Províncias

Aldeia da Paz leva crianças doentes à Alemanha

Arcângela Rodrigues

A organização Kimbo Liombembwa (Aldeia da Paz) tem o projecto “MWENHO”, no domínio da saúde, para ajudar as crianças angolanas que sofrem de doenças e carecem de cuidados médicos urgentes que não existem no país.

Albertina Mapa com a filha no colo demonstra satisfação de vê-la curada da doença
Fotografia: Eduardo Pedro

A organização Kimbo Liombembwa (Aldeia da Paz) tem o projecto “MWENHO”, no domínio da saúde, para ajudar as crianças angolanas que sofrem de doenças e carecem de cuidados médicos urgentes que não existem no país.
O projecto MWENHO existe hà 11 anos em todo o território nacional e tem a sua sede no Hospital Pediátrico David Bernardino.
Albertina Mapa, mãe de Vitelana Mapa, referiu que a sua filha tem uma doença rara na tíbia esquerda. Começou as suas consultas em Luanda, no Hospital Josina Machel, onde esteve internada durante dois anos. Os médicos recomendaram que fosse para o exterior fazer tratamento.
 “O médico assistente encaminhou o relatório ao projecto MWENHO e a menina foi para a Alemanha”, disse Albertina Mapa.
“ Sei que não é fácil, existe muita gente na lista de espera, mas graças a Deus não houve demoras,” disse Albertina Mapa. A sua filha esteve a receber assistência na Alemanha durante um ano e enquanto lá permaneceu, teve sempre notícias sobre o estado de saúde da menina e até recebeu fotografias.
Albertina Mapa disse que a sua filha está muito melhor: “não tenho como agradecer, apenas as minhas lágrimas descrevem tudo”. Vitelana Mapa tem seis anos. Está feliz por regressar ao convívio com a mãe: “sinto-me melhor e durante o tempo que estive na Alemanha fui bem cuidada, até aprendi a falar um pouco de alemão”.
Cláudia Mittler membro do projecto MWENHO, referiu que a Alemanha é o único país onde as crianças recebem assistência e o projecto apenas tem o total apoio da Organizações Nãp Governamentais (ONG) alemã Friedensdorf International. “O projecto abrange crianças até aos 11 anos e ninguém paga nada”.
Todos os anos seguem dois grupos de crianças doentes para a Alemanha. Este ano o primeiro grupo partiu no mês de Maio, disse Cláudia Mittler. As 66 crianças que embarcaram no mês de Maio já regressaram a Angola e os outros 66 pacientes embarcaram no presente mês de Novembro.
Cláudia Mittler salientou que até ao momento, não surgiram casos de doentes que depois do tratamento na Alemanha voltaram para o hospital para receber assistência. As complicações que surgem devem-se à falta de acompanhamento dos próprios pais.
“ A medicação é doada a partir do hospital onde são assistidos. As crianças, ao regressarem a casa fazem-se acompanhar de toda a medicação. Na Alemanha todos pacientes são assistidas em hospitais públicos e privados.

Projecto da esperança

Cláudia Mittler frisou que o projecto já permitiu tratar 1.750 crianças de todas as províncias. O seu regresso a casa é suportado pela Kimbo Liombembwa, “porque há familiares que carecem de meios financeiros para custear a passagem, a viagem é feita via terrestre e o aluguer dos autocarros é por conta da instituição”. Frisou que existem pacientes abandonados na instituição e existem muitas crianças na lista de espera: “por isso estamos a criar condições para levar 80 pacientes para a Alemanha, duas vezes por ano”.
Agnaldino Amaral, pai de Agnela Matias do Amaral, disse que a sua filha padece de hostiomelite e fazia as suas consultas na clínica Multi Perfil, em Luanda, onde esteve internada durante um ano. A criança foi submetida a quatro intervenções cirúrgicas, mas não houve melhorias satisfatórias. Por isso, Agnaldino Amaral recorreu ao projecto MWENHO.
 A criança foi para a Alemanha onde esteve um ano em tratamento. “Estou feliz porque a menina quando saiu daqui não andava e regressou a andar”, disse Aguinaldo Amaral, que aproveitou a oportunidade para agradecer aos médicos e membros do projecto MWENHO. Aos pais que têm os filhos na lista de espera pediu que não percam a esperança.
Mateus Jesus Chitai, de 12 anos, foi para a Alemanha e fez uma intervenção cirúrgica no braço direito. Está contente por regressar a Angola e ansioso para ver os seus familiares, que estão no Huambo: “fiquei a receber assistência na Alemanha durante um ano”, disse Mateus Jesus Chitai.   

Saudades da família


Manuel Mulenza, pai de Wilson Mulenza, disse à nossa reportagem que o seu filho esteve internado no Hospital Josina Machel porque tinha uma fractura na perna esquerda. Os médicos disseram que havia necessidade de lhe amputar a perna. “Fiquei triste com isso, falei com a minha mulher, consultámos pessoas amigas e uma vizinha recomendou-nos o projecto MWENHO”, disse Manuel Mulenza. O menino foi para a Alemanha onde fez tratamentos durante um ano. Está de regresso e os resultados foram excelentes, por isso “agradeço o apoio de todos”.
Agnela Matias do Amaral, uma menina de oito anos, está de regresso da Alemanha onde foi tratada: “estou muito contente e satisfeita por estar com os meus pais, que não via há um ano”.
Wilson Mulenza também está feliz por encontrar sua família e gostou da a assistência que recebeu na a Alemanha: “já tinha muitas saudades da minha família”.
As crianças que regressaram dos tratamentos estavam felizes porque regressaram a casa mas também porque encontraram remédio para as suas doenças. Quase todas falavam português com palavras em alemão à mistura.

Tempo

Multimédia