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Ambaca dá especialização a médicos

Manuel Fontoura | Ambaca

O Hospital Municipal de Ambaca, cerca de 180 quilómetros a Norte de Ndalatando, na província do Cuanza-Norte, pode, nos próximos tempos, ser transformado em unidade de referência para a formação de médicos de especialidades.

Panorâmica da capital do Cuanza-Norte, província que vai passar a contar com um centro de especialização de médicos
Fotografia: Eduardo Pedro | Edições Novembro

De acordo com a directora do Gabinete Provincial de Saúde, Filomena Wilson, todos os pressupostos para o arranque do projecto, o mais rápido possível, estão a ser analisados pelo Ministério da Saúde.
Inaugurado em 2012, no âmbito do Programa de Investimentos Públicos (PIP), o hospital tem capacidade para 100 camas e surgiu da necessidade de desafogar o anterior Hospital Municipal de Ambaca, que dispunha apenas de 40 camas.
A mesma unidade, além de permitir, também, a assistência médica e medicamentosa à população residente nos municípios vizinhos, como Samba-Cajú, Kikulungo e  Banga, assiste ainda doentes provenientes de Malanje e do Uíge.
O hospital dispõe de cinco blocos principais e dois secundários, sendo os blocos um e dois com serviços de informação, consultas externas, direcção administrativa, farmácia, laboratórios, diagnóstico por imagem e urgências.
Os blocos três, quatro e cinco confinam as áreas de internamento, cuidados  intermédios, medicina interna, cirurgia, pediatria, centro de obstetrícia, centros cirúrgicos, esterilização, morgue, com seis gavetas, cozinha, refeitório, áreas para os empregados e lavandaria.
A reportagem do Jornal de Angola soube de fonte hospitalar que, para a unidade funcionar na sua plenitude, precisaria de mais 350 trabalhadores, dos quais 25 médicos de diferentes especialidades, 25 técnicos de análises clínicas e mais de 200 enfermeiros de nível superior e médio.
Com várias valências e apesar da falta de técnicos e médicos para distintas especialidades, a unidade funciona nesta altura com apenas 72 trabalhadores, dos quais quatro médicos expatriados e cinco angolanos, um dos quais em Luanda a terminar a formação na especialidade de ginecologia e obstetrícia, além de 25 enfermeiros e 15 radiologistas em formação em diferentes regiões do país.
De acordo com o director do Hospital Municipal de Ambaca, Lúcio Mucage, tão logo o projecto arranque irão formar inicialmente pessoal nas especialidades de Pediatria, Ginecologia, Obstetrícia, Cirurgia e Ortopedia Geral.
As áreas secundárias do hospital possuem, além de 18 residências para os médicos, dois grupos geradores com capacidade de 550 KVA, um outro grupo de emergência de 200 KVA e um PT de 1000 KVA, a partir da rede geral do município.
Nas áreas secundárias do hospital de Ambaca encontra-se igualmente um centro de tratamento e distribuição de água, assim como uma incineradora para o lixo hospitalar.  No país, infra-estruturas idênticas encontram-se no Bocoio, província de Benguela, Calulo (Cuanza-Sul), Viana e Cacuaco (Luanda) e outra na Barra do Dande, província do Bengo.

Hospital de Cazengo
A falta de um médico-cirurgião e de anestesistas está a condicionar o funcionamento do bloco operatório do Hospital Municipal de Cazengo, em Ndalatando,  desde a inauguração da unidade hospitalar, em 2010.
O facto foi constatado durante uma visita de deputados do grupo parlamentar da UNITA, realizada quinta-feira àquela unidade sanitária, sob direcção da deputada Arlete Chambinda.
Segundo confirmou, na ocasião, o director do estabelecimento hospitalar, Mbiavanga Eduardo Alves, o bloco operatório encontra-se inoperante desde a inauguração da unidade hospitalar, em 2010, por falta de cirurgião, anestesistas e de instrumentistas.
Referiu que a situação será colmatada após a chegada dos dez técnicos da instituição que actualmente se encontram em Luanda e em Malanje a receber formação superior e de especialização em anestesia e em instrumentação, bem como em outros serviços essenciais à equipa do bloco operatório.
“Quando eles voltarem, dentro de dois a três anos, esses serviços arrancam”, frisou, acrescentando que o bloco operatório está equipado com meios modernos, mas debate-se com a falta de especialistas para assegurar o seu funcionamento.
Mbiavanga Eduardo acrescentou que o hospital foi ainda equipado com uma unidade de produção de oxigénio que também nunca funcionou, por falta de técnicos e devido a avaria do gerador, tendo garantido que para acudir a situação conta-se com uma unidade móvel de produção de oxigénio, adquirida recentemente.
Com o funcionamento assegurado por sete médicos e 80 enfermeiros, a maior unidade sanitária do município de Cazengo debate-se, além da falta de medicamentos e de materiais gastáveis, com insuficiência de técnicos em diversas áreas, o que condiciona  o atendimento aos doentes.
Para colmatar a situação, a unidade hospitalar, que atende entre 150 a 200 pacientes/dia, clama pelo enquadramento de pelo menos 120 novos enfermeiros e 13 médicos de diferentes especialidades, segundo Mbiavanga Eduardo Alves.
O Hospital está capacitado para internar 80 pacientes e tem em funcionamento os serviços de maternidade, vacinação, laboratório de análises clínicas, farmácia, banco de urgência, as áreas de imagiologia, pediatria, medicina geral e de aconselhamento e testagem voluntária de VIH, assim como uma morgue com capacidade para conservar nove cadáveres.

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