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Aprender um ofício com futuro profissional

Fula Martins| Cabinda

Jovens do sexo feminino, que no passado não dispunham de qualquer formação profissional, frequentam hoje o Centro Integrado de Formação profissional no bairro do Caio, na cidade de Cabinda.

Jovens do sexo feminino recebem formação no Centro de Formação do Caio
Fotografia: Rogério Tuti

Jovens do sexo feminino, que no passado não dispunham de qualquer formação profissional, frequentam hoje o Centro Integrado de Formação profissional no bairro do Caio, na cidade de Cabinda.
Albertina Maria Mabiala é uma das 230 jovens que estão a aprender uma profissão neste presente ciclo formativo no Centro Integrado de Formação Profissional do Caio. Com o ensino médio concluído, a jovem preferiu, por várias razões, aprender a profissão de canalizadora. Mas apontou como determinante o facto desta formação “ser uma das melhores condições para a minha inserção rápida no mercado do trabalho”.
A paixão pela profissão foi inesperada. Segundo ela, não foi pressionada por ninguém da família a fazer o curso. “Escolhi o de canalização porque gosto”, afirmou. Para ela, a ideia de que um curso deste tipo não é para mulheres é um tabu, porque “o mais importante é ter muito cuidado”.
 “Hoje fala-se em igualdade de direitos, por isso não vejo qualquer motivo que impeça as mulheres de aprenderem aquilo que até aqui sempre foi feito por homens”, acrescentou.
Albertina Mabiala garantiu que, em seis meses de formação, já aprendeu a canalizar uma residência, casas de banho e a montar electro-bombas. “Depois de concluir a minha formação técnica, o meu sonho é ser uma canalizadora profissional”, razão pela qual aconselha outras jovens a dedicarem-se mais à formação profissional. “Gostaria ver mais senhoras formadas na área de canalização”, concluiu.
Eunice Cassessa Ngola, também em formação no curso de informática, disse que está a frequentar o curso há um mês e já aprendeu a “teclar”, mudar o ambiente de trabalho, criar atalhos, pastas, formatar documentos e está agora a perceber como é constituído um computador.
A formanda, explicou que a sua inserção no centro está a ajudá-la a dissipar as dúvidas que tinha com relação ao computador. “Sempre tive uma paixão por computadores e queria conhecer melhor a sua composição”, disse.
Desde a sua fundação, o Centro de Formação Profissional do Caio já formou 930 jovens nas mais diversas especialidades. Falando à imprensa, o director do Centro, Alberto Yaba, disse que a maioria já está inserida no mercado de trabalho. “Naturalmente, outros continuam a estudar e a exercitar os cursos feitos, em função do tempo livre”, acrescentou, realçando que os sectores das obras públicas e industrial são aqueles que mais mão-de-obra absorvem.
Neste ciclo formativo estão matriculados 230 alunos, dos quais 80 estão inscritos no curso de informática. Para além deste curso, estão igualmente a ser ministrados os de electricidade, mecânica de refrigeração, serralharia civil, canalização e pedreiro.
O director do centro do Caio considera que a questão de género está salvaguardada. “Já é possível ver meninas a fazerem cursos de electricidade, serralharia e refrigeração, antes considerados apenas para homens. Estas não são as primeiras mulheres a serem formadas nessas especialidades. As primeiras já estão inseridas no mercado de trabalho”, esclareceu.
Afirmando que nunca encontram objecções por parte das empresas que absorvem os quadros formados naquela instituição, considera que tal se deve ao facto de “as referências serem boas, apesar de se saber que quando alguém termina uma formação e é inserido no mercado de trabalho, apresenta sempre algumas debilidades iniciais”. 

Novos cursos

O Centro de Formação profissional do Caio vai contar, a partir do próximo ciclo formativo, com a introdução de novos cursos, como o de soldador industrial, hidráulica e electricidade industrial, para possibilitar que as companhias petrolíferas que operam na região absorvam grande parte dos jovens formados nestas especialidades.
 “As companhias petrolíferas ainda não começaram a solicitar jovens formados, mas tenho fé que com a inserção destes cursos, em breve eles vão ter muita aceitação e serão solicitados pelas empresas petrolíferas”, disse Alberto Yaba.

Tirar jovens das ruas

O Executivo criou centros e pavilhões de Artes e Ofícios para ajudar jovens que estão sem ocupação e que antes se dedicavam a praticar actos de delinquência.
Por isso, este centro “tem como prioridade formar candidatos com problemas sociais, portadores de deficiência, delinquentes, lavadores de carros e prostitutas”, explicou.
As aulas são teóricos e práticas, o que significava que “todos os formandos absorvem os conhecimentos rapidamente”, disse o director, acrescentando que “os jovens estão, cada vez mais, interessados na formação profissional e na criação de auto emprego”. Nesse sentido, acabam por preferir cursos de electricidade, construção civil e mecânica, por serem os mais solicitados pelas empresas.
 “A adesão ao centro é satisfatória, o que tem contribuído para a redução da delinquência”, adiantou, explicando que um grupo de animadores local tem como tarefa levar a informação à comunidade, através de “palestras de sensibilização, para que os jovens evitem o recurso a práticas menos abonatórias e os resultados já são visíveis”.
Convidando os jovens a dirigirem-se ao pavilhão, porque os cursos são gratuitos, disse ainda que “o tempo de aproveitar para fazer formação é este, porque amanhã será tarde. Tudo aqui é de graça e o Governo criou o centro para a juventude”, disse.
A inscrição é fácil. Basta apresentar a fotocópia do Bilhete de Identidade, certificado de habilitações literárias e duas fotografias tipo passe.
Os Centros de formação, Pavilhões de Artes e Ofícios e Unidade Itinerários são tutelado pelo Ministério da Administração Pública, Emprego e Segurança Social, através do Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional. “Têm a missão social de desenvolver as capacidades de artes e ofícios do primeiro nível, de acordo com as condições e realidades da área onde estiver instalado”.

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