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Acima de metade da população com acesso difícil à água potável

Carlos Paulino | Menongue

Mais de metade dos cerca de 320 mil habitantes da cidade de Menongue e arredores da capital do Cuando Cubango têm dificuldades de acesso à água potável, devido a paralisação do projecto de expansão da rede de distribuição e ampliação do sistema de captação.

A foto documenta um dos rios de Menongue onde a população retira água para o consumo
Fotografia: Nicolau Vasco | Edições Novembro | Menongue

O responsável da área Técnica da Comissão de Gestão do Sistema de Água no Cuando Cubango, Rodrigues Bongue, explicou que o projecto de construção da central de captação, tratamento e distribuição de água à cidade de Menongue compreende duas fases: a primeira foi inaugurada em 2015 e a segunda aguarda pelo enquadramento financeiro para o seu arranque.
Rodrigues Bongue disse que a central de captação, tratamento e distribuição foi projectada para bombear 11 mil metros cúbicos de água, mas, como a segunda fase ainda não arrancou, a mesma só tem disponíveis oito mil metros cúbicos por dia, quantidades consideradas irrisórias para satisfazer a procura.
Realçou que os oito mil metros cúbicos de água potável colocados à disposição dos consumidores estão a beneficiar apenas a população que vive na zona baixa da cidade de Menongue, porque os equipamentos instalados não possuem potência suficiente para bombear para os utilizadores que residem em áreas altas, que já beneficiaram das ligações domiciliares, na primeira fase do projecto.
Além destes constrangimentos técnicos, acrescentou, há também a questão dos bairros periféricos de Menongue, que continuam a crescer, assim como o número de consumidores, razão pela qual, actualmente, a direcção local das águas é obrigada diariamente a fazer restrições no fornecimento de água.
Salientou que a central foi construída para atender pouco mais de duas mil ligações domiciliares e 100 chafarizes públicos. Acrescentou que actualmente já foram feitas cerca de cinco mil ligações domiciliares cadastradas e construídos 75 chafarizes, que estão operacionais.
Rodrigues Bongue disse que os oito mil metros cúbicos de água que a central produz diariamente não permitem atender toda a população ao mesmo tempo e por este motivo estão a ser feitas restrições, para que ninguém fique sem água, durante o dia.
“Se não fizermos esta gestão, o nosso reservatório, que tem capacidade de armazenar seis milhões de litros de água, ficaria todos os dias vazio e não teríamos como abastecer, embora com algumas restrições, a cidade de Menongue e os bairros periféricos”, sublinhou. Rodrigues Bongue recordou que na parte leste da cidade de Menongue, com realce para os bairros Pió, Kwenha, Paz, Novo, Futungo, Popular, Cazenga, Benfica, Lumeta, Kamungamba, Sacampoco, Mabaia, Senga e Savipanda, os habitantes continuam sem o abastecimento de água potável, porque não existem condições para a expansão da rede de distribuição.
Sublinhou que para inverter o actual quadro, o ideal seria o reforço da capacidade de produção de pelo menos 20 mil metros cúbicos de água por dia, tendo em conta o crescimento exponencial que se regista nos últimos tempos na cidade de Menongue e bairros periféricos.
Fez saber que actualmente 60 por cento da população da cidade de Menongue e bairros periféricos ainda não têm acesso ao fornecimento de água potável, situação que tem obrigado muitos habitantes a consumir água tirada directamente de rios, cacimbas e riachos.
Rodrigues Bongue anunciou que existe um projecto a nível do Ministério da Energia e Água para o aumento da produção e expansão da rede de distribuição de água potável em Menongue e que a sua materialização vai permitir à capital do Cuando Cubango ter níveis aceitáveis de cobertura.
“Neste momento, aguarda-se apenas pelo enquadramento financeiro para que este projecto possa ser executado o mais breve possível, no sentido de dar resposta à actual procura por parte dos consumidores na cidade de Menongue e bairros periféricos”, concluiu Rodrigues Bongue.

 

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