolvimento e Democracia (IDD), que informou do que considera "condições sub-humanas" em que a população local vive.
Da visita ao cemitério local, os deputados dizem que a imagem e extensão das campas novas "é assustadora". "A imagem assemelha-se ao de uma lavra de plantação de mandioca, recentemente preparada".
Das constatações feitas, a UNITA recomenda a reabilitação urgente do hospital regional, a requalificação da vila de Cafunfo, alocação de meios à administração municipal do Cuango para a recolha do lixo e saneamento básico, combate e estancamento de ravinas, reflorestamento e arborização da vila e áreas adjacentes, bem como o estancamento de desvios e devastação de rios, sobretudo do rio Cuango, e campanha de educação cívica   permanente.
Segundo Adalberto Costa Júnior, o propósito do Grupo Grupo parlamentar da UNITA foi para fazer um alerta que permitisse uma reacção urgente da parte das autoridades.

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