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Armadilhas desaparecem em Ndalatando

Manuel Fontoura | Ndalatando

O chefe de departamento provincial do Kwanza-Norte do Instituto de Controlo e Combate à Tripanossomíase( ICCT) disse, na terça-feira, ao Jornal de Angola, ser preocupante a quantidade de armadilhas de captura da mosca Tsé-Tsé desaparecidas dos locais onde são colocadas. 

Foram colocadas este ano cerca de 350 armadilhas e capturadas mais de cinco mil moscas
Fotografia: Nilo Mateus

O chefe de departamento provincial do Kwanza-Norte do Instituto de Controlo e Combate à Tripanossomíase( ICCT) disse, na terça-feira, ao Jornal de Angola, ser preocupante a quantidade de armadilhas de captura da mosca Tsé-Tsé desaparecidas dos locais onde são colocadas. 
Francisco Manuel, que afirmou desconhecer as razões para o desaparecimento, disse que, durante os trabalhos de prospecção, as equipas têm procurado fazer ver às populações a importância que as armadilhas têm.
O número reduzido de moscas capturadas nos últimos tempos, referiu, resulta da falta de colaboração das pessoas.
O médico afirmou que as armadilhas colocadas ao longo da estrada nacional 230 são muitas vezes retiradas por automobilistas, que as utilizam para limpar peças.  Daquele troço, garantiu, já desapareceram, só este ano, mais de 50 armadilhas.
As armadilhas colocadas em caminhos que dão acesso às lavras e rios, afirmou, também têm desaparecido.
Francisco Manuel revelou haver informações que há pessoas que levam as armadilhas para as lavras.
“Não temos nada contra isso, desde que não sejam destruídas”, disse, adiantando:
“Queremos que a população colabore, uma vez que estamos numa província totalmente endémica, onde a mosca está um pouco por todo o lado”. Queremos também que os camponeses que entenderem que há muitas moscas nas lavras nos informem para que um técnico vá lá colocar as armadilhas, disse.
Se necessário, frisou, ensinamo-los a montar as armadilhas e a forma de recolher a mosca para sabermos o número de capturas e se elas estão infectadas.
“Nas zonas ribeirinhas e piscatórias, os nossos técnicos, durante as campanhas de prospecção activa, muitas vezes verificam que, à falta de redes de pesca, as pessoas destroem as armadilhas, cosem-nas e utilizam-nas na pesca. É de facto algo muito preocupante para nós”, lamentou.
A situação, referiu, só pode ser ultrapassada com a intensificação de acções de sensibilização, que leve a população a entender que as armadilhas têm objectivos específicos.
As armadilhas, alertou, são um bem público e pode custar cada uma, entre 10 a 17 dólares.
“Se o Governo gasta essas somas em dinheiro para proteger e servir melhor a sociedade, devemos respeitar este tão importante trabalho que se desenvolve com muito empenho e sacrifício, para o bem de toda a população”, declarou.
 “Nos próximos tempos todos os que forem surpreendidos a destruir uma armadilha ou a levá-la de um lado para outro sem autorização devem ser detidos e responsabilizados”, avisou.
O ICCT local prepara uma campanha de luta anti vectorial nos arredores do município de Cazengo, o mais endémico da província.
No município de Cazengo, o ICCT pretende montar 500 armadilhas, tendo já sido instaladas algumas no jardim botânico do Kilombo.A seguir vão ser contempladas a região do baixo Binda, arredores da ponte sobre o rio Lucala II, e do Zanga.
O departamento de Controlo e Combate à Tripanossomíase no Kwanza-Norte colocou, este ano, cerca de 350 armadilhas e capturou mais de cinco mil moscas.
Para a cobertura total da província são precisas mais de três mil armadilhas.

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