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190 novos casos de cancro registados em onze meses

Manuela Gomes

A fuga por parte de pais com crianças diagnosticadas precocemente com doenças de foro cancerígeno, preocupa o Instituto Angolano de Controlo do Cancro, por se tratar de casos com boas hipóteses de cura, disse ontem, em Luanda, a médica onco-pediatra, Julieta Quiteque.

Fotografia: Paulo Mulaza| Edições Novembro

Falando por ocasião do Dia Mundial da Criança com Cancro, celebrado ontem, a médica referiu que quando assim acontece, a criança não é curada porque abandona o tratamento, alegadamente porque são levadas pelos pais para passar férias e não regressam atempadamente.
Julieta Quiteque disse que nos casos em que os pais regressam à instituição, com o objectivo de iniciar o tratamento, às vezes chegam ao Instituto Angolano de Controlo do Cancro “já numa etapa mais avançada da doença, o que, desta forma, torna difícil tratar”.
“Nós especialistas, cumprimos com todos os protocolos que a doença deve obedecer, se for quimioterapia, o paciente tem que fazer pelo menos três a seis meses de tratamento e se não cumprir este tempo dá oportunidade para que o tumor cresça cada vez mais”, alertou a médica.
Ainda assim, relativamente à resposta ao tratamento, Julieta Quiteque disse ser positiva, embora haja alguns pacientes que quando começam o tratamento, por sua vontade ou dos familiares decidem abandonar a quimioterapia submetida.
Em função disso, a especialista apela aos pais e encarregados de educação com familiares diagnosticados com a doença, para a responsabilidade que devem ter relativamente ao tratamento.
“O objectivo é fazer com que o paciente efectue todo tratamento, observarmos melhoria para depois ser submetido ao processo mais longo que são cinco anos, porque o doente só é considerado curado, depois dos cinco anos de tratamento”.
De Fevereiro a Dezembro de 2018, deram entrada no Instituto Angolano de Controlo do Cancro um total de 190 novos casos de crianças com várias doenças de foro cancerígeno, o que dá em média 19 pacientes atendidos em consultas diárias.
Entre os vários tipos de cancro, os mais frequentes em crianças são os retinoblastoma, o tumor que afecta os olhos, os nefroblasfoma, dos rins, os neuroblastomas, células nervosas, podendo também atingir o tórax, abdómen, pélvis e os linfomas (tumores que afectam o sistema linfático, sangue ou outras células líquidas).
Em termos de meios de diagnósticos, a médica disse que, felizmente, este já não tem sido um grande problema para os exames recomendados aos pacientes que vem para a consulta externa.
O Instituto Angolano de Controlo do Câncer está com capacidade de internamento de um total de 23 pacientes. Em termos técnicos tem três especialistas em onco-pediatria e três médicos internos, que, segundo Cleonice de Carvalho, são poucos para responder a procura dos serviços no instituto, que recebe todas as crianças do pais diagnosticadas com cancro.
“Precisamos de mais profissionais nesta área. O instituto tem estado a formar outros médicos. Neste momento temos quatro médicos em formação mais ainda é pouco”, disse.

Centro para crianças
A Liga Angolana Contra o Cancro defende a criação de um centro de apoio às crianças e adolescentes diagnosticadas com a doença, disse ontem, em Luanda, a presidente da associação filantrópica.
Luzimira João disse que a agremiação tem recebido muitas lamentações de familiares, principalmente daqueles pacientes com necessidades de internamento vindo de outras provinciais, e não têm condições financeiras de regularmente irem e voltarem para Luanda, a fim de dar sequência o tratamento.
A responsável sustentou que uma casa de apoio com a presença de psicólogos, assistentes sociais e professores para aquelas crianças em idade, vai ajudar para que pacientes não se percam e que a hipótese de cura seja maior.
Para a implementação dos seus projectos e outras actividades, a Liga Angolana Contra o Cancro conta com o apoio de alguns parceiros, bancos, farmácias e empresas públicas e privadas.

 

 

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