Política

Visita de António Costa normaliza o intercâmbio

O ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, admitiu que as relações entre Angola e Portugal retomam o seu curso normal, com a visita, nos dias 17 e 18 de Setembro, do Primeiro-ministro luso, António Costa.

Ministro das Relações Exteriores acertou em Lisboa agenda da visita do PM luso
Fotografia: João Gomes | Edições Novembro

Manuel Augusto, em entrevista ao jornal português Expresso, indicou que “há o desejo de ambas as partes trabalharem no sentido do seu reforço permanente, o que decorre não só da von-
tade dos governos, como da obrigação que eles têm de cumprir com o desejo de ambos os povos”.
O ministro das Relações Exteriores, que trabalhou em Lisboa para acertar a agenda do chefe do Governo português a Angola, referiu que os dois governos estão a retomar os canais que “vão levar ao reforço das relações, mas, em primeiro, à visita muito esperada do Primeiro-ministro português a Angola”.
Questionado por que durou tanto tempo a normalização das relações entre os dois países, Manuel Augusto afirmou que “numa relação entre Estados, o tempo que este período menos bom levou não foi assim tão longo”.
O ministro lembrou que foi no ano passado que os dois governos entenderam que era preciso fazer esforço para ultrapassar o mau ambiente criado com o processo judicial a Manuel Vicente. “Nós só congelamos os encontros e entendimentos ao mais alto nível. Mas Portugal e Angola não deixaram de trabalhar o principal sector, o económico”, referiu.
Manuel Augusto esclareceu que não houve corte de relações. “Pelo contrário, registaram-se dois encontros entre o Presidente angolano, João Lourenço, e o Primeiro-ministro português, António Costa, em Zurique (Suíça), à margem do Fórum Económico Mundial de Davos, e em Abidjan (Costa do Marfim), na cimeira África-Europa.
O ministro negou que o facto de o Presidente João Lourenço ter recebido, em Luanda, o presidente do Partido Social Democrata (PSD), Rui Rio, tenha criado algum “irritante” (termo usado por António Costa para qualificar as consequências do processo judicial movido em Portugal contra o ex-Vice Presidente angolano na cooperação com Angola) ao actual governo. “Foi uma prova de que Portugal tem um lugar de destaque nas nossas relações”, esclareceu. “Foi uma demonstração de que Angola não tem uma segunda agenda com Portugal. As relações são abertas. O PSD é um partido do arco da governação, já foi governo várias vezes”, acrescentou o ministro.
Manuel Augusto disse esperar tudo o que possa contribuir para que os operadores económicos e técnicos dos dois países possam trabalhar da visita de António Costa. O ministro referiu que podem ser revistas as condições de financiamento, as linhas e seguro de crédito. “Há empresas portuguesas que têm empreitadas em Angola, ou dividendos que não foram repatriados. Há empresas angolanas que têm investimentos em Portugal”, lembrou.
“Tudo isso constituirá a base dos assuntos mais prioritários. Vamos trabalhar na economia, que é prioridade para ambos os países”, disse. O ministro indicou que Angola precisa retomar o seu ritmo de crescimento. “Estamos num processo de diversificação da nossa economia, o processo é complexo e obriga a uma série de reformas, por isso temos de estabelecer prioridades em termos de projectos que podemos fazer com Portugal”, disse.
O ministro negou que Angola esteja a pôr Portugal em contraponto com outros países. “Isso é especulação. Em primeiro lugar, não há lugares cativos, ninguém substitui ninguém. Mas Portugal tem consciência de qual é o seu papel no ranking de países europeus, e não precisamos de ser nós a fazê-lo”, disse.
“Quando assistimos a um debate no parlamento português e vemos reivindicações dos portugueses, que é preciso pedir mais a Bruxelas, é o reconhecimento de que, mesmo no âmbito da União Europeia, há uma certa hierarquização de níveis de desenvolvimento e capacidade de cooperar”, acrescentou.

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