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Aldeia Quipedro está sem estradas

Walter Gomes| Quipedro

A comuna de Quipedro está isolada há muitos anos e a população tem de percorrer a pé os cerca de 97 quilómetros que separam a localidade da sede municipal de Ambuíla. Os que viajam de carro a partir da cidade do Uíge têm que percorrer cerca de 300 quilómetros até Nambuangongo, alternativa para alcançar Quipedro.

Sobas e regedores solicitaram ao governo da província a reabilitação urgente da estrada que liga a comuna à sede do município
Fotografia: José Bule| Quipedro

A comuna de Quipedro está isolada há muitos anos e a população tem de percorrer a pé os cerca de 97 quilómetros que separam a localidade da sede municipal de Ambuíla. Os que viajam de carro a partir da cidade do Uíge têm que percorrer cerca de 300 quilómetros até Nambuangongo, alternativa para alcançar Quipedro.
A viagem para Quipedro passando por Nambuangongo é penosa e chega a durar cerca de 13 horas, tal o estado da via, onde os buracos, charcos e ravinas são uma permanente ameaça ao tráfego.
Pelo caminho são visíveis vários bairros com grande número de habitantes, na sua maioria organizados em associações e cooperativas agro-pecuárias e que produzem elevadas quantidades de produtos.
Produtos como a mandioca, jinguba, feijão, milho, banana, café, cana-de-açúcar, laranja, tangerina, abacaxi, abóbora, inhame, arroz, batata-doce, hortícolas e outros servem, por ora, apenas para o auto-sustento das famílias, pois a sua comercialização não é possível devido às dificuldades de escoamento para os principais centros de consumo nas vilas e cidades.

Sobas solicitam intervenção

Para inverter a situação, os regedores, sobas, seculos e entidades religiosas da comuna de Quipedro, no município de Ambuíla, solicitaram neste fim-de-semana ao governo da província a reabilitação urgente da estrada que liga a comuna de Quipedro à sede do município e outras vias secundárias e terciárias.
A preocupação foi manifestada num encontro em que participaram directores provinciais, secretários e assessores do governo provincial do Uíge, onde se analisou a situação das condições de vida dos habitantes da comuna de Quipedro.
O presidente da Associação das autoridades da comuna de Quipedro, Domingos Damião Matai, referiu que a falta de reabilitação das vias de acesso que ligam a sede municipal de Ambuíla à comuna de Quipedro,regedoria Nvuanga/Quipedro, Inzambi/Quipedro/Nambuangongo e outras está a criar sérios embaraços aos habitantes locais, sobretudo no escoamento dos produtos agrícolas.
“Além de produzir em grande escala, a população desta região cria gado bovino, caprino, suíno, mas a falta de meios de transporte, mercados rurais e o mau estado das vias vem desencorajando os camponeses”, sublinhou Domingos Matai.
As autoridades tradicionais, disse o regedor, estão também preocupadas com a falta do sinal das operadoras de telefonia móvel Unitel e Movicel, centro e postos de saúde, bem como uma maternidade.
O único posto de saúde existente na sede da comuna há muito que se mostra incapaz de atender a demanda de pacientes. “Vários pacientes em estado crítico e mesmo mulheres com partos difíceis são transportados de tipóia para os municípios de Ambuíla e Nambuangongo, facto que tem vindo a provocar a morte de muitas delas durante o percurso por causa da distância e das condições em que se apresentam as vias”, acrescentou a autoridade tradicional.
A falta de energia eléctrica, água potável e técnicos de enfermagem constitui outra preocupação das autoridades tradicionais de Quipedro.
O director provincial da Saúde do Uíge, Benji Moco, que chefiou a delegação multissectorial a Quipedro, garantiu que o governo da província em colaboração com o Executivo vai imprimir maior dinamismo na resolução dos vários problemas que afligem a população daquela comuna.

Programa do governo

Benji Moco disse que o governo provincial tem um programa de acções que preconiza, numa primeira fase, a reabilitação da estrada principal que liga a comuna à sede do município de Ambuíla, bem como a via de ligação da localidade de Canico para Aldeia Viçosa, no município do Quitexe.
Benji Moco Henriques garantiu que, além da requalificação das vias de acesso à comuna, está prevista a construção de uma maternidade, transformação do actual posto médico em centro de saúde, construção de três outros postos de saúde nas diferentes localidades da comuna, bem como o aumento de mais enfermeiros nas unidades sanitárias.
Benji Moco assegurou também que a formação técnica, académica e profissional, construção de novas salas, expansão dos serviços de saúde, criação de cooperativas e associações agrícolas, bem como outras acções ligadas ao combate à fome e pobreza constituem também prioridade do Executivo, no âmbito dos programas preconizados para o desenvolvimento da região.

Novo administrador comunal

Durante a sua presença em Quipedro, a delegação multissectorial apresentou o novo administrador comunal, Manuel Pedro, num acto antecedido de rituais culturais da região, com a população a dançar o dibondo, nambuangongo, semba e outros cânticos tradicionais.
A delegação do governo provincial deixou em Quipedro instrumentos de trabalho, enxadas, catanas, pás, limas, machados, assim como sementes e diversos kits para carpinteiros e pedreiros.
As famílias vulneráveis da circunscrição beneficiaram de roupas diversa, cobertores, lonas, utensílios de cozinha, óleo alimentar, sacos de arroz, sal, sabão, massa alimentar e outros bens de primeira necessidade. Benji Moco, que é director provincial da Saúde no Uíge, entregou ao posto médico local uma ambulância, bem como material didáctico, mochilas e batas a centenas de alunos da comuna.
Com uma extensão territorial de cerca de três mil quilómetros quadrados e uma população estimada em 7.845 habitantes distribuídos em duas regedorias e 11 aldeias, Quipedro faz fronteira com o município de Nambuangongo e a província do Zaire.

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