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Autoridades preocupadas com crianças na pastorícia

Manuel de Sousa|

O sector da Educação no município da Bibala está preocupado com as crianças que acompanham os pais no pastoreio do gado. Durante a época seca, encontrar água exige longas caminhadas para lugares distantes das aldeias de origem e os alunos faltam às aulas.  

Problemas radicados na tradição ancestral fazem com que as crianças fiquem longe da escola para acompanhar o gado
Fotografia: Afonso Costa

O sector da Educação no município da Bibala está preocupado com as crianças que acompanham os pais no pastoreio do gado. Durante a época seca, encontrar água exige longas caminhadas para lugares distantes das aldeias de origem e os alunos faltam às aulas.  
Paulo Modelo, chefe da secção de Educação da Bibala, diz que este é o aspecto que mais preocupa o sector, que tem conhecido grandes melhorias. O município da Bibala tem uma escola do II ciclo de formação de professores e duas escolas técnicas do primeiro ciclo.
Hoje há na Bibala uma grande integração das crianças e jovens nas escolas das comunas, o que tem estado a diminuir as deslocações para outras regiões na procura de níveis de ensino que não existiam nas suas localidades.
A grande preocupação do sector, reiterou Paulo Modelo, é a transumância, visto que há períodos em que muitas crianças são afectadas por esta situação ao acompanharem os pais para locais onde há pasto e água. O sector da Educação, para contornar o problema, criou um sistema de formação acelerada para que estas crianças não percam o ano lectivo, que está na sua fase final.
"Estamos a fazer tudo para que estas crianças recuperem as aulas perdidas e impedir que desistam da escola", disse Paulo Modelo.

Falta de professores

O responsável da Educação disse ainda que existem localidades com muitas crianças fora do sistema de ensino, por falta de professores e salas de aulas. Existe o registo efectivo dessas crianças, mas há problemas para enquadrá-las, porque também faltam condições para alojar os novos professores.
"A grande questão é a acomodação dos professores, na sua maioria jovens e que hoje não querem ir para o meio rural onde não existem as condições que tinham nas suas casas", disse.
Além de ter defendido um subsídio especial para os professores que vão dar aulas em locais inóspitos, Paulo Modelo diz que é preciso construir casas com dignidade onde possam ficar.
As comunidades têm estado a fazer um grande esforço para construir casas e escolas e as autoridades estão a sensibilizar os jovens professores para a necessidade de combater o analfabetismo, como forma de assegurar um crescimento harmonioso do país.
O município da Bibala é vasto e as 20 escolas existentes são ainda insuficiente para atender às necessidades.
O número de professores também não satisfaz, disse Paulo Modelo, porque existem escolas onde dois ou três professores leccionam da iniciação à quarta classe Em termos de material escolar, o município está bem servido.

Contribuição da comunidade

Os pais e encarregados de educação têm estado a dar o seu apoio, com ideias e valores monetários. A proximidade do município da Bibala à cidade do Lubango tem permitido o acesso dos estudantes do município à formação superior: "já temos alguns técnicos superiores, o que nos deixa satisfeitos, na medida em que melhora a qualidade de ensino no município", disse Paulo Modelo. Existe no município da Bibala um estabelecimento de ensino provado, a escola missionária Santo Agostinho. Há pouco interesse em investir na educação, porque o município carece de empresários no verdadeiro sentido do termo e os poucos que existem estão mais preocupados em investir na exploração mineira. Além do mais, há poucos os alunos com pais capazes de pagar regularmente as propinas de uma instituição de ensino privada, dados os seus fracos rendimentos.

Projectos futuros

Para o futuro, o sector pretende abrir uma escola do primeiro ciclo na povoação da Quilemba Velha. É ainda pretensão do sector ter um pólo universitário no município, já que a juventude está ávida de elevar o seu nível académico do médio para o superior. "Por isso temos estado a fazer todos os contactos para termos no nosso município uma escola do ensino superior, mas vamos caminhar devagar, já temos muitos técnicos superiores em História e Biologia e outros que continuam os estudos no Lubango mas se abrirmos aqui algumas salas do ensino superior, então a Bibala vai desenvolver-se muito mais", disse.

Alfabetização e desporto

O município tem um centro de alfabetização mas há períodos do ano em que as populações ficam ocupadas com o pasto do gado e também com a recolha de mantimentos. Neste período, a alfabetização tem sentido os efeitos da desistência, "mas o centro existe, precisa apenas de ser alargado para combater o analfabetismo no seio das populações".
Paulo Modelo revelou que o projecto do desporto escolar no município caminha a bom ritmo, e tem merecido uma atenção especial da direcção do sector, visto que permite uma maior absorção de conhecimentos por parte dos alunos, saúde mental e física, e afasta os jovens dos maus hábitos e práticas condenáveis.
Os campos polivalentes existentes no município permitem a realização de campeonatos entre escolas, principalmente de futebol, visto que o atletismo, basquetebol, andebol e outros desportos, por falta de material, não são praticados: "fazemos aquilo que é possível, futebol e algumas vezes atletismo, porque também o único campo polivalente que temos se encontra na comuna do Capangombe".
Paulo Modelo pediu aos estudantes e professores para de se dedicarem aos estudos. "Os alunos que continuem a estudar, aqueles que têm dificuldade não se percam, procurem soluções, os professores devem encorajá-los sempre, as dificuldades nunca terminam e não podem inviabilizar a formação de mais um homem", rematou.

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