UNITA diz faltarem condições para as eleições

Bernardino Manje |
21 de Abril, 2017

Numa altura em que se aguarda pela convocação das próximas eleições gerais, previstas para Agosto deste ano, a UNITA considera que ainda não estão criadas as condições para a realização das mesmas.

A afirmação foi feita ontem, em Luanda, pelo secretário para os Assuntos Eleitorais do partido, Vitorino Nhany, durante uma conferência de imprensa sobre a evolução do processo eleitoral.
“As eleições podem ser convocadas para Agosto, mas é necessário que a CNE cumpra com o que está legislado, tanto na Lei n.º 36/11, de 21 de Dezembro, como na Lei n.º 12/12, sobre a Organização e Funcionamento da Comissão Nacional Eleitoral. O que nós queremos é que a Comissão Nacional Eleitoral atenda àquilo que está consagrado na lei. Não é a UNITA que está a exigir, é a lei”, disse Vitorino Nhany.
O dirigente do maior partido na oposição afirmou que, se a CNE cumprir todos os pressupostos consagrados na lei, estarão criadas as condições para os angolanos irem às urnas no mês de Agosto. “Se isso não se cumprir, honestamente, estaremos a caminhar para a linha vermelha”, declarou. O político não deixou claro se a UNITA avançava ou não para as eleições, caso as suas preocupações não sejam atendidas, mas garantiu que o partido não vai continuar no processo de preparação do pleito, caso não sejam atendidas as suas preocupações. “A questão que se coloca não é se a UNITA avança ou não. Ela está neste processo, portanto é parte dele. O que interessa é que o titular do poder político, o povo, sinta que há boa fé ou vontade de se poder conduzir o processo sem manchas, até porque já passámos por situações difíceis, sobretudo (nas eleições) em 2008 e 2012”, começou por dizer Vitorino Nhany.
O secretário para os Assuntos Eleitorais da UNITA comparou o processo eleitoral em curso com um bolo envenenado. “Neste preciso momento, achamos que o bolo está envenenado. E uma pessoa consciente não vai avançar (comer) para um bolo envenenado”, afirmou Nhany, para quem é preciso que se corrija aquilo que considera serem os erros constantes no Ficheiro Informático dos Cidadãos Maiores, para que haja transparência. Vitorino Nhany disse ser, por isso, que a UNITA insiste na realização de uma auditoria independente ao referido ficheiro. Entre os erros que a UNITA diz ter registado no processo eleitoral aponta a inclusão dos duplos registos na base de dados. Outra questão tem a ver com supostos cidadãos que possuem o mesmo número de cartão de eleitoral de outros cidadãos.  “É preciso que se faça uma limpeza para termos um ficheiro completamente purificado, a fim de podermos ir para as eleições e dizermos que o partido que ganhar ganhou porque o povo depositou vontade nele. E isso só será possível com a auditoria”, sustentou.
A UNITA ameaça realizar manifestações, caso o seu desejo de ser realizada uma auditoria ao ficheironão seja satisfeito. “Já fizemos duas cartas à CNE, tivemos um encontro com o Presidente da Assembleia Nacional. Esperamos que tenhamos outros encontros para podermos discutir assuntos de interesse nacional. Se tudo isso não for cumprido, vamos ter de recorrer à Constituição. O artigo 47.º (sobre a liberdade de reunião e de manifestação) tem uma resposta a dar para situações do género”, afirmou Vitorino Nhany.

capa do dia

Get Adobe Flash player



ARTIGOS

MULTIMÉDIA