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Adiado julgamento do “caso Jorge Peterson”

Mazarino da Cunha

O julgamento dos dois indivíduos acusados de terem participado do assassinato, em 2018, do jovem estudante angolano, na África do Sul, Jorge Peterson da Silva Miguel, marcado para ontem, às 9 horas, no Tribunal Provincial de Luanda, foi adiado sem data, por falta de viatura do Serviço Penitenciário para o transporte dos arguidos.

Adiamento deve-se à falta de viatura para transportar o réu
Fotografia: Dombele Bernardo| Edições Novembro

Depois de quatro horas de espera, familiares, advogados de defesa e assistentes de acusação foram surpreendidos com a informação do adiamento do julgamento dos dois acusados, tendo causado desentendimento entre os funcionários do tribunal e os presentes.
Dos quatro integrantes do grupo de marginais, que teriam supostamente assaltado e morto a tiro o jovem estudante, no dia 22 de Janeiro do ano passado, às 13h, nas imediações da Vila da Gamek, em Luanda, a Polícia Nacional conseguiu deter dois, que estavam para ser ouvidos ontem, na 5ª Secção da Sala dos Crimes Comuns.
O assistente de acusação, Niteroid Alves, considerou autêntica falta de profissionalismo por parte do Tribunal Provincial de Luanda adiar sem data um julgamento, que estava previamente marcado para ontem de manhã.
“É uma autêntica falta de respeito, pôr à espera as pessoas durante quatro horas e, do nada, dizer que já não haverá a sessão de julgamento”, lamentou o assistente de acusação ao Jornal de Angola, que considera preocupante a forma como são tratados os casos de assassinatos em Angola.
A família do malogrado, preocupada com a lentidão do processo, desde a data dos factos até à captura e apresentação dos acusados ao tribunal, mostra-se “céptica” quanto ao desfecho da justiça, no caso Jorge Peterson da Silva Miguel, e acusa haver parcialidade no tratamento.
Indira Fernandes, irmã mais velha de Jorge Peterson da Silva Miguel, disse estar desapontada com o procedimento do Tribunal Provincial de Luanda de adiar o julgamento que já deveria ser resolvido há bastante tempo. “Sabemos que o meu irmão não volta, mas queremos que se faça justiça e com celeridade”, frisou.

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