Política

UNITA promete maior controlo da actividade do Governo

Garrido Fragoso

A actividade política da UNITA este ano vai centrar-se, essencialmente, no controlo e fiscalização da actividade do Executivo, consciencialização dos cidadãos para o exercício do poder autárquico, realização do XIII Congresso  e consagração da memória do fundador do partido, Jonas Savimbi.

Isaías Samakuva anunciou propostas de lei sobre autarquias
Fotografia: João Gomes| Edições Novembro

O facto foi anunciado ontem, em Luanda, pelo presidente da UNITA, Isaías Samakuva, durante a conferência de imprensa que marcou a abertura  das actividades políticas do partido para 2019, na sede da presidência da maior organização política da oposição no país.
Em relação ao controlo da actividade do Executivo, Isaías Samakuva disse que a UNITA vai responder, de forma positiva, ao desejo manifestado pelo Presidente João Lourenço, de ver os actos de governação fiscalizados por um Parlamento mais actuante, que exprima a vontade soberana do povo. “Criaremos novos espaços de diálogo e de intervenção para tornar mais eficaz o controlo e fiscalização da execução do OGE, do Plano de Desenvolvimento Nacional  e do programa de assistência do Fundo Monetário Internacional(FMI)”, salientou.
Segundo o líder da UNITA, Angola precisa de “resgatar os dinheiros roubados”. Isaías Samakuva defendeu ainda o direito dos angolanos exercerem o poder autárquico em todos os municípios.
Perante dezenas de jornalistas de diferentes órgãos de comunicação social, Isaías Samakuva disse que em cerca de um ano “os angolanos ficaram mais pobres”, salientando que os preços dos serviços e produtos aumentaram de forma significativa, com o salário a perder constantemente o poder de compra. “A situação económica de crise  que afecta as famílias angolanas não se resolve com meia dúzia de prisões mediáticas  nem com medidas de marketing político”, alertou o político.
Isaías Samakuva manifestou-se preocupado com o crescimento da  “criminalidade violenta” no país, e exigiu que o Executivo informe, com regularidade, aos angolanos sobre os progressos obtidos  no combate à  corrupção financeira e institucional.  
A UNITA garante ainda que neste e no próximo mês vai introduzir no Parlamento as propostas de lei para a institucionalização das autarquias, com os aperfeiçoamentos decorrentes da sua carta sobre Autonomia Local  recentemente aprovada.  “Vamos explicar aos cidadãos  por que é que nenhum Governo, nenhu-ma maioria parlamentar pode coarctar, condicionar ou limitar o direito que to-dos os angolanos têm de exercer o poder autárquico no município onde residem”, afirmou.
Segundo Samakuva, o XIII Congresso da UNITA deverá ocorrer na segunda metade deste ano, para orientar a dinamização da actividade partidária e contribuir para a consolidação do sistema democrático e a estabilidade política do país.
O líder da UNITA justificou a consagração deste ano à memória do líder fundador do partido, Jonas Savimbi, pelo facto de o mesmo, a exemplo de Agostinho Neto e Holden Roberto,  nunca ter hipotecado o futuro do país, nem utilizado os recursos de todos os angolanos para enriquecimento  pessoal ou dos filhos. 

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