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Área de Kalandula quer investidores

Francisco Curihingana | Kuale

O administrador de Kalandula apelou, no fim-de-semana, ao investimento privado no município, assegurando aos empreendedores o apoio institucional dos órgãos do Estado que permita a criação de riqueza e a melhoria das condições de vida das populações.

A famosa mesa da Rainha Ginga Mbande é uma grande fonte para levar turistas nacionais e estrangeiros às terras de Kalandula
Fotografia: Francisco Kurihingana

O administrador de Kalandula apelou, no fim-de-semana, ao investimento privado no município, assegurando aos empreendedores o apoio institucional dos órgãos do Estado que permita a criação de riqueza e a melhoria das condições de vida das populações.
Manuel Campo, que fez o apelo durante uma visita de trabalho à comuna do Kuale, lembrou que há, ainda, muitos problemas provocados pela guerra, pelo que a economia, em alguns casos, está recuperar de forma lenta, mas que é preciso acreditar, explorar as grandes potencialidades e acelerar o crescimento da região.
“É necessário que os empresários do ramo hoteleiro e outros homens de negócios conheçam a realidade do Kuale e façam aqui investimentos”, salientou.
O administrador pediu paciência à população porque “o Estado está verdadeiramente empenhado na resolução dos problemas do povo”.
Manuel Campo, que assumiu o cargo há dois meses, pediu o esforço de todos para se recuperar a dignidade das pessoas e se trabalhar para o crescimento da comuna.
“Resolver as preocupações da população é o nosso principal objectivo”, disse, adiantando que a recuperação das vias de acesso que ligam a comuna à sede municipal de Kalandula, já em curso, é uma mais-valia para os empresários que pretendam investir nos sectores agrícola e turístico, onde as potencialidades, sublinhou, são enormes e garantem, à partida, o retorno rápido dos investimentos aplicados.
O administrador anunciou que o governo da província tem projectado a construção, na sede da comuna, de uma escola e de um centro de saúde e que pretende encontrar “soluções rápidas” para os problemas dos sectores da água e de energia.
 Todos somos poucos para a reconstrução do país, pelo que os interessados em investir na região são muito bem-vindos, disse.

Educação e saúde sem infra-estruturas

O Kuale, sem um hospital ou escola dignos desse nome, foi a comuna que mais sofreu durante a guerra, tendo por isso quase tudo por ser feito.
O chefe da secção comunal da Educação afirmou, ao Jornal de Angola, que a situação no sector é grave, pois a comuna tem 29 professores para 4310 alunos, “ uma gota de água no oceano”, e que, por essa e outras razões, 3.502 crianças não podem, este ano, frequentar a escola.
 “É preciso que se faça alguma coisa para inverter o actual quadro, que é alarmante, na medida em que existem muitas crianças, com mais de 10 anos, que nunca foram à escola”, frisou Pinto Heuca, adiantando que são necessários 104 professores e a construção de várias escolas para fazer face às necessidades imediatas do ensino na comuna.
O sector da Saúde vive problemas idênticos. O actual posto sanitário, a funcionar em instalações precárias, não tem capacidade para internamento.
Para atender os casos graves, os familiares dos pacientes têm de recorrer a transportes privados, com elevados custos, para os levar para a sede municipal.
Dada a falta de meios de transporte no Kuale, o sector do Miluanga, a 70 quilómetros da sede comunal, está, desde 2008, sem poder realizar campanhas de vacinação.
O quadro, disse o chefe de secção comunal, é preocupante, pelo que devem ser desenvolvidos esforços para evitar o surgimento de doenças que podem ser combatidas com uma simples vacina, como são os casos da poliomielite, sarampo, tetáno, febre-amarela  e varíola.
“Temos de criar condições para vacinar as nossas populações”, afirmou João Zua, que referiu a malária, as doenças diarreicas e respiratórias agudas, a conjuntivite e as sarnas como as enfermidades mais frequentes. 
O único posto de saúde existente na sede comunal tem dois enfermeiros, que atendem, por dia, entre 25 e 30 pacientes, muitos deles vítimas de ferimentos com armas brancas, o que denota algum grau de violência na comuna, lamentou.
“Os feridos que chegam são quase sempre em consequência de lutas com armas brancas”, disse, acrescentando que este é um fenómeno que já começa a preocupar.

 Mesa da Rainha Ginga

No Kuale está a famosa mesa da Rainha Ginga, local com largas referências na História de Angola.
A sua recuperação, garantiram as autoridades locais, pode levar à comuna turistas interessados em conhecer um pouco mais sobre a História de Angola, dando visibilidade à região. Segundo os mais velhos da região, nas pedras negras de Pungo Andongo ficaram marcadas as pegadas da Rainha Ginga Mbande, quando da retirada de Luanda, perseguida pelos portugueses. O sinal é ainda visível numa das pedras, na comuna do Kuale, município de Kalandula a 200 quilómetros da cidade de Malange. Algumas destas invulgares formações rochosas fazem também  lembrar figuras de animais.
Com os seus 105 metros de altura e com um arco-íris a cruzar as águas, as impressionantes quedas de água de Kalandula são o cartão de visita desta terra. No município de Kalandula pode-se ainda desfrutar de deliciosos banhos e da sua exuberante paisagem.
 O Kuale é, também, uma comuna com grandes tradições na agricultura. Os camponeses têm armazenado várias quantidades de produtos, que aguardam compradores.
Na presente campanha agrícola, foram preparados 1.244 hectares de terras para a produção de mandioca, cultura privilegiada na região.
A comuna do Kuale, a uma distância de 190 quilómetros da cidade de Malange, com 2.721 quilómetros, faz fronteira a Norte com o município do Massango, a Sul com Kalandula, a Oeste com a comuna do Bengo, província do Uíge, e a Este com a do Micanda. Tem cinco sectores: Buaca, Luquinge, Matos Vaz, Pipa Nema e a sede, e tem 15 mil habitantes, maioritariamente camponeses.

Kalandula quer um hospital condigno
 
O município de Kalandula, a cerca de 85 quilómetros a Nordeste da cidade de Malange, precisa de um hospital capaz de prestar assistência médica e medicamentosa satisfatória às populações, disse, aos jornalistas, o administrador.
Outro problema que afecta o município, adiantou Manuel Campo, é a falta de médicos e de enfermeiros.
“Não há médicos no município e são poucos os enfermeiros, temos centros de saúde que já estão concluídos, mas não dispomos de recursos humanos para os pôr a funcionar”, lamentou.
O município, com significativa visibilidade, quer no contexto nacional, quer no internacional, devido às potencialidades turísticas, vive, dificuldades no domínio do fornecimento de água potável e de energia eléctrica às populações, mas, esses casos, garantiu Manuel Campo, tem os dias contados, porque “o governo da província vai reabilitar a mini hídrica do rio Lucala para resolver o problema de uma forma definitiva”.
O abastecimento de energia eléctrica à sede municipal de Kalandula, a partir da mini hídrica do Lucala, referiu, “vai também potenciar o desenvolvimento económico da região”.
 
Faltam quadros no município
 
 Manuel Campo manifestou-se igualmente preocupado com a falta de quadros no município. Por isso, lançou um apelo aos quadros interessados em trabalhar em Kalandula para que o façam sem hesitar, pois, apesar de reconhecer algumas dificuldades, com trabalho, afirmou, é possível criar bem-estar social.
 “Garantimos aos professores, enfermeiros e a outros quadros dos mais diversos ramos do saber que temos uma rica terra para desenvolver e estamos abertos a cooperar com os profissionais que vierem para aqui trabalhar”, declarou.
Manuel Campo defendeu a necessidade da aplicação do subsídio de fixação porque, lembrou, “as dificuldades com que se debate um profissional na comuna do Kuale não são as mesmas das de quem trabalha na cidade”.
Manuel Campos visitou já as comunas do Cateco Cangola, Cota, Kinge e Kuale. As infra-estruturas da sede vão ser analisadas muito em breve. O administrador tem também agendado encontros com os regedores, sociedade civil e representantes de partidos políticos para poder constituir um dossier completo da região.

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