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Automobilistas insatisfeitos com as oficinas

Marcelo Manuel |

Automobilistas da cidade de Ndalatando, província do Kwanza-Norte, estão insatisfeitos com o desempenho das oficinas de automóveis locais, principalmente no que diz respeito à reparação de motores, inspecção de mecânica geral e condições de higiene, apurou o Jornal de Angola.

Mecânicos trabalham com poucos meios, poucas ferramentas e ao ar livre
Fotografia: Nilo Mateus

Automobilistas da cidade de Ndalatando, província do Kwanza-Norte, estão insatisfeitos com o desempenho das oficinas de automóveis locais, principalmente no que diz respeito à reparação de motores, inspecção de mecânica geral e condições de higiene, apurou o Jornal de Angola.
Muitas oficinas da cidade funcionam ao ar livre sem condições mínimas de segurança, exercendo a actividade de forma ilegal.
O óleo queimado é despejado em lugares impróprios. A pintura de viaturas é feita de forma anárquica em que os gases das tintas são soltos para a atmosfera, atentando contra a saúde pública.
Os automobilistas recorrem a estas oficinas porque alegam a inexistência de oficinas de qualidade. Jeremias dos Santos, automobilista, interpelado numa das oficinas de pintura, considerou serem razoáveis os trabalhos efectuados pelos mecânicos. “Não temos alternativa. A pintura em Luanda fica muito cara.
Os preços aqui praticados são compatíveis, razão pela qual cá estou”, concluiu.
Mateus António, mestre chefe da oficina, está consciente que os seus trabalhadores não possuem qualificação profissional e trabalham para alimentar as suas famílias.
 Quanto à questão da remuneração referiu que factura de 18 a 20 mil Kwanzas por semana e por isso não pode pagar grandes salários. Mesmo assim paga a tempo “e a maior parte do dinheiro que sobra serve para comprar material no mercado paralelo em Luanda”, disse o mestre da oficina.
Mateus António revelou que exerce a actividade de pintor auto desde 1978, altura em que obteve a formação numa empresa de mecânica auto que trabalhava para as FAPLA.
Conta que o trabalho já rendeu mais. Agora, referiu, “o que ganho serve apenas garantir a sobrevivência”. A falta de material no mercado local é a sua principal dificuldade.
O mestre pinta um carro por semana e trabalha com o filho e dois ajudantes.
 
 Recauchutagens precárias
 
A cidade de Ndalatando tem 12 recauchutagens e destas, apenas uma funciona em condições precárias sem qualquer legalização da Direcção Provincial dos Transportes. Todos os funcionários trabalham sem qualquer contrato de trabalho.
As estruturas onde funcionam são em grande parte construídas de adobe. Mas alguns trabalham ao relento ou em mercados paralelos.
Os preços por eles praticados rondam aos 500 Kwanzas para os pneus de carros ligeiros e 1000 para os pesados. Adão Bastos, recauchutador, disse que materiais como as colas e remendos são adquiridos em Luanda, pelo facto da região estar desprovida de empresas vocacionadas para a venda do material.
“Antigamente fazíamos um trabalho mais completo, tendo em conta as máquinas que estavam em funcionamento. Agora trabalhamos apenas por carolice, as máquinas estão avariadas”, afirmou.
Recauchutador desde 1966 e pai de cinco filhos, Adão Bastos relata que as instalações onde tem a oficina pertencem a um empresário, que está em Luanda para conseguir um empréstimo bancário para a expansão dos trabalhos de recauchutagem na província.
 Segundo uma nota divulgada pela direcção Provincial dos Transportes, existem na província dez oficinas das quais duas apenas estão licenciadas. As recauchutagens são um total de 12 e apenas uma está legalizada.

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