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Antigos moradores estão bem alojados

António Canepa | Huambo

Quinze dias depois da sua evacuação, do prédio Palmeira, situado na Rua do Comércio, os ex-moradores do edifício mostram-se satisfeitos com as condições colocados à sua disposição pelo governo da província, no ex-Comando da Quarta Região, no bairro Académico.

Espera-se pela chegada dos técnicos para a demolição do prédio que pode desabar
Fotografia: João Constantino

Quinze dias depois da sua evacuação, do prédio Palmeira, situado na Rua do Comércio, os ex-moradores do edifício mostram-se satisfeitos com as condições colocados à sua disposição pelo governo da província, no ex-Comando da Quarta Região, no bairro Académico.
Evacuados de emergência, depois do prédio ter dado sinais evidentes de desabamento, no princípio deste mês, devido ao avançado estado de degradação, os ex-moradores do edifício sentem-se satisfeitos com as condições criadas pelas autoridades da província e reconheceram o esforço do governo, que cada dia que passa procura melhores condições de acomodação.
De acordo com Emília Mendonça, vice-administradora do município do Huambo, o governo está empenhado na criação de condições condignas para todos os ex-moradores do Palmeira.
 São no total 76 famílias, o correspondente a 622 pessoas que se encontram alojados no ex-quartel, onde o governo está a criar condições condignas de habitabilidade, através do fornecimento de água potável, iluminação, saneamento e assistência médica.
“Tendo em conta o iminente perigo que o estado do prédio representava para os seus moradores, o governo da província decidiu transferi-los temporariamente para um lugar mais seguro e o local que se encontrou, tendo em conta o número de famílias, é o ex-Comando da Quarta Região, onde foram criadas condições para a sua acomodação”, realçou a vice do município sede da província, Emília Mendonça.
Para além do apoio com bens alimentares, que passarão a receber quinzenalmente durante três meses, os desalojados do Palmeira beneficiam de outras condições que facilitam o seu dia a dia, enquanto esperam por novas residências prometidas pelo Estado.
O recinto está a beneficiar de obras de restauro e saneamento. Foram colocadas portas, janelas com fechaduras e postos de iluminação públicos, tanto dentro como fora, e construído o muro de vedação para garantir maior segurança aos seus novos inquilinos.
Uma clínica móvel foi colocada também no local, para acudir a casos de emergência que possam surgir e o sistema de esgotos foi reabilitado e funciona plenamente. Todas as famílias receberam mosquiteiros e o local recebe pulverização do meio ambiente três vezes por semana.
E para melhorar ainda mais as condições de vida das pessoas, estão a ser construídas bases para as tendas que vão ser erguidas no pátio, para acomodar condignamente as famílias mais numerosas.
A rede de saneamento básico foi ampliada com a construção de latrinas com todas as condições, água, luz e portas e está a ser construída uma lavandaria com capacidade para três tanques. Os moradores contam, também, com uma manivela da água para o consumo.
No pátio estão também espalhados dez quartos de banho móveis, contentores de lixo e sacos para a deposição de objectos sólidos.
De acordo com Emília Mendonça, o maior esforço foi feito nos primeiros dias. À medida que os trabalhos vão avançando, as pessoas compreendem melhor as verdadeiras intenções do governo.
“As obras que estão a ser levadas acabo no terreno estão a criar maior confiança no seio das populações. Elas começam a acreditar na acção do governo e estão sensibilizadas com a situação em que se encontram e estão também conscientes de que estamos a trabalhar para, mais tarde ou mais cedo, poderem viver nas suas novas residências,”frisou.
A segurança está também a ser reforçada com o trabalho de desminagem, tendo em conta que o local foi uma zona militar e ainda tem lugares minados. Neste momento estão a ser desenvolvido trabalhos de vedação, identificação e de delimitação dos locais minados.
Foi levada a cabo uma acção de sensibilização das populações sobre os perigos das minas, para que saibam e acompanhem os trabalhos que estão a ser feitos nos arredores do recinto.
A comissão multi-sectorial e os funcionários da administração do Huambo reúne-se diariamente com os realojados, dando-lhes força e coragem, mediante a identificação das suas dificuldades. 
A administração municipal do Huambo está a preparar também um espaço no mercado das Cacilhas para que todos aqueles que queiram fazer os seus pequenos negócios possam exercer a sua actividade sem dificuldades.

Construção de casas

A população está sensibilizada sobre o tempo em que vai permanecer no ex-quartel e confia na acção do governo, que prevê erguer mais de 500 casas, na localidade do Lossambo, nos arredores da cidade, dentro dos próximos três ou quatro anos.
 Neste momento o governo enceta contactos com as empresas construtoras para estudar as modalidades para a execução das obras.
Segundo Emília Mendonça, o projecto é de âmbito central, mas o governo quer acelerar as obras de construção das residências para os ex-moradores do Palmeira, para dar lugar aos residentes do prédio da FAPA, que se encontram também em situação similar.
O prédio da FAPA, em plena Rua 5 de Outubro, encontra-se também em estado avançado de degradação e sem condições de habitabilidade. O governo pretende evacuar os seus moradores, tão logo termine a construção de habitações para os ex-residentes do prédio Palmeira.
Emília Mendonça disse que o ex-quartel vai servir de passagem das famílias que vão sendo evacuados das zonas consideradas de risco, já que estima-se que existam mais lugares de risco na cidade do Huambo, além dos prédios da FAPA, do Partido e do Angotel.

População continua confiante

Maria Adelaide, 17 anos, uma das ex-moradoras do Palmeira, disse sentir-se feliz porque o governo as tirou do perigo. Para ela a evacuação foi a medida certa que o governo tomou porque o prédio já não estava em condições para albergar mais pessoas.  Quanto às condições colocadas à sua disposição no ex-comando, Adelaide disse que, a princípio não acreditava no governo e sentia-se mal por viver num quartel, mas agora está bem, tem quase tudo garantido e por isso reconhece não ter motivos de queixa.
Rita Fausta foi encontrada a lavar roupa. É mãe de oito filhos e considera as condições no quartel muito boas, em comparação com o prédio onde residia há mais de vinte anos.
“O governo fez muito bem em nos tirar daquele edifício. Aquilo era um grande perigo não só para as nossas crianças, mas também para nós adultos. Já não estava em condições, por isso considero que o governo fez bem. E também estamos satisfeitos com as condições que aqui existem. Como vês temos luz, água. Estão a construir ali uma lavandaria e também nos apoiam com géneros alimentares. Estamos mesmo bem”, disse, sorridente.
Maria de Fátima diz que não tem problemas. Para ela o mais importante é o facto de terem sido evacuados do edifício. De resto considera as condições muito boas.
 “O governo está a apoiar-nos, os técnicos e funcionários da administração estão sempre connosco, para saber como estamos. Estamos sensibilizados pelo tempo que vamos permanecer aqui, enquanto o governo constrói as casas para nós”, sublinhou Fátima.
José Luís disse que as condições melhoraram muito em relação ao princípio, quando chegaram. “Temos água, energia eléctrica 24 sobre 24 horas. De 15 em 15 dias apoiam-nos com alimentação e neste momento estão a construir uma lavandaria e vão colocar mais tendas para as famílias numerosas Acho que é mesmo de louvar o gesto do governo da província e não temos muitas queixas. O governo está a fazer o que pode”, concluiu.
Aguinaldo Nicolau, por sua vez, disse que concorda com a acção do governo, porque não tinha mais hipóteses de continuar no Palmeira. “Agora estamos num sítio seguro e esperamos um dia irmos para as nossas próprias casas. Concordamos com a acção do governo e estamos confiantes de que vai dar-nos casas. Inclusive, disseram-nos que já foi lançada a primeira pedra”.
Por seu turno, Esmeralda Marta agradece a acção do governo e diz que foi graças à pronta intervenção do Estado que conseguiram sair do perigo. “Confiamos no governo. Já está a ajudar-nos com bens alimentares e disseram que quinzenalmente vamos receber ajuda até que nos possam tirar daqui”, rematou visivelmente satisfeita. 

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