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Área do Mucoso em recuperação

Um projecto do Ministério da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, que visa a recuperação do "Perímetro Irrigado do Mucoso", no município de Kambambe, Kwanza-Norte, está a ser implementado desde Agosto pela empresa espanhola Incatema Consulting.

Na área colonial foram produzidas no local milhares de toneladas de produtos para a exportação mas agora vigora a agricultura familiar
Fotografia: Jornal de Angola

Um projecto do Ministério da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, que visa a recuperação do "Perímetro Irrigado do Mucoso", no município de Kambambe, Kwanza-Norte, está a ser implementado desde Agosto pela empresa espanhola Incatema Consulting.
O director dos projectos agrícolas da empresa, em Angola, Luís Cano, explicou no sábado à Angop que a empreitada consagra a mecanização de 500 hectares de terra, a reabilitação das infra-estruturas administrativas, habitacionais e dos armazéns daquela unidade.
Um novo sistema de captação capaz de bombear 1.800 metros cúbicos de água/hora será instalado, figurando entre as prioridades as obras de fundação da represa. Uma das tarefas presentemente em curso é a abertura de 22 quilómetros de picadas de acesso aos diferentes pontos da fazenda, disse. O sistema será reforçado com a instalação, no perímetro, de duas electro-bombas intermédias, que reenviarão cada uma 800 metros cúbicos de água/hora. Um canal com o comprimento de 24 quilómetros, assim como a implantação de dois milhões de metros de tubos diversos para irrigação gota a gota, fazem ainda parte do esquema de rega do projecto.
Luís Cano precisou que o perímetro irrigado do Mucoso será subdividido em 162 parcelas, de três hectares cada, onde serão implementadas as culturas de hortícolas, ananás, citrinos e mangueiras de espécies melhoradas.
Quatro parcelas demonstrativas, com plantio diverso e irrigação, ocupando uma área de 2.500 metros quadrados, serão aprontadas pela empresa, salientou, esclarecendo que outros espaços estarão à disposição de outros beneficiários, que os deverão explorar com recurso a critérios impostos pelo Ministério da Agricultura.

 Centenas de empregos

Cerca de 500 famílias podem vir a ser inseridas no projecto, no quadro da estratégia governamental de combate à fome e à pobreza, embora as modalidades de acesso aos talhões ainda não tenham sido apresentadas. O projecto, cujos estudos topográficos tiveram início há um ano, tem a execução global prevista para até Setembro de 2011, caso não se verifiquem contrariedades durante o período das chuvas, altura que, segundo o director da empresa, interfere no processo de preparação das terras e na construção do sistema de captação e irrigação.
A empreitada inclui igualmente o fornecimento (à fazenda) de tractores agrícolas com respectivas alfaias, a construção de dois depósitos reservados ao armazenamento de materiais e meios, a instalação de três grupos geradores de electricidade com capacidades de 630, 400 e 250 KVA, assim como a formação do pessoal técnico e administrativo, entre outras benfeitorias.
No âmbito dos projectos sociais da empresa, a localidade do Mucoso, que tem cerca de 1.400 habitantes, beneficiará de uma lavandaria, um jango comunitário, 12 metros cúbicos de água potável/hora e um chafariz. Sete engenheiros agrónomos da empresa e 60 angolanos sem formação específica asseguram a primeira fase dos trabalhos do projecto, que oferecerá 500 postos de trabalho directos até ao fim da empreitada, que congrega várias empresas angolanas subcontratadas para a sua efectivação.  A empresa Incatema, do ramo de consultoria e mercado, agricultura e pesca está em Angola desde 2002, com obras nas províncias da Huíla, Bengo e Kwanza-Norte.
O perímetro irrigado do Mucoso é uma das grandes unidades agrícolas do município de Kambambe, tendo na era colonial produzido vários produtos exportados, à semelhança das fazendas Ribeiro e Silva, Diogo em Companhia, Madame e Berman, Calengue, Nova-Oeiras e Bungo.
Paralisou completamente a sua actividade na década de 90, e parte dos seus espaços é aproveitada por famílias camponesas que praticam agricultura de subsistência.

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