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Angola já cria bovinos de elevada qualidade

Estanislau Costa | Lubango

Mais de 20 mil cabeças de gado bovino de raça e de alta selecção estão, neste momento, a ser criadas em várias fazendas produtoras espalhadas por diversos pontos do país, no âmbito do Programa de Repovoamento e Fomento Animal, levado a cabo pela Cooperativa dos Criadores de Gado de Angola.

O processo de reprodução de gado melhorado nas fazendas da província da Huíla permitiu reduzir os custos inerentes à importação
Fotografia: Estanislau Costa | Lubango

O presidente da instituição, agora de abrangência nacional, Luís Nunes, disse ao Jornal de Angola que a acção desenvolvida durante os dez anos de existência da agremiação, contempla igualmente a criação de gado caprino, suíno, cavalos e várias espécies de aves.
O actual efectivo animal, explicou, está enquadrado num amplo projecto em curso que visa o crescimento substancial do sector pecuário, através da expansão das zonas reprodutoras de bovinos e outros. “Estamos empenhados em criar condições para haver mais gado de abate e corresponder às necessidades de carne do país”.
Luís Nunes considerou satisfatório o empenho e dedicação de dezenas de fazendeiros que, até ao momento, transformam enormes matagais em espaços competentemente agro-pecuários, com dezenas de plantas e animais de várias espécies.
Ao fazer uma comparação com base no quadro evolutivo das acções dos produtores pecuaristas, o responsável esclareceu que houve um aumento significativo nas zonas de exploração, ao atingir-se os 270 mil hectares de terras aráveis, relativamente aos anteriores 75 mil. O número de associados passou de 15 para 58 criadores de gado. Houve também uma evolução no equipamento mecanizado, sistemas favoráveis a reprodução e criação animal, controlo efectivo da sanidade animal e realização de jornadas de bovinicultura da carne, que permitem a troca de experiências, dado o envolvimento de criadores sul-africanos, namibianos e brasileiros, entre outros.

Parceiro certo

Luís Nunes considerou a cooperativa um parceiro certo do Executivo, por seguir e participar nas políticas e estratégias dirigidas à evolução dos animais. “Encorajamos a concretização de vários projectos através do Ministério da Agricultura, por contribuir para o fortalecimento do sector”, disse. Na sua perspectiva deve-se insistir na diversificação da formação dos técnicos e fazendeiros, troca de experiências, leilões de gado bovino, caprino, suíno, cavalos, aves e outras espécies, e aperfeiçoamento das técnicas de inseminação, para haver bons resultados na produção de carne. 
“O leilão de animais é fundamental, por ser a melhor via para a troca de animais de alta qualidade, assim como por ser uma prática credível para a venda de animais a preços competitivos e justos. Como se sabe, o leilão atrai milhares de turistas criadores, capitaliza os fazendeiros e incentiva a produção”, argumentou. O repovoamento e fomento de animais melhorados e de qualidade foram desenvolvidos pela cooperativa até 2009, com a importação de gado de diversas raças da Namíbia, África do Sul, Botswana, Brasil e França. A acção permitiu o surgimento na região de raças Bosmara, Samandra, Braman, Timbra, Anelor e outras.
O processo de reprodução de gado melhorado nas fazendas locais permitiu reduzir os custos inerentes à importação e fazer com que o animal se desenvolva num clima adaptado. Para tal, faz questão de sublinhar Luís Nunes, os criadores contaram com o incondicional apoio do Executivo no processo de importação de animais melhorados e de criação das fazendas. Por tudo isto, não hesita em encorajar as autoridades e criadores das províncias do Namibe, Benguela, Cuanza Sul, Cunene, Cuando Cubango e outras, a continuarem a promover actividades que permitam o crescimento do fomento animal e potenciar, cada vez mais, o sector agro-pecuário do país.

Construção do matadouro

Um matadouro com capacidade para abater cem cabeças de gado bovino por dia vai ser construído brevemente pela cooperativa no município do Lubango. Para corresponder às exigências do complexo industrial, foram preparadas 75 vacas para reproduzir de acordo com as normas de natalidade.
O matadouro, orçado em mil milhões de kwanzas, vai criar 50 postos de trabalho, numa fase inicial. A Cooperativa de Criadores de Gado de Angola (CCGA) perspectiva a criação de uma indústria transformadora para apoiar os produtores tradicionais.
Além dos fazendeiros, os pequenos criadores vão ser apoiados, de modo a rentabilizarem os animais e gerarem rendimento. Está igualmente prevista a criação de um armazém para assegurar o fornecimento dos produtos pecuários. A cooperativa comercializou, durante sete anos, mais de oito mil cabeças de gado melhorado, no quadro do Programa de Fomento Animal em todo país. A venda das raças Besmara, Samandra, Braman, Timbra e Anelor permitiu arrecadar mais de dois mil milhões de kwanzas, durante os leilões anuais.

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