Províncias

Ataques de animais com raiva enlutam várias famílias na Huíla

Arão Martins | Lubango

Um total de 73 pessoas da província da Huíla foi atacado por animais afectados pelo surto da raiva, o que resultou em 41 óbitos, entre os meses de Janeiro e Setembro deste ano, revelou, no Lubango, Samo Daniel, director do Instituto dos Serviços Veterinários.

Um pormenor da cidade do Lubango onde a direcção dos Serviços Veterináros manifestou preocupação em relação ao número de casos de raiva
Fotografia: Arão Martins

Ao dissertar na palestra sobre o perigo da raiva, organizada pela Universidade Mandume ya Ndemufayo (UMN), enquadrada nas jornadas do Dia Internacional de Luta Contra a Raiva, assinalado a 28 de Setembro, Samo Daniel disse que das 73 mordidas, 32 pessoas encontram-se a receber tratamento médico e medicamentoso. 
O director do Instituto dos Serviços Veterinários disse que apesar deste número, que considera preocupante, em 2015, foram registadas 241 ocorrências, o que pressupõe dizer que houve uma redução na ordem dos 50 por cento
Tendo em conta as medidas de prevenção, a Direcção do Instituto dos Serviços Veterinários promoveu este ano uma campanha de vacinação para 40 mil animais de estimação, entre cães, gatos e macacos, mas apenas 9.050 foram vacinados.
Samo Daniel alertou para o perigo da raiva, que considera uma doença fatal, que afecta os vertebrados de sangue quente, incluindo o homem, e é causada por um vírus presente na saliva dos animais infectados.
“A doença pode afectar o homem, animais vertebrados e não só. É transmitida pelo simples contacto com o vírus transmitido pelos animais, através da saliva. As transmissões mais comuns acontecem por via de mordidelas, arranhaduras, ferimentos ou o simples contacto com as mucosas. O surto foi identificado há mais de 3.000 anos e está associado a mordeduras de animais”, esclareceu. A julgar pelo impacto negativo que causa  nas pessoas, continuou, a raiva é tida em todo o mundo como um problema de saúde pública.  O responsável da Saúde apontou várias motivações que concorrem para o surgimento da “febre” da raiva na província, dentre as quais destacou a falta de organização ou de expressão das comissões provinciais, falhas na mobilização de recursos financeiros para o controlo da epidemia, aumento considerável de animais vadios nas ruas e de mordeduras, em que as crianças são as principais vítimas.
 A estas insuficiências, de acordo com Samo Daniel, juntam-se a escassez de recursos humanos e materiais para fazer face aos desafios que se impõem no combate ao surto da raiva. Em Angola, os casos de raiva intensificaram consideravelmente, com o fim do conflito e as aberturas que se registaram em relação à livre circulação de pessoas bens.
“A livre circulação de pessoas e bens, a caça com cães e o consequente contacto com animais selvagens contribuíram para a propagação da “praga” nas zonas urbanas”, afirmou Samo Daniel.
Os cães e os gatos são considerados os principais transmissores do vírus, nos círculos urbanos, aparecendo os morcegos, raposas, chacais e gatos do mato como os principais transportadores do vírus no habitat animal.
Como medidas preventivas, o director do Instituto de Veterinária na Huíla considerou importante que se preste atenção às alterações comportamentais que, eventualmente, os animais domésticos venham a registar e o seu encaminhamento imediato às autoridades sanitárias para o devido tratamento.
O director do Instituto dos Serviços Veterinários disse ser importante que os proprietários de animais se façam acompanhar do documento de registo e da licença de circulação e que saibam impor restrições à circulação dos mesmos. “É também importante o uso de coleira peitoral ou açaime e a avaliação da eficácia da vacinação.”
Como outros dados importantes para se evitar a mordedura, o responsável enumerou vários aspectos, como a mobilização urgente de recursos financeiros para a execução de um programa de emergência de combate à raiva, intensificação da captura de animais vadios pelas administrações municipais, com a participação dos órgãos de defesa e segurança e o estabelecimento e reorganização das comissões provinciais.

Tempo

Multimédia