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Avaliado impacto ambiental da barragem de Laúca

Manuel Fontoura | Ndalatando

O consultor ambiental do projecto de construção da barragem de Laúca, Vladimir Russo, pôs de parte a existência de qualquer indício de abalos sísmicos no empreendimento hidroeléctrico, no município de Cambambe.

Neste momento as obras de reabilitação e modernização da Barragem de Cambambe no Cuanza Norte apresentam já um avanço considerável
Fotografia: José Soares

O consultor fez estas declarações quando respondia a questões colocadas por participantes num encontro levada a cabo no âmbito da consulta pública sobre o impacto ambiental da barragem no ecossistema.
Vladimir Russo referiu que a barragem de Laúca está a ser construída numa zona situada a 125 quilómetros da falha tectónica mais próxima do ponto de vista da geologia regional e foi concebida para suportar tremores de terra com aproximadamente sete graus de magnitude na escala de Richter.
O consultor explicou que a área do médio Cuanza se insere numa zona marcada pela presença de extensas falhas profundas continentais, sendo o “Horst Cuanza” a falha tectónica mais próxima, separando duas outras importantes estruturas geológicas: o Escudo Maiombe e o Escudo de Angola.
O ambientalista João Serôdio referiu ser importante a inserção de um estudo do projecto de construção da barragem de Laúca, de um plano de segurança de emergência destinado à evacuação das populações que vivem nas margens do Rio Cuanza, uma vez que um abalo sísmico pode danificar as estruturas do referido aproveitamento hidroeléctrico. A representante da Direcção Nacional de Prevenção e Avaliação de Impactos Ambientais do Ministério do Ambiente, Humberta Paixão, que dirigiu o encontro de consulta pública, disse que o objectivo é avaliar os possíveis efeitos da construção do empreendimento e colher contribuições quanto a medidas que reduzam os efeitos nocivos ao ecossistema da região.
A consulta pública do projecto de construção da Barragem de Laúca é um imperativo estabelecido por lei, que determina a obrigatoriedade da avaliação do impacto ambiental de todos os projectos susceptíveis de causar alterações ao ambiente.
A construção da Barragem de Laúca, iniciada em Julho de 2012, está a ser feita no curso médio do Rio Cuanza, na comuna de São Pedro da Quilemba, município de Cambambe, nos limites territoriais das províncias do Cuanza Norte, Malanje e Cuanza Sul. Com conclusão prevista para 2017, a barragem hidroeléctrica de Laúca vai contar com duas centrais de produção de energia eléctrica, sendo a primeira constituída por seis unidades geradoras, que vão produzir um total de 2.004 mega watts, correspondentes a 334 mega watts cada.
A segunda vai compreender uma central ecológica, com capacidade para produzir 70 mega watts e que vai manter um caudal mínimo no leito do rio, para garantir a preservação das espécies aquáticas.
O empreendimento vai terá comportas de 132 metros de altura, 1.100 metros de comprimento e uma albufeira com 188 quilómetros quadrados e uma potência total instalada 2.070 mega watts. O projecto faz parte de um plano de desenvolvimento de infra-estruturas do Ministério da Energia e Águas, com o objectivo de permitir, até 2025, que o país atinja os nove mil mega watts de capacidade instalada.

Obras em Cambambe

Neste momento, as obras de reabilitação e modernização da Barragem de Cambambe, na província do Cuanza Norte, apresentam já um avanço considerável, cuja conclusão está prevista para 2015.
Após a sua conclusão das obras, o aproveitamento hidroeléctrico de da Barragem de Cambambe passa a ter uma capacidade instalada de 960 mega watts, contra os 180 actuais.

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