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Abandono escolar na Huíla atingiu índices alarmantes

João Luhaco | Lubango

Pelo menos, 19 por cento dos alunos inscritos no ensino primário a nível da província da Huíla abandonam as aulas, maioritariamente por motivos económicos, segundo um estudo sobre as causas do abandono escolar,

O estudo determinou que existem mais raparigas do que rapazes a frequentar o ensino primário em comunidades da província da Huíla
Fotografia: Arimateia Baptista | Huíla

recentemente efectuado pelo Centro de Investigação e Desenvolvimento da Educação do Isced.
A apresentação do referido estudo foi feita numa palestra alusiva ao Dia do Educador, assinalado no passado dia 22, e para o director provincial da Educação, Américo Chicote, o mesmo vai ajudar na melhoria das estratégias para o próximo ano lectivo.
O referido estudo, que começou a ser elaborado em 2015, foi apresentado pelo coordenador do Centro de Investigação do Isced, Hélder Baú, que deu a conhecer as razões que nesta parcela do país concorrem para este índice de abandono escolar: “a primeira razão está relacionada com questões de natureza económica, como por exemplo a incapacidade de material escolar e o pagamento de comparticipações. A outra barreira é da seca que diminuiu a capacidade das famílias em gerarem renda.”
Durante  a sua dissertação, Hélder Baú apelou às instituições afins no sentido de redobrarem esforços para atenuar esta situação, pois o estudo identificou os custos da educação, “com maior incidência nas zonas rurais, onde há grande dificuldade em conseguir-se dinheiro para pagar as despesas directas, como as comparticipações, manual escolar, cadernos e lápis”, apontou.
“Uma boa parte das escolas de construção definitiva possui apenas uma ou duas salas, o que não corresponde à demanda exigida. Podemos ver aqui dentro deste estudo que num total de 1.843, apenas 452 são escolas de construção definitiva, daí que dentro das várias políticas para combater a exclusão, introduziu-se a merenda escolar para combater a pobreza, visando a  valorização da educação e a consolidação dos apoios sociais já existentes, a aposta na formação de quadros, melhorar a qualidade de ensino, a educação itinerante como resposta a grupos sociais específicos, o recadrastramento de professores, ensino bilingue, a massificação do registo de nascimento e o apoio às crianças com necessidades educativas especiais”, sublinhou.

Mais meninas a estudar

O coordenador do Centro de Investigação do Isced do Lubango informou que o quadro que permitiu a organização desta pesquisa foi o “modelo conceptual e metodológico da iniciativa global pelas crianças fora da escola”, concebido pelo Unicef-Unesco. Este modelo destaca cinco dimensões de exclusão, tais como crianças com idade de frequentar o ensino escolar, mas que não frequentam, e crianças em idade de frequentar o ensino primário e o primeiro ciclo do ensino secundário e em risco de abandono, tendo sido destacados os perfis, as barreiras e as políticas. Na recolha de dados, entrevistaram representantes de crianças fora da escola, professores, encarregados de educação, igrejas, crianças, autoridades tradicionais e administrações locais, entre outros, em seis municípios seleccionados, nomeadamente Lubango, Cuvango, Matala, Gambos, Caluquembe e Jamba.
O  estudo observa, por exemplo, que dentro da faixa etária dos 5 e os 11 anos se pode encontrar cerca de 551.981 crianças, das quais 381.045 frequentam o ensino primário, o que corresponde a 60 por cento.  Na faixa etária dos 12 aos 14 anos, das 170.303 crianças apenas 12.451 frequentam o primeiro ciclo do ensino secundário, que corresponde a 7 por cento.
O estudo determinou que existem mais raparigas do que rapazes a frequentarem o ensino primário. Por exemplo, das 191.303 apenas 6.587 meninas estavam no primeiro ciclo e, em relação aos rapazes, dos 189.742 que frequentam o ensino primário só há 5.864 no primeiro ciclo. Relativamente à probabilidade de um aluno que se escreve na primeira classe concluir a nona, há apenas 10 por cento de possibilidade de isto ocorrer, o que para o coordenador do estudo “é um valor muito baixo.” “Em relação às taxas de escolarização e admissão, nós vamos ver que estas estão entre as mais altas do país. Temos mais ou menos 127  e 143 por cento, respectivamente, isto quer dizer que as crianças inscrevem-se  tardiamente, na primeira classe, com mais de 6 anos de idade”, explicou Hélder Baú.

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